Nacionalismo e Catalunha dominam eleição espanhola | Notícias internacionais e análises | DW | 23.04.2019
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Europa

Nacionalismo e Catalunha dominam eleição espanhola

As eleições parlamentares são consideradas as mais conturbadas da Espanha desde o retorno da democracia. O embate político tem como cerne questões emocionais e de identidade, como a independência catalã.

Spanien, Madrid: Debatte vor den Parlamentswahlen (picture-alliance/AA/B. Akbulut)

Candidatos da esq. à dir.: Pablo Casado (PP), Pedro Sánchez (PSOE), Albert Rivera (Cidadãos) e Pablo Iglesias (Podemos)

Os principais candidatos às eleições gerais da Espanha realizaram um intenso debate televisivo na segunda-feira (22/04) e entraram em confronto sobre como lidar com a questão da independência da Catalunha. O primeiro debate foi dominado pela guinada nacionalista na Europa, acusações mútuas e deixou em aberto os questionamentos sobre quais acordos de coalizão poderão ser selados.

A eleição parlamentar da Espanha marcada para 28 de abril é considerada uma das mais polêmicas do país desde seu retorno à democracia no final da década de 1970 – e também uma das mais incertas. O embate político tem como cerne questões emocionais e de identidade, como a tentativa fracassada de independência da Catalunha, em detrimento de temas sobre economia, por exemplo.

O debate contou com a participação do atual presidente do governo (premiê) da Espanha, Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE); de Pablo Casado, candidato do conservador Partido Popular (PP); de Pablo Iglesias, líder da esquerda radical do Podemos; e de Albert Rivera, líder dos liberais do partido Cidadãos. 

Nenhum dos quatro candidatos emergiu como um claro vencedor do debate, no qual todos, exceto o candidato antiausteridade do Podemos, pareciam bastante tensos. Os políticos trocaram farpas e se acusaram mutuamente de mentir, de estar fora de contato com a realidade e de não fazer o suficiente para lidar com casos de corrupção dentro de seus respectivos partidos.

Sánchez e Iglesias confirmaram sua disposição em formar um governo de esquerda, no caso de conseguirem obter uma maioria suficiente. Do outro lado, Casado e Rivera também se mostraram dispostos a unir forças num eventual acordo pós-eleitoral.

Casado e Rivera acusaram repetidamente Sánchez de trabalhar contra o interesse do país. "A unidade da Espanha está em risco por causa do governo socialista de Pedro Sánchez. Aqueles que querem romper a Espanha têm Sánchez como seu candidato favorito", disse o conservador Casado.

"Queremos que o futuro da Espanha permaneça nas mãos daqueles que querem liquidar a Espanha?", indagou Rivera. O centrista também seguidamente apontou para uma foto que mostra Sánchez num encontro com o líder separatista catalão Quim Torra – a foto estava no pódio de Rivera durante todo o debate.

A questão independentista catalã ocupou uma parte importante das discussões. Sánchez e Iglesias defenderam a atual política de diálogo, enquanto Casado e Rivera asseguraram que, caso ganhem as eleições, o governo central voltará a intervir na Catalunha, que segue liderada por independentistas.

Os candidatos do PP e do Cidadãos exigiram que Sánchez esclareça, de uma vez por todas, se pensa atribuir um indulto aos dirigentes independentistas, no caso de estes serem condenados pelo seu envolvimento na tentativa fracassada de separação de 2016. Sánchez respondeu que a divisão de poderes deve ser respeitada e que se deve deixar o Supremo Tribunal julgar os separatistas.

O referendo de independência de outubro de 2017 na Catalunha – declarado ilegal pelos tribunais espanhóis, mas que chegou a levar a uma breve declaração de independência – causou uma confusão na política espanhola. 

Sánchez, que se tornou primeiro-ministro da Espanha em junho do ano passado e tem se mostrado mais aberto ao diálogo com os separatistas catalães do que seu antecessor, o conservador Mariano Rajoy, respondeu com a argumentação de ser a favor do diálogo, mas que se opõe à independência da região autônoma localizada no nordeste do país.

Pesquisas divulgadas na segunda-feira – antes do debate – por diversos veículos de imprensa da Espanha apontam uma vitória do PSOE, que teria entre 28% e 31,5% dos votos. O percentual daria aos socialistas entre 115 a 139 deputados no Parlamento – de um total de 350. Embora, se confirmado, o resultado represente um crescimento em relação aos atuais 85 deputados, Sánchez só formaria governo se obtivesse apoio de outras legendas.

Assim como os socialistas, há outros quatros partidos que podem ter mais do que 10% da preferência dos espanhóis e vão ser decisivos nas negociações de coligações: PP (17,8-23,8%), Cidadãos (13,8-15,8%), Podemos (12,9-13,7%) e Vox (extrema direita, 7,7-12,5%).

Mas o número de eleitores indecisos é tão alto que todos os resultados possíveis estão dentro da margem de erro e ainda podem mudar até o domingo, segundo pesquisadores – muito também por ser difícil prever quantos assentos devem ficar com o partido Vox, da extrema direita.

Ao que tudo indica, o Vox deve ser o primeiro partido de extrema direita a conseguir assentos no Parlamento espanhol em quase quatro décadas – um divisor de águas na era democrática da Espanha.

O líder do Vox, Santiago Abascal, foi impedido pela Junta Eleitoral Central espanhola de participar dos dois debates previstos, porque a legenda nacionalista não tem atualmente assento no Parlamento. Nas últimas eleições gerais, em 2016, o PP obteve 33,0% dos votos, o PSOE 22,7%, o Podemos 21,1 %, o Cidadãos 13,1% e o Vox 0,2%.

A lei eleitoral da Espanha proíbe a divulgação de pesquisas cinco dias antes do pleito. A proibição impedirá avaliar o impacto do debate nos cerca de oito milhões de eleitores que seguem indecisos. O segundo debate eleitoral será realizado nesta terça-feira.

O presidente do governo espanhol convocou eleições legislativas antecipadas para 28 de abril, as terceiras em menos de quatro anos, depois de o Parlamento da Espanha ter rejeitado em 13 de fevereiro seu projeto para o Orçamento para 2019. A derrota do governo ocorreu principalmente devido à falta de apoio dos partidos independentistas catalães – os mesmos que ajudaram o PSOE a chegar ao poder em junho do ano passado.

PV/efe/lusa/rtr

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