O capitão fluvial Friedrich Stuntz, de Virneburg | Entenda a Alemanha, sua diversidade, estrutura e história | DW | 14.04.2010
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Entenda a Alemanha

O capitão fluvial Friedrich Stuntz, de Virneburg

Não é o dinheiro, mas o trabalho que faz este homem de 68 anos feliz. Friedrich Stuntz ama o que faz. Há 54 anos ele navega por águas fluviais da Alemanha e a aposentadoria não está nos seus planos.

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Nenhum dia é igual ao outro a bordo do navio de Friedrich Stuntz. Às vezes o dia já amanheceu e Friedrich ainda está pilotando seu navio. Outros dias ele está, nessa mesma hora, em casa, dormindo. Estar em casa ou sobre as águas depende da viagem e da quantidade de pessoas que estão a bordo.

Friedrich também é conhecido como Fritz. E um ritual na vida desse homem é o café da manhã, que se repete sempre da mesma maneira há 30 anos.

Sorrindo, Fritz comenta: "Eu como flocos de aveia todas as manhãs, de segunda-feira a sábado. Somente aos domingos eu como um ovo com um pãozinho".

Para beber, Fritz opta por uma ou duas xícaras de chá. O café propriamente dito ele bebe somente algumas horas mais tarde, quando já está sentado em frente ao leme, pilotando o navio.

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Com 68 anos, ainda não pensa em aposentar-se

Aos 68 anos, Fritz já poderia estar aposentado. Mas o capitão autônomo ainda passa dias seguidos a bordo de seu navio. O amor pelas águas é herança dos antepassados, que também pilotaram navios. "A bordo do navio temos liberdade", explica Fritz. Esse é o motivo que o levou a seguir o caminho do pai – trilha que segue há mais de 50 anos.

O painel de controle parece um cockpit

O antigo leme de metal ainda está lá. Mesmo que sirva apenas para relembrar os velhos tempos e já não seja mais ferramenta de uso. Hoje em dia, o capitão Fritz precisa somente de dois dedos para pilotar seu navio.

A mesa de controle do navio mais parece o cockpit de um avião. Tudo é novo: radar, computador, rádio. "Quando eu comecei, tínhamos que fazer tudo sozinhos".

Antigamente aprendia-se a profissão de piloto fluvial na prática. "Quando eu comecei, todos faziam tudo. Até mesmo os chefes tinham experiência de piloto. Hoje vêm esse pessoal da universidade e acha que sabe tudo melhor".

Pilotar o navio, observar as mudanças no tempo e o nível das águas bem como limpar o convés e os porões de carga são algumas das atividades que compõem o cotidiano de Fritz.

Mas a idade cobra seu preço: "Eu não posso mais fazer o tabalho braçal", observa, acrescentando: "Mas, com a equipe que eu tenho aqui, também não preciso mais". Fritz adora a sua tripulação: quatro pessoas, nas quais ele realmente confia.

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Com a profissão, a família e o engajamento político, não sobre muito tempo livre

A concorrência sobre as águas

Fritz é um capitão da velha escola: um dono de navio que pilota a própria embarcação. "É bom ter seu próprio navio, mas é muito capital investido". É somente no final do ano, depois de feita toda a contabilidade, que Fritz sabe quanto lucrou.

Sempre há reparos, aquisições de peças – o navegador precisa economizar dinheiro pois nunca sabe, ao certo, o que ainda pode acontecer até o final do ano.

A concorrência é grande: "O frete não vai para o navio mais bonito ou mais seguro, mas para aquele que oferece o melhor preço". Em tempos de crise econômica, Fritz consegue seguir adiante transportando sucata e cascalho. Mas está satisfeito com a vida que leva.

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Fritz é dono de navio e pilota a própria embarcação

Estresse é palavra desconhecida para Fritz

O tempo passa voando a bordo de um navio se houver conversa e humor. Fritz não conhece o estresse. A receita é simples: "Eu sou uma pessoa muito otimista. O que tiver que ser, será".

Depois de entregar a carga, Fritz troca o leme pelo volante do seu carro. O automóvel vai com ele aonde for: em cima do navio. Um guincho coloca o carro em terra firme, e Fritz pode, finalmente, ir para casa.

O capitão mora em Virneburg, uma pequena comunidade na Renânia-Palatinado. Em casa, a esposa e os quatro netos – herdeiros de Torsten, o único filho – esperam por Fritz. Torsten também é piloto fluvial.

Outro ritual na vida do navegador é a leitura da revista alemã Der Spiegel. Todas as semanas, a revista está à disposição do piloto, em cima da mesinha da sala. Ele se interessa principalmente por política e economia.

"Eu participo do diretório da CDU na minha comunidade. Tento sempre conversar com os políticos e discutir idéias. Não me deixo enrolar", ressalta ele.

O dia-a-dia de Fritz é cheio. Com a profissão, a família e o engajamento político, não sobre muito tempo livre. Mas, para encontrar amigos, um bate-papo com o vizinho e uma partida de baralho, sempre sobre uma data na agenda.

"Grande parte das pessoas só querem conhecer outras pessoas se puderem tirar disso alguma vantagem. Mas conhecer uma pessoa nova sem esperar nada em troca é algo que eu considero muito bonito", diz, convicto.

Autora: Elisabeta Milosevska (br)
Revisão: Alexandre Schossler

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