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Jair Bolsonaro
Bolsonaro interferiu no sistema de ensino, afirmou a imprensa alemãFoto: AFP/S. Lima

O Brasil na imprensa alemã (22/01)

22 de janeiro de 2020

Governo Jair Bolsonaro continua sendo principal assunto brasileiro na imprensa da Alemanha, que ao longo da semana abordou a demissão de Roberto Alvim, a militarização de escolas e os elogios à ditadura militar.

https://www.dw.com/pt-br/o-brasil-na-imprensa-alem%C3%A3-22-01/a-52107789

Süddeutsche Zeitung – Direita, volver!, 16/01/2020

Bolsonaro está no poder há pouco mais de um ano. Nesse período, o governo não apenas relaxou a legislação de armas e incitou ao ódio contra homossexuais e minorias, mas também interferiu fortemente no sistema de ensino. O governo considera que escolas públicas são um antro de comunistas e marxistas. O Ministério da Educação é liderado por um teórico da conspiração de direita e ex-analista do mercado financeiro. O presidente chama Paulo Freire, um dos pedagogos brasileiros mais influentes no mundo, de idiota.

Recursos para educação são reduzidos, e planos de ensino são alterados. Ao mesmo tempo é incentivado um modelo de escola que, informalmente, é chamada de "escola militarizada", mas que tem o nome oficial de "administração compartilhada": escolas públicas entregam parte de suas competências aos militares. Os professores são responsáveis pelo que acontece na sala de aula, pela aula e pelo plano de ensino. Os militares assumem o resto.

E, assim, um grupo de policiais militares está parado logo atrás da entrada da escola CED07, na Ceilândia, de bloco e lápis na mão. Escolares passam ao lado deles. São meninas sorrindo, garotos com espinhas. De tempos em tempos, um deles é abordado. Por que a camisa não está dentro da calça? Por que a sua calça jeans tem furos? Nome? Turma? Tudo isso dura cerca de 15 minutos. Depois os alunos somem, e a aula começa.

Der Freitag – Ditadura como estímulo, 16/01/2020

Eleonora Menicucci sente medo de novo. "Eu temo uma nova ditadura", diz a antiga combatente da resistência. Ela jamais imaginaria que haveria de novo membros de um governo que falassem com saudade da ditadura militar. No fim de 2019, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que – se houvesse no Brasil protestos como no Chile – ninguém deveria se admirar "se alguém pedir um AI-5". Antes dele, o filho do presidente Eduardo Bolsonaro havia dito que a resposta a uma "radicalização da esquerda" poderia ser um novo AI-5.

Die Tageszeitung – Para os ricos, pobre é tudo igual, 22/01/2020

A ativista sem teto Preta Ferreira é perseguida pelo Estado. Sua detenção é um alerta a todos que lutam por seus direitos na megalópole São Paulo.

Um barulho tirou Preta Ferreira do sono. Quando ela abriu a porta, olhou para o cano de uma pistola. Os policiais não tinham um mandado de busca, mas queriam saber onde estavam as drogas e o dinheiro. Meses depois da prisão, a voz rouca de Ferreira ainda fica embargada quando ela conta o que ocorreu na manhã de junho de 2019, quando a sua vida foi posta de cabeça para baixo.

Em novembro, no centro de São Paulo, Ferreira aparece atrasada para a entrevista na sede do sindicato dos jornalistas. A ativista de 35 anos é vigiada, não pode usar as redes sociais, tem medo de andar sozinha nas ruas. "Sou tratada como uma criminosa perigosa." Como uma ativista pelos direitos dos sem-teto se tornou uma inimiga do Estado?

A história de Ferreira é a mesma de muitas outras pessoas em São Paulo. Uma grande parte da população veio do Nordeste empobrecido. Ferreira também se mudou para a maior cidade do Brasil, quando tinha 15 anos, junto com seus sete irmãos, vindos da Bahia. A mãe dela já estava por lá havia alguns anos, vivendo nas ruas ou em abrigos para sem-teto. No início dos anos 1990, ela conheceu o Movimento dos Sem Teto e logo fundou seu próprio grupo: Movimento Sem Teto do Centro (MSTC).

Spiegel Online – Secretário da Cultura é criticado por citar Goebbels, 17/01/2020

O secretário brasileiro da Cultura chocou com seu discurso: num vídeo, ele usou uma frase que lembra muito um trecho do propagandista nazista Goebbels. Acabou demitido.

O governo de extrema direita de Jair Bolsonaro já estava sendo criticado por causa de um prêmio cultural para promover a religião e o nacionalismo nas artes. Agora o secretário da Cultura, Roberto Alvim, terá de deixar o seu cargo. O motivo: na conta do Twitter do seu ministério, ele publicou o vídeo de um discurso no qual um trecho lembra uma citação do ministro nazista da Propaganda, Joseph Goebbels.

AS/ots

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