Merkel enfrenta cúpula decisiva em Bruxelas | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 28.06.2018
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União Europeia

Merkel enfrenta cúpula decisiva em Bruxelas

Líderes da UE se reúnem para tentar resolver suas diferenças sobre imigração e acolhida de refugiados. Para a chanceler federal alemã, eventual fracasso das negociações pode selar sorte de seu governo.

Deutschland Bundestag Regierungserklärung Merkel (Reuters/C. Mang)

Segundo Merkel, "a Europa tem muitos desafios, mas o desafio da imigração pode se converter em uma questão decisiva para o futuro da UE”.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, já participou de pelo menos 60 cúpulas da União Europeia em seus mais de 12 anos na chefia do governo da Alemanha. Ela é de longe a atual líder do bloco há mais tempo no cargo. E nesta quinta e sexta-feira (28-29/06), em Bruxelas, enfrenta o que deve ser a mais importante cúpula europeia da sua vida política, na qual poderá se decidir o seu futuro. E, pela primeira vez, Merkel parece preocupada com sua sobrevivência no cargo.

Só com um resultado satisfatório na questão da imigração, na cúpula da UE, ela conseguirá manter na coalizão em Berlim a União Social Cristã (CSU) e assim evitar a derrocada do seu governo. A pressão sobre Merkel é enorme. Já dois dias após a cúpula, seu ministro do interior, Horst Seehofer – que também chefia a CSU e é fiador da coalizão – pretende anunciar se os resultados lhe agradam ou se vai agir contra a chefe de governo, ordenando por conta própria que se mandem de volta já na fronteira os migrantes considerados não qualificados a refúgio.

Merkel é contra qualquer iniciativa isolada de Seehofer, que pode gerar problemas com outros países do bloco. Se o rebelde Seehofer agir contra as ordens da chanceler, Merkel não terá outra escolha a não ser demiti-lo. E aí a coalizão desmorona.

Para evitar que o conflito com seu ministro escale, Merkel quer costurar um acordo amplo sobre imigração com os outros 27 países da UE. No domingo, ela já havia participado de uma minicúpula de emergência com representantes de 16 países, mas que rendeu poucos resultados práticos. Naufragou também uma iniciativa da chanceler federal de permitir que países do bloco selassem acordos bilaterais caso não fosse possível fechar um acordo amplo, com o potencial de aplacar um pouco a CSU.

Merkel comparece à atual cúpula com poucas opções e tendo que lidar com as diferenças abissais sobre como outros líderes da UE encaram o problema. Na véspera, em discurso ao Parlamento alemão, ela disse que "a Europa tem muitos desafios, mas o desafio da imigração pode se converter numa questão decisiva para o futuro da UE".

Divergências

Entre os pontos que Merkel quer discutir está a possibilidade de selar acordos de ajuda para países africanos que acolherem refugiados que tiveram pedidos rejeitados – similares ao acordo que foi fechado com a Turquia – e uma redistribuição pelo bloco de refugiados que chegam aos países que estão na linha de frente das rotas de imigração – como Itália e Grécia.

No entanto tais propostas estão longe de encontrar consenso entre os membros do bloco. Enquanto a Itália e a Grécia desejam uma redistribuição de refugiados pelo bloco, a fim de aliviar sua carga do problema, membros como a Polônia e a Hungria, governados por partidos da direita, não querem nem ouvir falar disso, temendo ter que acolher uma parcela significativa de refugiados.

A Áustria, também governada por conservadores, vem avaliando que lado tomar. Hoje, pelas regras da Convenção de Dublin, quem chega à Europa e solicita asilo tem que permanecer no país onde o pedido foi apresentado originalmente.

Assim, um africano que chegue à costa da Itália e entre com seu pedido nesse país, em tese não tem direito de solicitar refúgio em outros países. Só que na prática, o sistema europeu é tão pouco unificado que é comum refugiados apresentarem pedidos em vários países. Nos últimos anos, a Alemanha vem acolhendo inicialmente todos os refugiados e só depois verifica se eles foram registrados em outro lugar.

Há ainda propostas de outros países. A Áustria, por exemplo, propõe a criação de grandes centros de refugiados na costa africana, mas também não há consenso sobre essa ideia. O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, por sua vez, falou da criação de "centros de desembarque" para imigrantes resgatados fora dos limites da UE, como no Mar Mediterrâneo. A ideia conquistou a simpatia de vários países-membros, mas até agora nenhum país dentro ou fora da UE parece interessado em sediar esses campos.

A própria Merkel acredita que tal proposta geraria muitos problemas legais e organizacionais. De qualquer forma, essa última ideia seria insuficiente para aplacar a CSU.

Nesta disputa, Merkel parece ter poucos aliados, e possivelmente só vai conseguir contar com a França e a Espanha. Enquanto isso, ela corre contra o tempo, já que é improvável que países como Itália, Grécia e Áustria estejam preparados a acolher adequadamente os refugiados barrados na fronteira alemã, como preveem os planos de Seehofer.

JPS/dw/ots

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