Na ONU, Bolsonaro diz ser vítima de campanha de desinformação | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 22.09.2020

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Brasil

Na ONU, Bolsonaro diz ser vítima de campanha de desinformação

Presidente defende política ambiental do governo e afirma que Amazônia e Pantanal sofrem campanha de desinformação internacional. Ele também elogia sua gestão da epidemia de covid-19, que já matou 137 mil.

Jair Bolsonaro discursa na ONU

Sobre a pandemia, Bolsonaro disse que implementou várias medidas econômicas que "evitaram o mal maior"

No discurso de abertura da 75ª sessão da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira (22/09) que o Brasil é vítima de uma campanha de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal e defendeu sua gestão da pandemia do novo coronavírus.

Ele também usou o discurso para atacar a imprensa, apelou ao combate à "cristofobia" e elogiou o presidente americano, Donald Trump, na mediação de conflitos no Oriente Médio. Em razão da pandemia de covid-19, a assembleia deste ano ocorre de forma virtual. O Brasil, como é tradicional, abriu as intervenções de líderes.

Bolsonaro começou o discurso afirmando que o "mundo necessita da verdade para superar seus desafios" e lamentou as mortes em decorrência da covid-19. Ele disse que "parcela da imprensa brasileira também politizou o vírus, disseminando o pânico entre a população". Para Bolsonaro, "sob o lema fique em casa e a economia a gente vê depois" a imprensa quase trouxe "o caos social ao país".

Ele acrescentou que o governo dele "de forma arrojada, implementou várias medidas econômicas que evitaram o mal maior". Bolsonaro afirmou que, desde o início da pandemia, o Brasil tinha "dois problemas a resolver, o vírus e o desemprego, e ambos deveriam ser tratados simultaneamente e com a mesma responsabilidade".

Assistir ao vídeo 01:21

Três declarações de Bolsonaro na ONU

Ao longo do ano, Bolsonaro reiteradamente minimizou a gravidade da pandemia de covid-19, doença que chamou de gripezinha. Ele se mostrou contra as medidas de isolamento social e participou de eventos públicos nos quais abraçou e cumprimentou apoiadores. Dois ministros da Saúde deixaram o governo por causa de divergências com o presidente.

Bolsonaro, porém, destacou que "estimulou, ouvindo profissionais de saúde, o tratamento precoce da doença, destinou 400 milhões de dólares para pesquisa, desenvolvimento e produção da vacina de Oxford no Brasil" e frisou que "não faltaram, nos hospitais, os meios para atender os pacientes de covid-19".

As declarações do presidente contrariam dados do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais da Saúde. O Brasil registrou 4,6 milhões de casos do novo coronavírus, com mais de 137 mil mortes confirmadas pelas autoridades brasileiras. O número de mortos é inferior apenas ao dos Estados Unidos.

Meio ambiente

O presidente também usou parte do seu discurso para se defender das críticas à sua política ambiental. O governo dele vem sendo criticado por outros países e por organizações não governamentais devido à alta do desmatamento e das queimadas na Amazônia e no Pantanal.

O desmatamento na Amazônia brasileira chegou a 1.359 km2 em agosto e foi o segundo maior registrado para o mês nos últimos cinco anos, segundo dados do Inpe. Entre agosto de 2019 e julho de 2020, 9.216 km2 foram desmatados na região, uma área quase duas vezes maior do que a do Distrito Federal. Esse foi o maior valor dos últimos cinco anos. Houve um aumento de 35% na destruição da floresta em relação ao registrado entre agosto de 2018 e julho de 2019, quando 6.844 km2 foram desmatados.

No Pantanal, mais de 16 mil focos de incêndios foram detectados pelos bombeiros de janeiro a setembro deste ano, mais do que o triplo do mesmo período do ano passado, também segundo dados do Inpe.

Bolsonaro afirmou que o agronegócio brasileiro segue "pujante" e que o Brasil tem e respeita "a melhor legislação ambiental do planeta". "Mesmo assim, somos vítimas de uma das mais brutais campanhas de desinformação sobre a Amazônia e o Pantanal. A Amazônia brasileira é sabidamente riquíssima. Isso explica o apoio de instituições internacionais a essa campanha escorada em interesses escusos, que se unem a associações brasileiras, aproveitadoras e impatrióticas, com o objetivo de prejudicar o governo e o próprio Brasil", afirmou, sem nomear qualquer instituição ou associação.

Bolsonaro culpou os indígenas e caboclos por incêndios na Amazônia e, sem citar estudos científicos ou especialistas, questionou que haja queimadas de grande porte. "Nossa floresta é úmida e não permite a propagação do fogo em seu interior. Os incêndios ocorrem sempre nos mesmos lugares, no entorno leste da floresta, onde o cabloco e o índio queimam o roçado para sua sobrevivência, em áreas já desmatadas." O presidente também afirmou que, em seu governo, "os focos criminosos são combatidos com rigor e determinação".

Bolsonaro afirmou que o Brasil é líder na conservação de florestas tropicais e tem "a matriz energética mais limpa e diversificada do mundo". Ele pontuou que o país preserva 66% da sua vegetação nativa e que, apesar de ser uma das dez maiores economias do mundo, é responsável por apenas 3% das emissões mundiais de carbono.

LE/lusa/ots

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