Massacre em presídios no Amazonas tem mais de 50 mortos | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 27.05.2019

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Brasil

Massacre em presídios no Amazonas tem mais de 50 mortos

Um dia após a morte de 15 detentos em Manaus, 42 corpos são encontrados em diferentes cadeias na capital amazonense. Governo federal anuncia envio de força-tarefa nacional ao estado, onde rebelião matou dezenas em 2017.

Foto de 2017 mostra aumento da segurança em complexo prisional em Manaus após mortes em rebelião

Foto de 2017 mostra aumento da segurança em complexo prisional em Manaus após mortes em rebelião

O governo do Amazonas informou que 42 detentos foram encontrados mortos em presídios de Manaus nesta segunda-feira (27/05). Com outras 15 mortes de presos anunciadas na véspera, sobe para 57 o número de óbitos em cadeias do estado em menos de 24 horas.

Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) do Amazonas, as mortes desta segunda foram causadas por enforcamento e ocorreram em quatro presídios da capital.

A maioria dos corpos, um total de 27, foi encontrada no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat). Outras seis mortes ocorreram na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP); cinco no Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM 1), onde houve ainda quatro feridos; e quatro no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj).

Ainda de acordo com a secretaria estadual, agentes do Grupo de Intervenção Prisional (GIP) e do Batalhão de Choque da Polícia Militar estiveram nas unidades revistando e recontando os detentos. "Neste momento a situação está controlada, e os presos estão na tranca", disse o Seap. Um inquérito será aberto para investigar os homicídios.

No Ipat, um agente de socialização agredido por presidiários foi levado a um hospital de Manaus, informou a Umanizzare, empresa de gestão prisional. Ele teve escoriações e não corre risco.

Com a crise, o Ministério da Justiça afirmou que membros da Força-Tarefa de Intervenção Penitenciária serão enviados ao Amazonas. O grupo atuará para "controlar distúrbios e resolver outros problemas", segundo um comunicado do governo federal.

O governador amazonense, Wilson Lima, descreveu a crise no sistema penitenciário como um problema nacional e afirmou ter conversado com o ministro da Justiça, Sérgio Moro, sobre o assunto na tarde desta segunda-feira.

"Acabei de falar com o ministro Sérgio Moro, que já está mandando uma equipe de intervenção prisional para o estado do Amazonas, para que possa nos ajudar neste momento de crise e um problema que é nacional: o problema dos presídios. A qualquer momento a equipe de intervenção do Ministério da Justiça desembarca no estado para nos ajudar", disse Lima.

O massacre desta segunda-feira ocorre um dia após a morte de 15 outros detentos no Compaj. Segundo a Seap, os óbitos de domingo decorreram de uma "briga entre presos" dos pavilhões 3 e 5, que teria começado durante o horário de visitação.

Após o acionamento do batalhão de choque da Polícia Militar, a situação no complexo penitenciário ficou sob controle, informou a secretaria. Nenhuma fuga foi registrada, e nenhum agente penitenciário foi ferido durante a confusão.

Nesta segunda-feira, a Seap confirmou que todos os mortos foram identificados e seus corpos, liberados para as famílias. Em função do ocorrido, a secretaria aplicou uma série de medidas administrativas em todas as unidades prisionais do estado, entre elas a suspensão das visitas.

O defensor público-geral do Amazonas, Rafael Barbosa, disse que a suspensão visa a garantir a integridade dos presos e de seus parentes, e afirmou que a principal suspeita das autoridades estaduais é de que a briga entre presos esteja ligada à disputa entre facções criminosas.

Em janeiro de 2017, uma rebelião de 17 horas resultou na morte de 56 pessoas no Compaj, mesmo presídio onde um agente penitenciário foi assassinado em dezembro de 2018.

O ano de 2017 foi marcado por uma crise no sistema penitenciário em vários estados, chegando a 126 o número de detentos mortos em massacres e confrontos em prisões no Amazonas, Roraima e Rio Grande do Norte.

EK/abr/ots

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