O Brasil na imprensa alemã (02/10) | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 02.10.2019
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Brasil

O Brasil na imprensa alemã (02/10)

Entrevista com o ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles; o cotidiano violento no Rio de Janeiro; a política cultural de Bolsonaro e as manchas de petróleo nas praias do Nordeste foram destaque na mídia alemã.

Manifestantes contra política ambiental brasileira em Berlim

Ministro Ricardo Salles foi recebido com protestos em Berlim

FAZ"Brasil faz bom trabalho na luta contra mudanças climáticas" (01/10)

[...]

No Acordo de Paris sobre Mudanças Climáticas, o senhor se comprometeu a acabar com o desmatamento ilegal até 2030. O senhor é capaz de controlá-lo?

Sim, estamos no controle. O problema é que a área é enorme. Essa não é uma tarefa fácil. São 5 milhões de quilômetros quadrados. Esse é o tamanho de 16 países da Europa, incluindo Alemanha, França, Itália e Espanha. Mais de 20 milhões de pessoas vivem lá, duas vezes mais do que em Portugal.

Até agora, a Alemanha já doou 55 milhões de euros para o Fundo Amazônia, que financia projetos contra o desmatamento e o uso destrutivo de florestas. Em Brasília, a conversa agora é que se podem dispensar os subsídios alemães. Por quê?

Não, o oposto é o caso.

Sério? O presidente Bolsonaro disse que a Alemanha deve usar o dinheiro para reflorestar suas próprias matas.

Não, não vamos misturar política com questões técnicas. Essa foi uma resposta a uma declaração da Europa.

[...]

O senhor está agora viajando pela Europa para explicar a posição brasileira e afastar o perigo de países europeus se recusarem a ratificar o acordo comercial entre a União Europa e a zona de livre-comércio Mercosul, que inclui o Brasil. O senhor receia que o acordo possa fracassar?

Primeiro, há um grande interesse em aumentar o comércio, de ambos os lados. O Brasil é o quinto maior país do mundo em termos de população, e seu poder econômico o coloca na oitava ou nona posição. Isso proporciona grandes oportunidades econômicas. Em segundo lugar, são precisamente esses benefícios econômicos e oportunidades de desenvolvimento que seriam de grande ajuda para a Floresta Amazônica e, em geral, para a proteção ambiental no Brasil.

Os maiores perigos que ameaçam a preservação da natureza no Brasil estão ligados à pobreza e à falta de desenvolvimento econômico. Talvez para nós o subdesenvolvimento seja a maior ameaça ao meio ambiente. Portanto, renunciar ao acordo comercial e deixar de fora as oportunidades de investimento teria, em minha opinião, exatamente o efeito oposto ao que os críticos têm agora em mente.

Süddeutsche ZeitungO triste cotidiano da violência (02/10)

Wilson Witzel é um homem que adora palavras claras e atos marciais. Desde janeiro deste ano, ele é governador do estado do Rio de Janeiro, onde há um "genocídio" e um "massacre" em andamento, como ele afirmou no domingo. Essa afirmação não está totalmente errada. Mesmo que a taxa de homicídios no Brasil venha caindo pela primeira vez em anos, a situação de segurança ainda é catastrófica, especialmente nas favelas.

Quase diariamente há tiroteios nas ruelas sinuosas das favelas, e com frequência cidadãos não envolvidos são mortos, em geral pobres e negros. Para muitos, a violência é um triste cotidiano, mas a morte de uma menininha há quase duas semanas desencadeou brados de indignação e protestos.

Pois a bala que matou Ágatha, de oito anos, não partiu da arma de um bandido, mas provavelmente de um policial. E agora há uma amarga discussão sobre quem é o culpado pela morte da menina: as quadrilhas de traficantes com armas e negócios sujos – ou o governador Wilson Witzel e sua política de tolerância zero?

[...]

De fato, os números dão, a princípio, razão ao governador: a taxa de homicídios no Rio está caindo. Ao mesmo tempo, a violência policial continua a aumentar. Somente em julho, policiais mataram 194 pessoas, e nos primeiros sete meses deste ano um terço das vítimas se deveu à polícia, a mais alta proporção em mais de duas décadas.

Após a morte de Ágatha, circularam na internet fotos mostrando Witzel com as mãos ensanguentadas. No Twitter, ele se tornou a pessoa mais comentada, sempre sob a etiqueta #ACulpaÉDoWitzel. No entanto, até agora, o governador do Rio não se mostrou impressionado com as críticas, afirmando que é inevitável haver vítimas em sua guerra e, no fim das contas, a violência é sempre culpa das quadrilhas de traficantes.

Eles seriam os responsáveis pelos massacres e "genocídios" que ocorrem nas favelas. "Nossa missão é resgatar o estado do Rio das mãos do crime organizado", afirma Witzel. Se ele conseguir, quer competir nas próximas eleições como sucessor de Bolsonaro. Suas chances não são más, acreditam os observadores.

DeutschlandfunkDo jeito que ele gosta (29/09)

"O Brasil de Bolsonaro" é o título da edição de setembro do Cahiers du Cinéma. A influente revista está preocupada com o cinema brasileiro – e este também consigo próprio, porque o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro declarou guerra ao dinâmico setor cinematográfico. No próximo ano, a Agência Nacional de Cinema (Ancine) deverá obter quase 43% menos verba para financiar produções de cinema e TV – é o que prevê um projeto de lei do governo.

Segundo as ideias de Bolsonaro, deverão receber financiamento estatal apenas os filmes que sejam compatíveis com sua moral conservadora e de fundo religioso. Bolsonaro exigiu um "filtro" ideológico para a alocação de recursos e deseja para a Ancine um diretor com – citação literal – "perfil evangélico".

Cláudia Laitano, jornalista cultural do diário Zero Hora, escreve: "O movimento político da ultradireita reconheceu que pode marcar pontos em sua base com controvérsias sobre a cultura. E agora vemos isso no presidente Bolsonaro. Desde que ele assumiu o cargo, vem atacando a cultura, porque sabe que pode usá-la para mobilizar seus seguidores."

BildMegaderramamento de óleo no Brasil (27/09)

Nas últimas semanas, grandes incêndios vêm atingindo o Noroeste do país e destruindo irreparavelmente a Floresta Amazônica. Agora, o Brasil procura febrilmente a causa de outra gigantesca catástrofe ecológica: manchas de óleo e até tambores de petróleo vazando estão sendo levados para a costa no Nordeste.

Mais de 1.500 quilômetros de costa em oito estados brasileiros estão afetados. Como relatado pela emissora BBC, entre outras, o petróleo foi descoberto inicialmente em 2 de setembro.

Os especialistas ainda estão se perguntando de onde o petróleo realmente vem. Segundo uma análise da mancha, a agência ambiental Ibama afirmou que o petróleo não é, de forma alguma, de produção brasileira. A Petrobras confirmou essa constatação, mas certo é que o petróleo vem de uma única e mesma fonte.

[...]

As autoridades agora suspeitam que a causa do desastre ambiental tenha sido um petroleiro que transportava petróleo ao largo da costa. Dois barris de petróleo encontrados em duas praias do estado de Sergipe corroboram essa teoria.

A porta-voz do Ibama Fernanda Pirillo disse à agência de notícias Agência Brasil: "Nunca houve um acidente como esse no Brasil. É a primeira vez que tivemos um acidente inexplicável envolvendo tantos estados."

Ambientalistas do WWF criticaram, entre outras coisas, o sistema de monitoramento falho do Brasil. De acordo com os ativistas, devido à falta de recursos, não é possível investigar de forma razoável esse incidente.

Responsável é também o novo presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (64 anos, desde janeiro no cargo): ele está em pé de guerra com organizações não governamentais e ativistas e, entre outras coisas, cortou rigorosamente o orçamento da agência ambiental Ibama.

CA/ots

______________

A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas. Siga-nos no Facebook | Twitter | YouTube
App | Instagram | Newsletter

Leia mais