O Brasil na imprensa alemã (28/10) | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 28.10.2020

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Brasil

O Brasil na imprensa alemã (28/10)

A destruição florestal, os protestos contra o abandono da Cinemateca Brasileira, a desvalorização do real e os 80 anos de Pelé foram assuntos de destaque na mídia do país europeu.

Deutschlandfunk – "Arquivo brasileiro de filmes sob ameaça de fechar" (27/10)

Pouco depois de chegar ao poder, o presidente Bolsonaro declarou guerra à cultura por acreditar que ela havia sido "infiltrada pelos comunistas". Em sua visão de mundo ultraconservadora não cabem nem a esquerda, nem gays, nem direitos das mulheres ou modos de vida alternativos, nem as minorias, nem mesmo a população indígena, ou seja, todos temas de muitas obras de arte.

A ocupação de um cargo serve de exemplo para a política cinematográfica de Bolsonaro. Ele nomeou a atriz de novela Regina Duarte, de 73 anos, que ele tanto admira, para chefiar a Secretaria de Cultura. Passados ​​quase três meses, ele teve de retirá-la de circulação por causa da sua incapacidade e ofereceu-lhe – como compensação, por assim dizer – a gestão da Cinemateca, o que não conseguiu fazer cumprir.

Neste Dia Mundial do Patrimônio Audiovisual, inúmeros cineastas e intelectuais tentam novamente usar a pressão pública para pressionar o governo a encontrar uma solução para o escândalo.

Die Tageszeitung – "Corresponsabilidade pela destruição" (27/10)

Relatório recente mostra como investidores americanos estão invadindo a floresta tropical do Brasil e poluindo o meio ambiente. Os direitos da população estão sendo violados.

(...)

A política ambiental determina cada vez mais a percepção externa da política brasileira. O desmatamento tem aumentado sensivelmente, novos ataques a territórios indígenas são relatados quase todas as semanas, e incêndios devastadores destruíram grandes áreas da Floresta Amazônica e do Pantanal. A culpa também é do presidente Jair Bolsonaro, que sistematicamente enfraquece as organizações de proteção ambiental, afrouxa diretrizes e difama sem cerimônia povos indígenas e ONGs.

Mas o governo está enfrentando cada vez mais ventos contrários – também de grupos de empresários isolados. Na eleição de outubro de 2018, um grande número de empresas, associações empresariais e grupos de interesse do agronegócio apoiaram Bolsonaro. Muitas empresas estrangeiras procuraram proximidade com o ex-capitão. Em meados de junho, sete grandes firmas de investimento europeias anunciaram que retirariam seu capital do Brasil se o governo não controlasse o desmatamento.

Focus – "Real fatal: a moeda mais fraca do mundo vem do Brasil" (28/10)

Nenhuma outra moeda de país industrializado ou emergente se desvalorizou tanto neste ano quanto o real brasileiro. As altas perdas se devem apenas em parte à pandemia de coronavírus.

(…)

A razão mais óbvia para a fraqueza da moeda é a crise de coronavírus. As moedas dos países emergentes sofrem principalmente com a retração da economia global. Isso porque elas são investimentos mais arriscados para investidores em moeda. E eles fogem delas em uma crise como a atual. Em vez disso, os profissionais preferem colocar seu dinheiro em moedas mais seguras, razão pela qual o euro e o dólar, por exemplo, atravessaram até agora de forma lucrativa a crise de coronavírus.

Existem também alguns fatores específicos do Brasil. Devido ao nível anterior das taxas de juros, o real era frequentemente usado como moeda para operações de carry trade. O investidor toma um empréstimo em moeda estrangeira com juros baixos, como o dólar americano, e imediatamente investe o dinheiro em moeda com juros altos -- no caso, o real. Este negócio só é lucrativo quando as taxas de juros e de câmbio pouco flutuam. Devido ao colapso da moeda e ao corte das taxas do Banco Central, o real não é mais atraente para essas operações de carry trade. A falta de investimentos também enfraquece a moeda ainda mais. Só no final de abril, o equivalente a 44 bilhões de dólares havia saído do país.

Até ontem, um total de 5,38 milhões de brasileiros tinham comprovadamente covid-19, e quase 157 mil pessoas já morreram da doença. Isso coloca o Brasil entre os três primeiros países do mundo nas duas estatísticas. A pandemia na Amazônia está tão violenta quanto na Alemanha. Mas uma incidência de 7 dias de 85 por 100 mil habitantes significa no país 30 mil novas infecções e 400 mortes por dia. Os números elevados impactam a economia. De acordo com o FMI, o Produto Interno Bruto deve cair cerca de 6% este ano. Isso seria apenas um pouco acima do nível alemão, mas o Brasil tem muito mais dificuldade para lidar com tal. O FMI prevê um crescimento econômico de apenas 2,8%no próximo ano – diferente da Alemanha, por exemplo, que deve crescer 4,1%.

Berliner Zeitung – "Os 80 anos de Pelé, o jogador que virou símbolo do Brasil" (22/10)

Ele se tornou um símbolo para o Brasil. Como tal, ele quer voltar à Copa do Mundo de 2022. "Sem a pandemia, o plano é ir ao Catar e fazer parte do evento por lá", diz Joe Fraga, empresário do brasileiro, ao jornal Folha de S. Paulo. Franz Beckenbauer já havia homenageado seu ex-colega de time como o "maior jogador de futebol de todos os tempos".

Pelé influenciou uma era. Ele participou de 92 partidas internacionais e conquistou três títulos mundiais. Quando tudo começou nos anos 1950, quase ninguém queria se tornar um jogador de futebol profissional. O salário era muito baixo. No início da década de 1960, após vencer a primeira Copa do Mundo em 1958, ganhava tanto quanto um jovem profissional ganha atualmente em um grande clube.

O esporte se tornou uma máquina de dinheiro. Pelé é um dos que mais se beneficia com isso. Com a mudança para o Cosmos de Nova York no final de sua carreira, ele e Beckenbauer ajudaram o futebol americano a receber uma breve atenção – e ele conseguiu dar o salto para o mundo dos negócios. Pelé usou seu nome com proveito nas décadas seguintes, principalmente como figura publicitária. Na Copa do Mundo de 2014, ele foi um dos dez atletas aposentados mais bem pagos do mundo.

MD/ots

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