Na Europa, pecuária é pior para o clima do que automóveis | Meio Ambiente | DW | 22.09.2020

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Meio ambiente

Na Europa, pecuária é pior para o clima do que automóveis

Análise do Greenpeace afirma que criação de gado, suínos e outros animais emite mais gases de efeito estufa do que carros e vans juntos na União Europeia. Pecuária responde por 17% do total de emissões no bloco.

Vacas, porcos, aves e outros animais criados para consumo humano emitem mais gases de efeito estufa na Europa do que todos os carros e caminhonetes juntos, segundo revelou um relatório publicado pela organização ambientalista Greenpeace nesta terça-feira (22/09).

A análise levou em conta dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) referentes a 2018, o ano mais recente disponível.

Segundo esses dados, a pecuária por si só emitiu o equivalente a 502 milhões de toneladas de CO2 na União Europeia (UE) em 2018, principalmente por meio do metano liberado pelos animais.

Mas, se forem consideradas as emissões indiretas de gases de efeito estufa – provenientes da produção de ração animal e do desmatamento, por exemplo –, a emissão anual atribuída à pecuária europeia é elevada a 704 milhões de toneladas de dióxido de carbono.

Em comparação, carros e vans emitiram, ao todo, 656 milhões de CO2 nos países-membros do bloco europeu no mesmo ano.

Esses 704 milhões de toneladas de CO2 emitidos pela pecuária equivalem a 17% do total de emissões na União Europeia em 2018, segundo dados da Agência Europeia do Ambiente (EEA).

A análise do Greenpeace também observou que as emissões anuais provenientes da pecuária cresceram 6% entre 2007 e 2018 no continente. O aumento, equivalente a 39 milhões de toneladas de CO2, seria como adicionar 8,4 milhões de veículos às estradas europeias.

Esse crescimento nas emissões ao longo da última década foi resultado de uma alta de 9,5% na produção de carne e laticínios entre 2007 e 2018 na Europa.

Se a tendência continuar, a UE deverá ter poucas chances de cumprir seus compromissos de reduzir as emissões de gases de efeito estufa traçados no Acordo de Paris sobre o clima.

Na semana passada, a União Europeia endureceu suas metas de redução de emissões, anunciando um novo objetivo de corte de 55% até 2030 em relação aos níveis de 1990, como parte do chamado Acordo Verde (Green Deal) europeu, que prevê a neutralidade nas emissões de carbono no bloco. A meta anterior era de 40%.

"Os líderes europeus têm evitado lidar com o impacto da pecuária no clima há muito tempo. A ciência é clara, os números também: não podemos evitar o pior do colapso climático se os políticos continuarem defendendo a produção industrial de carnes e laticínios", afirmou Marco Contiero, diretor de política agrícola do Greenpeace na UE.

"Animais em criadouros não vão parar de soltar gases e arrotar – a única forma de reduzir as emissões aos níveis necessários é diminuindo o número deles", completou.

Em seu relatório, o Greenpeace estima o impacto climático de possíveis reduções futuras na pecuária europeia. Segundo a ONG, um corte de 50% na criação de animais economizaria 250 milhões de toneladas de CO2 – o equivalente às emissões combinadas, em todos os setores, dos 11 países da UE com as menores taxas de emissões.

Influência em pandemias

Reduzir e otimizar a pecuária é crucial na luta contra a degradação do meio ambiente, mas também é essencial para prevenir novas pandemias, alertou o Greenpeace na análise.

"Muitas pandemias começaram com micróbios transmitidos de animais em criadouros para humanos. A criação industrial de animais tem um papel bem reconhecido no surgimento e disseminação de infecções virais semelhantes ao vírus da covid-19", diz o relatório.

Segundo a ONG, estima-se que 73% de todas as doenças infecciosas emergentes (cuja incidência aumentou nos últimos anos e pode crescer num futuro próximo) foram originadas em animais. Espécies de gado, por exemplo, transmitem um "número extraordinário" de vírus a humanos, como coronavírus e vírus influenza, afirma a organização.

A pecuária também está relacionada ao surgimento de novos vírus à medida que florestas ou outros ecossistemas são destruídos para dar lugar a pastagens ou à produção de ração animal, forçando animais selvagens – e as doenças que eles carregam – para o contato com humanos e animais domésticos.

"A expansão agrícola é responsável por 80% de toda a destruição florestal do mundo, com soja para ração animal e carne bovina sendo duas das principais causas", disse o Greenpeace.

EK/ots

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