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Foto mostra muitas pessoas e uma avenida. Há uma bandeira gigante nas cores verde e amarelo. Há várias faixas.
Em Brasília, manifestantes se reuniram na manhã deste sábadoFoto: Adriano Machado/REUTERS

Movimentos opositores voltam às ruas contra Bolsonaro

19 de junho de 2021

Protestos ocorrem em dezenas de cidades do Brasil e do exterior. Manifestantes denunciam a gestão catastrófica da pandemia pelo governo e tentam reavivar a pauta do impeachment.

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Movimentos de oposição ao presidente Jair Bolsonaro voltaram às ruas neste sábado (19/06), em manifestações que denunciam a gestão catastrófica da pandemia pelo governo e tentam reavivar a pauta do impeachment.

Protestos foram convocados em mais de 400 cidades no Brasil e no exterior. É a segunda vez que a oposição vai às ruas após mais de um ano de "trégua" forçada devido à pandemia. Na primeira, em 29 de maio, o comparecimento surpreendeu os próprios organizadores.

As manifestações se espalharam ao longo do sábado, com atos já pela manhã em cidades como o Rio de Janeiro e Brasília. No final da tarde, teve início o ato na Avenida Paulista, em São Paulo, que se tornou o grande termômetro de protestos de massa no Brasil.

Os atos ocorrem de forma pacífica e a grande maioria dos manifestastantes compareceu usando máscara de proteção. 

Houve protestos também em várias capitais europeias. Em Berlim, cerca de 50 pessoas se reuniram diante do Portão de Brandemburgo com cartazes pedindo o impeachment de Bolsonaro, entre outras demandas. Cruzes no chão lembraram as mortes por covid no Brasil.

Protestos em momento de aceleração da covid

As manifestações são apoiadas por movimentos sociais, partidos políticos, centrais sindicais, entidades estudantis, ativistas de grupos antirracismo e feministas e até torcidas organizadas de futebol.

As manifestações ocorrem num momento em que a covid-19 voltou a avançar com força no país. Neste sábado, o Brasil atingiu a trágica cifra de meio milhão de mortesconfirmadas devido à doença.

A volta do antibolsonarismo às ruas capitaneado principalmente por movimentos de esquerda ocorre em um momento delicado para Bolsonaro, com a  reprovação do presidente batendo recorde, com pesquisas indicando a desidratação de sua candidatura à reeleição e com o desgaste diário da CPI da gestão da pandemia no Senado.

A convocação dos protestos vinha provocando um dilema entre movimentos que se opõem ao presidente diante da persistência da pandemia e os riscos que envolvem o estímulo a aglomerações num momento em que cientistas e médicos advertem sobre uma iminente "terceira onda" da covid-19 no Brasil.

Houve também questionamentos se protestos de massa contra a gestão bolsonarista da pandemia não poderiam ser acusados de hipocrisia, já que uma das principais marcas do desinteresse do governo pela crise sanitária é justamente o estímulo pessoal de Bolsonaro a aglomerações.

Mas os organizadores dos atos deste sábado acabaram avaliando que a permanência de Bolsonaro no Planalto é mais nociva e que a falta de reação nas ruas deixou o governo mais à vontade para implementar uma agenda negacionista. 

A recomendação foi de que os manifestantes deveriam usar máscara (se possível, do tipo PFF2) e de que, se pudessem, levassem máscaras para doar, além de álcool em gel. Nos protestos de maio, as orientações foram em grande parte seguidas, mas houve também registros de aglomerações.

RPR (ots)