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Imagem feita em computador de como seria o dinossauro. Ele tem uma longa cauda, cabeça pequena, e caminha sobre as patas traseiras. As patas dianteiras são bem pequenas, semelhantes a de um tiranossauro.
Animal era carnívoro, bípede e vivia em um ambiente desérticoFoto: Rodolfo Nogueira

Nova espécie de dinossauro é descoberta no Brasil

27 de junho de 2019

Fóssil de 90 milhões de anos foi encontrado no Paraná. Segundo pesquisadores, animal tinha cerca de 1,6 metro de comprimento e 80 centímetros de altura e era da mesma linhagem do tiranossauro.

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Uma nova espécie de dinossauro foi descoberta no Brasil, a primeira do Paraná. Trata-se do Vespersaurus paranaensis, que viveu no período Cretáceo, há cerca de 90 milhões de anos, e é da mesma linhagem do tiranossauro e do valociraptor.

O fóssil foi encontrado no município de Cruzeiro do Oeste e estudado por paleontólogos da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Maringá (UEM), do Museu Argentino de Ciências Naturais e do Museu de Paleontologia de Cruzeiro do Oeste.

O estudo foi apresentado nesta quarta-feira (26/06) em Maringá e publicado no periódico Scientific Reports, do grupo Nature. Com 1,6 metro de comprimento, 80 centímetros de altura, cerca de 15 quilos e braços com menos da metade do tamanho das pernas, esse dinossauro carnívoro e bípede vivia em um ambiente desértico – hoje, o Paraná.

Dentre os terópodes, o Vespersaurus paranaensis pertence ao subgrupo Noasaurinae, que inclui dinossauros de pequeno porte até então conhecidos apenas na Argentina e em Madagascar, com possíveis registros também na Índia – o que indicaria que essas terras estiveram unidas durante o período Cretáceo. 

O nome da nova espécie vem de "vesper", (oeste ou entardecer em latim), em referência ao nome da cidade onde foi feita a descoberta, e ganhou o "paranaensis” por ser o primeiro dinossauro do estado do Paraná. 

Segundo informações do Museu de Paleontologia de Cruzeiro do Oeste citadas pela UEM, esta "é a 8ª espécie de dinossauro descrita a partir de material brasileiro que pode ser seguramente atribuída aos terópodes". O exemplar corresponde ao terópode preservado de forma mais completa do país, com quase metade do esqueleto conhecido.

Imagem de como seria a pata do dinossauro, com o dedo do meio maior e encontrando no chão. Os três dedos têm garras.
Dedos do meio das patas traseiras eram usados para apoio, e os outros dois, para caça Foto: Rodolfo Nogueira

Um dos autores do estudo, o geólogo Paulo César Manzig, do Museu de Paleontologia de Cruzeiro do Oeste, explica que a descoberta do novo dinossauro elucida um mistério envolvendo pegadas encontradas na cidade na década de 1970. A constatação foi possível com o auxílio de tomografia e reconstituição digital.

"É incrível que, quase 50 anos depois, parece que descobrimos qual tipo de dinossauro teria produzido aquelas enigmáticas pegadas", comentou Manzig ao Jornal da USP.

O autor principal do artigo, Max Cardoso Langer, doutor em Ciências e professor vinculado à USP de Ribeirão Preto (SP), destaca que a pata traseira do animal tinha o formato de lâmina, o que facilitava a captura de presas, que poderiam incluir os lagartos e pterossauros, que também habitavam a região. 

Dois dedos laterais curtos serviam como arma, enquanto o terceiro dedo, do meio e mais longo, servia de apoio. Seu peso era praticamente todo suportado por esse único dedo central, o que significa que ele era funcionalmente monodáctilo (de um único dedo), semelhante ao que ocorre com os cavalos atuais. "O dinossauro tinha um esqueleto leve, semelhante ao que as aves têm", diz Langer.

Vespersaurus paranaensis não foi a primeira espécie da "era dos dinossauros” encontrada no noroeste do Paraná. Também em Cruzeiro do Oeste foram descobertos o lagarto Gueragama sulamericana e inúmeros indivíduos do pterossauro Caiuajara dobruskii.

Para Neurides Martins, diretora do Museu de Paleontologia da cidade, o achado deve catapultar as pesquisas paleontológicas na região. "É uma área riquíssima, mas ainda pouco explorada, que seguramente irá aportar grandes novidades ao mundo da paleontologia", disse ao Jornal da USP.

le/ots

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