O que é preciso saber sobre os testes de covid-19 | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 30.04.2020
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Coronavírus

O que é preciso saber sobre os testes de covid-19

Exames de coronavírus são peça fundamental para os governos decidirem quanto ao grau de rigor das restrições à população. Mas é importante saber quem e quando testar, e até que ponto os resultados são confiáveis.

Coronavirus Tests (picture alliance/dpa)

Os países têm procedido de formas muito distintas com os testes de coronavírus no decorrer da atual pandemia

Que testes existem para o Sars-cov-2?

Cada vez chegam ao mercado mais testes para o novo coronavírus. No fim de abril, já se ofereciam mais de 150 produtos diferentes, em todo o mundo. Eles se dividem basicamente em duas grandes categorias: os que provam que alguém tem o vírus no organismo, sendo potencialmente capaz de contaminar outros; e testes serológicos, para indicar se o indivíduo já esteve infectado.

Prova de infecção aguda

Para verifcar que alguém está infectado, podendo contagiar outros, emprega-se, na maioria dos casos, o método da reação em cadeia da polimerase (PCR). Como alternativa, há os testes de amplificação isotérmica do DNA, que funcionam de forma bastante semelhante.

Em ambos os casos, tira-se, com um cotonete, uma amostra da saliva do paciente na região da faringe, podendo-se também empregar expectoração do pulmão profundo. Uma parte do material genético é multiplicado em diversos estágios, e em seguida, através do processo bioquímico de eletroforese em gel de agarose, é examinado se há genes do vírus investigado na amostra.

Se o material genético virótico é detectado, considera-se o paciente contagioso. Mas o caso contrário também não significa que ele não esteja infectado: pode ser que os vírus não se encontrassem na amostra, mas se localizem em outras partes do corpo.

Isso talvez também explique por que, em casos isolados, podem dar positivo os testes de PCR em pacientes já considerados curados: é possível que os vírus estivessem presentes todo o tempo, mas não foram encontrados nos exames anteriores à alta.

Em seu podcast, o especialista em doenças infecciosas Christian Drosten, do Hospital Charité de Berlim, comparou o fato à tentativa de pegar um peixinho de aquário com uma rede. Se, ao se retirar o instrumento da água, não há um peixe nele, isso não significa que não haja nenhum peixe dentro do aquário.

Prova de uma infecção passada

Exames sorológicos (ELISA) de uma pequena amostra de sangue indicam se anticorpos foram acionados pelo sistema imunológico contra o vírus. Isso significa que o organismo já teve uma reação imunológica a uma infecção com o vírus em questão.

Normalmente eles são realizados em laboratório. Alguns fabricantes já oferecem testes rápidos segundo esse princípio, mas que devem ser realizados por um médico. Basta pingar algumas gotas de sangue num kit de testes, como num exame de diabetes, e acrescentar uma solução-tampão.

Se estão presentes no sangue as imunoglobulinas IgM e IgG, a amostra fica colorida. O resultado positivo significa, em princípio, que o indivíduo enfrentou uma infecção com o coronavírus, possuindo agora certa imunidade contra ele. Mas os testes não são totalmente seguros, e é também possível ter se tratado de uma infecção com outro tipo de coronavírus, como um resfriado, em vez de com o Sars-cov-2.

Quando e em quem deve ser feito um exame?

Testes PCR são importantes para determinar se o paciente e as pessoas com que teve contato estão contagiosas e em que tipo de quarentena devem entrar. Basta receitar um confinamento de duas semanas para as pessoas de contato – em que ela poderá infectar outros companheiros de moradia – ou ela deve ficar realmente isolada?

Os testes ELISA são importante para os epidemiologistas avaliarem quantos cidadãos passaram por uma infecção sem diagnóstico, e se em algum momento se alcançou certa "imunidade de rebanho". Esse dado pode ajudar os políticos a decidirem quanto a um eventual relaxamento das restrições. Eles também são úteis para verificar a imunidade de quem decididamente sofreu de covid-19, ou de quem tomou uma nova vacina.

Diversas clínicas universitárias alemãs já iniciaram estudos amplos em que pacientes escolhidos ao acaso são submetidos a testes ELISA de uma infecção possivelmente desconhecida – também para saber mais sobre o comportamento do vírus.

Estratégias de exames nos diversos países

Os países têm procedido de formas muito distintas com os testes de coronavírus no decorrer da atual pandemia. Isso se deve tanto a diferenças na eficácia dos respectivos sistemas de saúde, na disponibilidade dos testes e nas capacidades laboratoriais, quanto até que ponto a ameaça foi levada a sério desde o início.

Assim a Coreia do Sul, que aprendera com as experiências da epidemia de Sars em 2002, foi um dos primeiros países a sistematicamente testar grande número de cidadãos, mesmo sem sintomas, desde muito cedo, quando o volume de casos era relativamente baixo.

A Alemanha é igualmente um dos países que realizam muitos exames, em proporção a sua população, porém sobretudo em quem teve comprovadamente contato com infectados ou apresente sintomas.

Outros países, como os Estados Unidos, estão aumentando maciçamente suas capacidades de testes. No entanto lá a pandemia está mais adiantada e o número de casos é muito elevado. No outro extremo, estão países da África em que praticamente não se realizam testes.

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