Morte de Bin Laden muda pouco na política dos EUA para o Afeganistão | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 04.05.2011
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Mundo

Morte de Bin Laden muda pouco na política dos EUA para o Afeganistão

Efeitos da morte do líder terrorista sobre missão militar no Afeganistão são limitados. Por outro lado, paquistaneses devem explicações e precisam rever seu papel na comunidade internacional.

Hillary Clinton faz declaração sobre morte do líder radical

Hillary Clinton faz declaração sobre morte do líder radical

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, mostrou-se resoluta após a morte do líder terrorista Osama bin Laden. A caça à organização terrorista Al Qaeda e a seus aliados entre os talibãs no Afeganistão continuará, declarou nesta segunda-feira (02/05) em Washington. Da mesma forma, seguirá o apoio à formação de governo e ao isolamento dos terroristas no país.
A transferência da responsabilidade sobre a segurança aos próprios afegãos seguirá o cronograma pré-definido, acrescentou. Embora a mensagem ao talibã continue a mesma, ela ganhou mais veemência: "Vocês não podem nos vencer, mas podem decidir se distanciar da Al Qaeda e participar de um processo político pacífico."
Cronograma prossegue
Repercussão na imprensa alemã foi enorme

Repercussão na imprensa alemã foi enorme

A morte de Bin Laden monopoliza as manchetes em todo o mundo. Porém o fato tem consequências restritas, por exemplo, sobre o engajamento norte-americano no Afeganistão.
A atual estratégia, aprovada em conformidade com a Otan, prevê para julho próximo o início da retirada das tropas norte-americanas. Esta será, no entanto, mais ou menos simbólica, pois somente em 2012 poderão ser enviados para casa contingentes maiores. A previsão é que no final de 2014 a segurança do país esteja nas mãos dos soldados e policiais afegãos.
Os peritos são unânimes: a morte do líder da Al Qaeda pouco alterará esse plano. Michael Werz, especialista em política internacional de segurança do Center for American Progress, ligado ao governo dos EUA, explicou por que à Deutsche Welle: "Por um lado, há bastante tempo a Al Qaeda tem apenas um papel subordinado no Afeganistão. Por outro, claro, nos últimos anos Bin Laden não teve grande influência no setor operativo e militar." Sua morte teve um grande significado simbólico, "mas não imediato, no que toca o campo de batalha no Afeganistão", ressalva Werz.
Argumentos sobre missão no Afeganistão
Entretanto não se deve subestimar esse valor simbólico da execução do líder terrorista pelas tropas norte-americanas. Não se trata apenas do fim de um capítulo dominante da política de Washington: o fato também faz calar os críticos do presidente Barack Obama, que até agora o classificavam como excessivamente brando e flexível.
Segundo Gideon Rose, encarregado de política externa do Conselho de Relações Exteriores, a morte do líder terrorista dá a Obama maior liberdade para definir sua estratégia no Afeganistão.
"Se Obama não quiser mudar o curso, ele não precisa, depois dos fatos recentes. Mas se desejar uma retirada mais rápida do Afeganistão, é mais fácil justificá-la, pois ninguém pode mais dizer que Bin Laden está só à espreita de uma oportunidade."
A origem das informações sobre o esconderijo de Osama bin Laden também são relevantes no contexto da discussão sobre o contingente norte-americano no país asiático e sobre a estratégia antiterrorismo mais apropriada, observa Rose, que integrou o Conselho Nacional de Segurança de Bill Clinton.
Caso se constate que as informações decisivas não tiveram relação com um aumento das tropas, este é um argumento a favor da redução do contingente no Afeganistão. Porém, caso fique provado o contrário, o debate sobre o assunto não termina aqui.
Foto tirada no interior da casa onde Osama bin Laden morava

Foto tirada no interior da casa onde Osama bin Laden morava

Momento decisivo para o Paquistão
Cabe também esclarecer o papel do Paquistão na operação que culminou com a morte de Bin Laden. Os norte-americanos a realizaram em solo paquistanês, sem, no entanto, informar as autoridades do país: ao que tudo indica, era grande demais o temor de informações vazassem.
Para os paquistaneses, há muito que explicar. Se sabiam do paradeiro de Bin Laden, então a desconfiança dos EUA era justificada – e isso denota uma enorme lacuna entre os dois países. A alternativa é que eles realmente não tivessem a menor ideia de que o terrorista mais procurado do mundo estava bem debaixo dos seus narizes – o que tampouco os recomenda como aliados aptos no combate ao terrorismo.
Segundo Michael Werz, a partir da atual situação seria desejável que o Paquistão reconhecesse que o apoio a terroristas é indefensável do ponto de vista internacional, e que outra política se impusesse, estabilizando o país. Caso contrário, a conclusão poderá ser que os Estados Unidos devem se aproximar mais da Índia, antecipa o especialista do Center for American Progress.
O assessor-chefe do presidente Obama para antiterrorismo, John Brennan, referiu-se especificamente ao Paquistão, ao explicar por que a morte de Bin Laden representa uma reviravolta decisiva. "Vamos utilizar a oportunidade para provar à população paquistanesa e às pessoas da região que a Al Qaeda pertence ao passado. E esperamos poder enterrar o restante da Al Qaeda, exatamente como Bin Laden."
Autoria: Christina Bergmann (av)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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