O plano de Assange para fugir à Rússia | Notícias internacionais e análises | DW | 21.09.2018
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Mundo

O plano de Assange para fugir à Rússia

Jornal britânico revela que fuga do fundador do Wikileaks da embaixada equatoriana em Londres chegou a ser marcada para a noite de Natal de 2017, mas acabou cancelada pelos altos riscos.

Assange está refugiado desde 2010 na embaixada do Equador em Londres

Assange está refugiado desde 2010 na embaixada do Equador em Londres

Diplomatas russos em Londres mantiveram conversas sigilosas com pessoas próximas ao fundador do Wikileaks, Julian Assange para avaliar um possível plano de fuga do Reino Unido, revelou nesta sexta-feira (21/09) uma reportagem do jornal britânico The Guardian.

Segundo o jornal, um plano de fuga chegou a ser elaborado para retirar Assange da embaixada do Equador, onde ele está asilado desde 2010.

Ele seria retirado do local em um veículo diplomático na noite de natal de 2017, segundo uma das fontes entrevistadas pelo jornal, e transportado para outro país, possivelmente, a Rússia, onde não enfrentaria um processo de extradição para os Estados Unidos.

O suposto envolvimento de autoridades russas no caso aumenta os questionamentos sobre as ligações do fundador do Wikileaks e o Kremlin. Ele é considerado como figura central nas investigações sobre uma possível ingerência russas nas eleições presidenciais americanas de 2016.

O procurador especial Robert Mueller, que investiga o caso, indiciou criminalmente 12 agentes da GRU, a inteligência militar russa, que teriam hackeado os servidores do Partido Democrata durante a campanha presidencial. Os hackers teriam enviado e-mails ao Wikileaks, que acabariam prejudicando a candidata democrata Hillary Clinton.

Segundo Mueller, o Wikileaks publicou mais de 50 mil documentos roubados pelos agentes russos. A primeira parte foi enviada no dia 14 de julho de 2016 em anexo encriptado. Assange, por sua vez, nega ter recebido documentos roubados.

Fontes consultadas pelo Guardian afirmam que o plano de fuga envolveria a concessão de documentos diplomáticos a Assange, para que o Equador pudesse alegar que ele tinha imunidade. Dessa forma, Assange poderia ser retirado da embaixada em um veículo diplomático.

Entre as fontes citadas pelo jornal, quatro afirmam que o Kremlin estaria disposto a ajudar no plano de fuga, incluindo a possibilidade de ele viajar e estabelecer residência na Rússia. Também teria sido cogitada a hipótese de que Assange viajasse por mar até o Equador. O plano, que teria sido elaborado após o Equador fracassar em conceder status diplomático a Assange, acabaria sendo abandonado por ser arriscado demais.

Algumas fontes disseram ao Guardian que Fidel Narváez, um confidente de Assange que trabalhava até recentemente como cônsul equatoriano em Londres, teria agido como intermediário com os russos. Ele, porém, negou que tivesse se envolvido em discussões sobre o plano de fuga.

Narváez teve papel importante ao ajudar o ex-consultor da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA Edward Snowden, concedendo-lhe um salvo-conduto quando ele deixou Hong Kong em direção à Rússia, onde se encontra exilado.

Snowden está foragido da Justiça americana após vazar materiais confidenciais da NSA em 2013. Ele está exilado na Rússia. O presidente equatoriano, Rafael Correa, disse que o salvo-conduto foi dado sem o conhecimento do governo.

O cancelamento do plano de fuga teria ocorrido a poucos dias da data marcada. O Guardian afirma que Rommy Vallejo, chefe da agência equatoriana de inteligência, teria viajado a Londres no dia 15 de dezembro de 2017 para supervisionar a operação, mas retornou ao país logo que o plano foi cancelado.

Vallejo deixou o cargo em fevereiro, e acredita-se que esteja na Nicarágua. Ele está sendo investigado pelo envolvimento no sequestro de um adversário político de Correa em 2012.

Assange está foragido na embaixada do Equador em Londres desde junho de 2012, e obteve asilo em agosto seguinte. Desde 2010 era procurado pelas autoridades suecas, acusado de estuprar duas mulheres. A Justiça sueca acabou arquivando o processo em maio de 2017, por não poder avançar na investigação das acusações.

Entretanto, a Justiça britânica insiste que Assange deve responder por não ter comparecido a tribunal em 2012, como determinado pelos termos de sua liberdade condicional. Essa infração pode ser punida no Reino Unido com até um ano de prisão. O fundador do Wikileaks teme uma extradição para os EUA, motivo pelo qual se recusa a deixar a embaixada.

Em março de 2017 o Wikileaks divulgou documentos confidenciais da CIA, a agência de inteligência americana. Assange afirma que a Justiça americana o indiciou por esse e outros vazamentos de informação. Ele acredita que essas acusações estariam sob sigilo e que ele seria alvo de uma extradição para os EUA logo que deixasse a embaixada.

O sucessor de Correa na Presidência do Equador, Lenin Moreno, insiste que Assange deve deixar a representação diplomática do país em Londres. Em março, o governo cortou seu acesso à internet e restringiu as visitas. Seus advogados afirmam que ele está detido arbitrariamente na embaixada e pedem que o Reino Unido forneça garantias de que ele não será extraditado para os EUA.

Esta não seria a primeira vez que Assange teria considerado se refugiar na Rússia. A agência de noticias Associated Press informou nesta semana que ele teria tentado obter um visto russo em 2010.

Em carta de autoria atribuída ao fundador do Wikileaks ele teria concedido "autoridade total" ao seu amigo Israel Shamir para levar seu passaporte à embaixada russa e, mais tarde, recolhe-lo já com o visto de entrada no país.

Segundo a AP, a carta de 30 de novembro de 2010 seria parte de uma série de e-mails, registros financeiros, mensagens online e filmagens secretas obtidas pela agência.

A AP afirma que os arquivos revelam detalhes internos sobre o funcionamento do Wikileaks e da proximidade de Assange com Moscou. Em comunicado, o Wikileaks afirmou que seu fundador jamais teria pedido um visto russo, atribuindo a carta a um ex-colaborador.

O governo do Equador se recusou a comentar a reportagem do Guardian. A embaixada russa em Londres afirmou através do Twitter que este seria "mais um exemplo de desinformação e notícias falsas por parte da imprensa britânica".

RC/ots/ap

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