O alemão e a limpeza | Descubra os clichês e as curiosidades sobre os alemães | DW | 16.05.2016
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Alemanha, modo de usar

O alemão e a limpeza

Dizem que na Alemanha tudo é limpo. Mas nisso os suíços são bem melhores e os asiáticos já nos ultrapassaram de longe. Ainda assim, Peter Zudeick dedica esta coluna à obsessão alemã pela higiene.

Agora ficou difícil. Limpeza, a rigor, é coisa de suíço. A Suíça é tão limpa, que daria até para comer diretamente do chão na rua. Eles escovam as árvores regularmente, dão brilho nas montanhas e esfregam as fachadas das casas. O que é que os alemães têm para contrapor? Bem, digamos assim: os suíços em si são uma versão um tanto exagerada dos alemães. A existência deles não rouba o nosso mérito em questões de limpeza.

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Na Suíça: brancura de neve

Johann Wolfgang von Goethe é minha testemunha: "Se todo mundo varrer diante da própria porta, logo o bairro inteiro estará limpo".

Assim escreveu o "príncipe dos poetas", e desse modo não só cunhou uma frase popular, mas expressou uma verdade essencial sobre a identidade alemã. Além da interpretação literal, a frase pode ser entendida como: cuide da sua própria porcaria e não se meta na vida alheia.

Mas o ato de varrer faz parte da essência do alemão. "Quando o artesão arruma sua oficina, quando a dona de casa deixa o lar limpo e brilhante, e até varre a rua diante da casa, uma profunda e serena sensação de desencargo invade o ser humano". Essas são palavras do filósofo e pedagogo alemão Otto Friedrich Bollnow.

Semana da limpeza – e do controle

A limpeza é tão enraizada que, em algumas regiões especialmente limpas da Alemanha, como a Suábia, existe a "semana da limpeza". Trata-se de uma verdadeira instituição.

Uma tabuleta com a palavra "Kehrwoche" é pendurada na porta do morador, indicando ser ele naquela semana o encarregado de limpar áreas de uso comum do prédio, como o corredor e as escadas. A limpeza do porão e da calçada também são organizadas. Todos sabem quando é a vez de quem, e o eleito pode contar com a amigável supervisão dos vizinhos.

Mas não só a casa, o pátio, a rua e a calçada que têm que estar limpos. Acima de tudo, é preciso cuidar das roupas. Diz o dito popular que "roupa limpa e respeito enfeitam sempre o bom sujeito". Em criança, aprendi a seguinte regra para a roupa íntima: "limpa e inteira". A camiseta de baixo podia ter remendos, ou as meias estarem cerzidas, mas tudo tinha de estar impecavelmente limpo. Imagine acontecer um acidente e a pessoa acabar no hospital. Que vergonha, cair na mesa de operação com a roupa de baixo suja. Nem pensar.

No Trousers Day 2013 Ohne-Hose-Tag 2013 London U-Bahn

Imagine ser apanhado com a roupa de baixo suja?

Disciplina higiênica

O alemão aprecia o estado puro das coisas. O preceito de pureza para a cerveja é uma tradição alemã. Mas também gostamos de limpeza no sentido figurado, e muito: "Coração limpo e coragem pura ficam bem em qualquer traje". Palavras de um homem devoto do século 13 chamado Freidank.

E quando tudo tem que estar muito limpo e puro mesmo, o alemão usa ainda a palavra Reinlichkeit – "asseio". Asseado é aquele que é especialmente obcecado com a limpeza. Desta forma, para treinar as crianças a largarem as fraldas e usarem o troninho adequadamente, inventou-se a "educação higiênica", a Reinlichkeitserziehung.

Nesse campo, porém, somos forçados a admitir que os coreanos e outros asiáticos estão muito mais à frente. Que adoráveis as fotos de bebês em fila na creche, cada um no seu peniquinho, sentadinhos até intestino e bexiga terem cumprido sua obrigação! Isso, nós nunca vamos conseguir imitar. Uma pena, na verdade.

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