Ministra defende mais recursos para ajuda ao desenvolvimento | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 29.01.2009
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Economia

Ministra defende mais recursos para ajuda ao desenvolvimento

Ministra alemã do Desenvolvimento, Heidemarie Wieczorek-Zeul, defende perante o Parlamento concessão de ajuda a países em desenvolvimento e emergentes, mesmo em tempos de crise.

default

Países ricos ainda destinam muito pouco a pobres e emergentes

"Há ameaças de que a situação em muitos países em desenvolvimento possa piorar e se tornar ainda mais dramática neste ano. Cada percentual a menos no crescimento econômico empurra aproximadamente 20 milhões de pessoas para a pobreza", afirmou a ministra nesta quinta-feira (29/01), ao fazer um pronunciamento perante o Parlamento alemão. Com o objetivo de contornar a crise, Wieczorek-Zeul reivindicou "um programa global de investimento para os pobres do mundo".

Mais fracos sofrem mais

A ministra salientou ainda que os mais fracos "têm que pagar, com suas existências diariamente ameaçadas, pelo colapso das bolsas em moedas fortes". Com a crise, caem, nos países mais pobres, as receitas fiscais e as chances de exportação, desta forma colocando a infra-estrutura dessas regiões em risco. Já hoje, mais de 1 bilhão de pessoas passa fome no mundo. "Há perigo de que a crise se transforme, num continente como a África, numa catástrofe com milhares de famintos e mortos", analisou a ministra.

Wieczorek-Zeul exigiu, por isso, que os países ricos levem em consideração os interesses dos pobres ao desenvolver seus programas de apoio à conjuntura. Segundo ela, os países em desenvolvimento precisam urgentemente de mais investimento. A máxima do momento deveria ser, de acordo com a ministra, "aproveitar a crise" para destinar mais verbas a quem precisa. Wieczorek-Zeul sugeriu ainda que se crie uma rede internacional, capaz de fazer um uso justo e adequado dos bilhões perdidos através da fuga de capital para paraísos fiscais.

Ajuda ao desenvolvimento: sem cortes

Heidemarie Wieczorek Zeul

Heidemarie Wieczorek-Zeul

A ministra prometeu ainda que não haverá cortes em relação aos recursos destinados pelo governo alemão à ajuda ao desenvolvimento. Para 2009, o Ministério do Desenvolvimento tem um orçamento previsto de 5,8 bilhões de euros, que representam 12% a mais do que as verbas que lhe foram destinadas no ano anterior.

Além disso, o pacote de ajuda econômica do governo alemão separou 100 milhões de euros a mais para a ajuda ao desenvolvimento. A meta de destinar até 0,51% do PIB ao setor, até o ano de 2010, ainda está, no entanto, longe de ser alcançada pelo país.

Wieczorek-Zeul fez também um balanço das "metas do milênio" das Nações Unidas, estabelecidas pela comunidade internacional em 2000, a fim de conter a pobreza e a miséria no mundo até o ano de 2015. De acordo com a ministra, nenhuma outra meta parece tão distante da realidade quanto a melhoria da saúde das mães e dos recém-nascidos. Segundo ela, ainda hoje morrem por dia, em todo o mundo, aproximadamente 1.500 mulheres durante o parto.

Brasil: recursos destinados à proteção do meio ambiente

Embora o número oficial de pobres no mundo tenha diminuído, somente neste ano mais de 100 milhões de pessoas voltaram a viver sob condições miseráveis. Em entrevista ao jornal Saarbrücker Zeitung, a ministra alemã defendeu ainda a perpetuação da ajuda ao desenvolvimento a países emergentes como o Brasil ou a Índia.

Um dos exemplos de cooperação necessária, segundo a ministra, se dá entre Alemanha e Brasil no setor de proteção do meio ambiente. "Se o Brasil só pensasse em seu próprio progresso econômico, a floresta amazônica já teria sido devastada há muito tempo, acarretando consequências imprevisíveis para o clima em todo o mundo", acentuou Wieczorek-Zeul.

Leste e sul do continente: resistência

EU Kommissar Louis Michel

Louis Michel, comissário de desenvolvimento da UE

Durante um encontro que deverá acontecer em Praga, o comissário da União Europeia para ajuda ao desenvolvimento, Louis Michel, pretende convencer os representantes da pasta de cada país do bloco a se aterem aos objetivos de ajuda a países pobres e emergentes.

Com Wieczorek-Zeul o comissário não terá que gastar muito tempo, já que a ministra alemã defende até mesmo um aumento da ajuda ao desenvolvimento, a fim de atingir o patamar de 0,7% do PIB de cada país. "Se é possível mobilizar bilhões para salvar os setores financeiro e bancário, com o que concordo expressamente, então deverá ser possível também salvar o mundo da fome, da pobreza, do desemprego e das mudanças climáticas", afirmou a ministra.

Outros países da UE (principalmente aqueles do leste e do sul do continente), no entanto, mostram-se mais resistentes a destinar mais recursos à ajuda ao desenvolvimento. O atual presidente tcheco do Conselho da UE, Jan Kohout, deu apenas declarações vagas sobre o assunto. Muitos dos ministros do bloco afirmam enfrentar dificuldades, em tempos de crise, de justificar um aumento da ajuda ao desenvolvimento perante seus eleitores em casa.

Leia mais