Manifestantes põem fogo no Congresso do Paraguai após Senado aprovar reeleição | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 01.04.2017
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América Latina

Manifestantes põem fogo no Congresso do Paraguai após Senado aprovar reeleição

Confrontos violentos ocorrem após senadores aprovarem reeleição presidencial em reunião a portas fechadas. Parte da oposição denuncia a medida como um "golpe parlamentar". Um manifestante é morto pela polícia.

Parlamento paraguaio em chamas

Edifício do Parlamento paraguaio no centro histórico de Assunção em chamas

Manifestantes que protestavam no Paraguai contra a aprovação de um projeto de emenda constitucional para habilitar a reeleição presidencial entraram à força no Congresso e queimaram parte do edifício, segundo mostrou a televisão local. Um jovem foi morto pela polícia.

Os incidentes começaram depois que um grupo de senadores aprovou nesta sexta-feira (31/03) a reeleição presidencial, proibida pela Constituição de 1992. A decisão foi tomada numa reunião a portas fechadas, nas dependências da Frente Guasú, do ex-presidente Fernando Lugo, e sem a presença dos demais legisladores e do presidente do Senado, Roberto Acevedo.

No total, 25 dos 45 senadores votaram a favor da emenda que institui a reeleição. A emenda deveria ser ratificada neste sábado pela Câmara dos Deputados, também controlada pelos governistas, mas a seção foi cancelada devido à violência dos protestos. Parlamentares de oposição acusaram a manobra de "golpe parlamentar".

O partido de Lugo aprovou a emenda para que o ex-bispo possa concorrer nas eleições de 2018, e o Partido Colorado, para que o atual presidente do Paraguai, Horacio Cartes, possa fazer o mesmo. Por outro lado, o Partido Liberal, o maior da oposição, e outras forças opositoras, alegam que a emenda é anticonstitucional como meio de facultar um segundo mandato presidencial.

Confronto violento

Várias centenas de pessoas romperam a barreira policial, destroçaram vidraças do prédio no centro histórico de Assunção e queimaram as portas de entrada, além de lançar morteiros e pedras contra a polícia. As forças de segurança responderam com balas de borracha, gás lacrimogêneo e jatos de água.

Neste sábado, o presidente do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), Efraín Alegre, informou à imprensa local que um jovem morreu após ser baleado por policiais na sede do partido, em Assunção. A vítima havia se refugiado no local durante os distúrbios após os protestos.

Segundo Alegre, a polícia invadiu de "forma bárbara" a sede do partido e disparou contra os manifestantes que estavam no local, alguns dos quais ficaram gravemente feridos. Entre os atingidos estava um jovem militante liberal, que foi levado a um hospital e não resistiu.

Trata-se do segundo incidente violento do dia no Congresso paraguaio, depois de, no primeiro, terem ficado feridos por balas de borracha Alegre e o deputado Edgar Acosta. A polícia informou que cerca de 200 manifestantes foram detidos.

Mudanças na gestão

Sob pressão, o presidente Cartes anunciou neste sábado a demissão do ministro do Interior, Tadeo Rojas, e do comandante da Polícia Nacional, Críspulo Sotelo.

Lorenzo Lezcano, até então vice-ministro de Segurança Interna, assume o Ministério do Interior de forma interina. Já Sotelo será substituído por Luis Carlos Rojas, seu antigo vice. Os nomes foram anunciados por Juan Carlos López Moreira, chefe de gabinete da presidência.

Em comunicado, o governo paraguaio afirmou que Cartes realizou essas mudanças "considerando os últimos eventos no âmbito da segurança e perante a ordem expressa de elevar ao máximo os cuidados para se evitar excessos no uso da polícia".

FF/efe/afp/ots

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