O legado multifacetado da União Soviética | Notícias internacionais e análises | DW | 20.09.2021

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História

O legado multifacetado da União Soviética

A Lituânia foi a primeira a se tornar independente, e o último foi o Cazaquistão. Exposição ricamente ilustrada em Berlim conta a história de altos e baixos do colapso do império soviético.

Apoiador do Partido Comunista da URSS participa de uma manifestação em Moscou, em 1997

Apoiador do Partido Comunista da URSS participa de uma manifestação em Moscou, em 1997

A União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), fundada em 1922, não chegou a completar seu 70º aniversário. O desejo de liberdade e independência era tão grande nos estados bálticos, no Cáucaso e na Ásia Central que, entre março de 1990 e dezembro de 1991, 15 novos países surgiram ou voltaram a existir.

O Muro de Berlim caiu ainda mais cedo, em 9 de novembro de 1989. Quase um ano depois, a Alemanha, que estava dividida entre Leste e Oeste desde o fim da Segunda Guerra Mundial, celebrou sua reunificação graças à revolução pacífica que ocorreu na Alemanha Oriental.

Infografik Karte Zerfall der Sowjetunion PT

O parteiro e coveiro Mikhail Gorbatchov

O movimento de liberdade no centro e no sudeste da Europa fez com que a esfera de influência soviética e partes de seu próprio império desaparecessem do mapa político.

Esse ponto de inflexão foi desencadeado pelo comunista reformista Mikhail Gorbatchov que, como líder do Kremlin desde 1985, deu início a um novo rumo com a Glasnost (transparência) e a Perestroika (reestruturação) – um curso que, ao chegar ao seu final, fez com que a União Soviética se tornasse história. Mas, mesmo 30 anos depois, os vestígios da desintegração daquela que era então a segunda superpotência ao lado dos Estados Unidos são visíveis e palpáveis.

O legado distribuído de forma desigual ainda alimenta esperanças e sonhos, mas também é a causa de desentendimentos e guerras, como na Ucrânia. A exposição fotográfica Postsowjetische Lebenswelten. Gesellschaft und Alltag nach dem Kommunismus (Mundo pós-soviético. Sociedade e cotidiano após o comunismo, em tradução literal), que pode ser vista na praça Steinplatz, em Berlim, desde 15 de setembro, é sobre esses opostos.

O projeto – idealizado pela Fundação Federal para o Estudo da Ditadura Comunista na Alemanha Oriental e o portal online dekoder.org, especializado em Rússia e Belarus – oferece um trabalho educacional e cultural que pode ser encomendado em forma de banners e em várias línguas: além de alemão e russo, inglês, francês e espanhol.

Foco para além da Rússia

Os 120 banners, que são acompanhados por textos curtos e códigos QR que levam a vídeos no YouTube, ilustram todo o espectro da vida cotidiana e da sociedade: edifícios pré-fabricados e cultura pop, religião e culto à personalidade, guerra e crime, pobreza e luxo.

O autor da exposição – e da publicação complementar em inglês-alemão publicada pela Editora Metropol – é o historiador especializado em Leste Europeu Jan Behrends, do Centro Leibniz para Pesquisa Contemporânea (ZZF), de Potsdam, na Alemanha.

"Você tem muitas surpresas quando desvia o olhar da Rússia e de Moscou" para outras regiões, opina.

Ausstellung Postsowjetische Lebenswelten

No Natal de 1991, Gorbachev anunciava o fim da União Soviética

Embora possuam uma experiência pós-comunista comum, o pós-comunismo na Geórgia é, na verdade, muito diferente do da Letônia ou do Turcomenistão, da Rússia ou da Ucrânia. Behrends exemplifica com o desenvolvimento na Transcaucásia, "onde as sociedades estão caindo na guerra e na guerra civil desde 1991". Em outras palavras, desde o momento em que a União Soviética se desintegra.

Prédios pré-fabricados versus luxo

Já a história dos estados bálticos é completamente diferente: uma história de sucesso está sendo escrita com a adesão desses países à União Europeia e à Otan e com o surgimento de democracias estáveis na Estônia, na Letônia e na Lituânia.

"Se você for hoje a Riga, capital da Letônia, a diferença com os países escandinavos do outro lado do Mar Báltico já não é mais tão grande que desperte imediatamente a atenção", diz Behrends.

Ele acha o título de sua exposição bastante ousado, já que não é possível realmente dizer o que é tipicamente pós-soviético. As pessoas costumam ter uma imagem na cabeça: edifícios pré-fabricados de um lado e interesse por marcas ocidentais de luxo, como Versace, do outro.

Mas, se olharmos mais de perto, há grandes diferenças. "E isso deve despertar o interesse em talvez olhar mais de perto cada um desses 15 estados e compará-los com a Alemanha Oriental, a Polônia ou a República Tcheca", afirma. Em outras palavras, países e regiões que tiveram seu próprio passado comunista.

Trinta anos após o fim da União Soviética, Behrends registra um interesse crescente pelo tema, sobretudo por causa da "situação política dramática": o especialista em Leste Europeu se refere ao regime do presidente russo Vladimir Putin, à guerra na Ucrânia e aos protestos pela liberdade em Belarus.

"Todas essas são questões atuais que só podem ser entendidas se as explicarmos historicamente", conta Behrends. E a exposição multimídia Postsowjetische Lebenswelten pretende contribuir com isso.

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