Moro pede licença para tratar de ″assuntos particulares″ | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 08.07.2019

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Brasil

Moro pede licença para tratar de "assuntos particulares"

Segundo Ministério da Justiça, afastamento por cinco dias úteis não teria relação com desgaste sofrido pelo ex-juiz no último mês.

Ministro brasileiro da Justiça, Sergio Moro

Ministro disse não reconhecer autenticidade dos diálogos, mas ao mesmo tempo o material revelado não atestaria nenhuma conduta ilegal

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, pediu licença do cargo por cinco dias úteis "para tratar de assuntos particulares". A informação consta no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda-feira (08/07). Segundo a publicação, o afastamento temporário e não remunerado, de 15 a 19 de julho, foi autorizado por despacho presidencial.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a assessoria do ministério informou que Moro vai tirar férias, e que a pasta deve ficar interinamente sob o comando do secretário-executivo, Luiz Pontel.

Ainda segundo o jornal, a assessoria informou que Moro optou pela licença temporária não remunerada para contornar o fato de que "não tem ainda o direito de gozar férias", por ter assumido o cargo em janeiro.

Por fim, a pasta informou que a licença já estava planejada desde que o ministro assumiu, não tendo relação com o desgaste que Moro vem sofrendo desde que o site The Intercept Brasil passou a divulgar mensagens atribuídas a ele, sugerindo que traçou estratégias com procuradores da Lava Jato, quando julgava os casos da operação.

As primeiras mensagens – diálogos por meio do aplicativo Telegram –  foram divulgadas em 9 de junho. Desde então, Moro tem permanecido na defensiva. Nas duas ocasiões em que compareceu ao Congresso para prestar esclarecimentos, negou qualquer conluio com os procuradores da força-tarefa. Moro também tem atuado em várias frentes para minimizar os conteúdos revelados, que implicaram não apenas a ele, mas também vários procuradores.

O ministro já afirmou não reconhecer a autenticidade dos diálogos, mas ao mesmo tempo ressalvando que o material revelado até agora não atestaria nenhuma conduta ilegal. Ele também chegou a classificar de "descuido" ter indicado duas testemunhas para a força-tarefa, conforme descrito num diálogo publicado pelo Intercept.

Neste fim de semana, uma pesquisa da Datafolha mostrou que 58% dos brasileiros julgam inadequada a conduta de Moro, e outros 58% acham que as suas sentenças devem ser revisadas. No entanto 54% da população não vê motivo para o ex-juiz entregar seu cargo no Ministério da Justiça.

Nos diálogos divulgados até agora pelo The Intercept Brasil e veículos parceiros, Moro aparece cobrando a realização de novas operações, num diálogo com um procurador, oferece uma dica sobre uma testemunha e chega a propor aos procuradores uma ação contra a defesa do ex-presidente Lula.

Na véspera do comparecimento de Moro ao Senado, o site divulgou, ainda, um diálogo no qual ele se posiciona contra o envio de uma ação contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, uma vez que ela poderia "melindrar alguém cujo apoio é importante".

Um dos vazamentos também reforçou as suspeitas de estreita cooperação entre o juiz e o procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, para evitar que tensões entre Moro e os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) prejudicassem as investigações em 2016, durante uma fase crítica para a força-tarefa.

Mais recentemente, o site também divulgou mais conversas entre procuradores da Lava Jato. Num dos diálogos revelados, membros da força-tarefa criticam a ida de Moro ao Ministério da Justiça e manifestam temor de que a nomeação arranhasse a imagem da operação.

Outras mensagens também mostram Moro orientando a Lava Jato para incluir prova num processo e fazendo pressão para que o Ministério Público não aceitasse uma delação premiada do ex-deputado Eduardo Cunha. Neste fim de semana, foi a vez de o site revelar mensagens sugerindo que o ex-juiz e a força-tarefa se articularam para tornar pública a delação da Odebrecht e interferir na crise política da Venezuela.

JPS/ots

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