Mundo ultrapassa marca de 1 milhão de mortes por covid-19 | Notícias internacionais e análises | DW | 29.09.2020

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Coronavírus

Mundo ultrapassa marca de 1 milhão de mortes por covid-19

EUA e Brasil concentram 35% das mortes oficialmente identificadas no mundo, apesar de representarem apenas 7% da população global. Secretário-geral da ONU pede mais "liderança responsável" e diz que "desinformação mata".

Enterro de vítima do coronavírus em Gana, na África

Enterro de vítima do coronavírus em Gana, na África. Número de mortes no mundo dobrou em três meses

O mundo superou oficialmente na madrugada desta terça-feira (29/09) a marca de um milhão de mortes por covid-19 desde que o novo coronavírus foi detectado na China, em dezembro passado. Mais cedo, o planeta ultrapassou a marca oficial de 33 milhões de casos de covid-19, segundo dados da universidade americana Johns Hopkins,

Nos quase nove meses desde que a primeira morte pela doença foi oficialmente declarada na China, em 11 de janeiro, a crise provocou uma acentuada crise econômica pelo mundo, instabilidade política, a imposição de medidas de distanciamento social e uma corrida pelo desenvolvimento de uma vacina eficaz. Nas últimas semanas, países europeus que haviam sido duramente afetados pela doença entre março e abril, vêm observando um novo aumento acentuado de casos.

O número de mortos no mundo dobrou nos últimos três meses. Em 28 de junho, eram 500 mil mortos. Em 10 de abril, 100 mil.

Já a cifra de infecções declaradas em nível global triplicou desde o fim de junho, quando o planeta contava com 10 milhões de casos.

Os Estados Unidos continuam a ser o país mais afetado pela pandemia, tanto em número de mortos (205.085) quanto de casos (7.149.073). Em seguida aparece a Índia, com cerca de 6,1 milhões de casos. O país asiático, no entanto, aparece em terceiro em número de mortes, atrás do Brasil. Contabiliza pouco mais de 96 mil mortes, contra 142.058 do país sul-americano.

O Brasil, por sua vez, terceiro em número oficial de casos, diagnosticou a doença em 4,7 milhões de pessoas, mas especialistas alertam que a cifra no país é seguramente bem mais alta, por causa da falta de testes em larga escala.

Ao longo da pandemia, o Brasil adotou uma estratégia muita vezes errática para combater a pandemia, com o governo do presidente Jair Bolsonaro deliberadamente desestimulando medidas de distanciamento social e apostando em soluções sem base científica, como a promoção da hidorxocloriquina, e espalhando desinformação sobre o vírus. A política levou o país à sexta posição no ranking mundial de mortes por 100 mil habitantes, ou quarta, se forem desconsiderados países nanicos como San Marino e Andorra.

Juntos, EUA e Brasil respondem por 35% do total de mortes pela doença no mundo que foram oficialmente identificadas. Para efeito de comparação, os dois países somadas representam apenas 7% da população do planeta.

Assim como o Brasil, a liderança americana também adotou uma abordagem que minimizou os efeitos do coronavírus, estimulando que as pessoas voltassem ao trabalho mesmo quando as mortes estavam em crescimento acelerado.

Após a divulgação do registro de 1 milhão de mortes, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, lamentou o que classificou como "marca agonizante" no número de mortos provocados pela covid-19 e exortou a sociedade a aprender com os erros para superar a pandemia. 

 "O mundo deve lamentar hoje um número terrível: a perda de um milhão de vidas como resultado da pandemia da covid-19", disse Guterres numa mensagem vídeo. 

"Eram pais e mães, mulheres e maridos, irmãos e irmãs, amigos e colegas", disse o secretário-geral.

Guterres também disse que embora o fim da pandemia ainda não esteja à vista, o mundo pode "superar este desafio", mas que para que isso aconteça as pessoas devem "aprender com os erros". 

"A liderança responsável é essencial. A ciência é importante. A cooperação é importante. A desinformação mata", advertiu.  "Embora nos lembremos de tantas vidas perdidas, nunca esqueçamos que o nosso futuro depende da solidariedade: como povo unido e como nações unidas", concluiu.

JPS/lusa/ots

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