Manifestantes desafiam toque de recolher e mantêm protestos no Sudão | Notícias internacionais e análises | DW | 12.04.2019
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África

Manifestantes desafiam toque de recolher e mantêm protestos no Sudão

Insatisfeitos com criação de conselho militar após derrubada de Bashir, sudaneses pedem transição rápida para governo civil. Militares negam extradição do presidente deposto, acusado de crimes de guerra pelo TPI.

Manifestantes em Cartum pedem o fim do governo militar

Manifestantes em Cartum pedem o fim do governo militar

Manifestantes sudaneses, indignados por os comandantes do Exército terem assumido o controle do país após a deposição e a detenção do ex-presidente Omar al-Bashir, desafiaram um toque de recolher noturno nesta sexta-feira (12/04) para prosseguir com os protestos em massa que perduram há quatro meses no Sudão.

Após derrubar Bashir na quinta-feira, as Forças Armadas decretaram estado de emergência por três meses e decretaram um toque de recolher a partir das 22h. O ex-presidente sudanês é acusado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade no conflito armado da região de Darfur.

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Líderes dos protestos civis rejeitaram o conselho militar de transição formado após a deposição de Bashir e classificaram os membros do alto escalão das Forças Armadas de os "mesmos velhos rostos" do antigo regime, que governou o país com mão de ferro por três décadas.

Os manifestantes exigem um corpo civil para liderar a transição à democracia e pôr um fim aos múltiplos conflitos que levaram o Sudão a níveis piores de pobreza. A maioria das lojas e dos escritórios ficou fechada nesta sexta-feira, que é o dia de oração e descanso no Sudão.

Nesta sexta-feira, o conselho militar prometeu que o Sudão terá um novo governo civil, mas só depois de um período de transição de dois anos. O conselho também anunciou que não pretende entregar Bashir ao TPI, mas que ele será julgado por crimes de guerra no próprio Sudão. O conselho prometeu também não interferir com o governo civil, mas que os ministérios da Defesa e do Interior ficarão sob controle dos militares. Também foi anunciado um cessar-fogo em todo o país.

Apesar dos avisos do novo conselho militar de respeitar o toque de recolher noturno, os soldados posicionados do lado de fora do quartel-general do Exército sudanês, em Cartum, não realizaram nenhuma ação para dispersar os manifestantes. Muitos foram vistos conversando com manifestantes, que explicaram que a batalha era com os comandantes que lideraram o golpe e não com a base militar.

"Não houve diferença entre a noite passada e os dias e as noites anteriores para nós", disse um manifestante que se identificou como Abu Obeida. "Esta é agora a nossa praça. Ocupamos e não vamos embora até que a vitória seja alcançada. Quebramos o toque de recolher. Continuaremos fazendo isso até que tenhamos um governo de transição civil."

Manifestantes sudaneses mantêm ocupação em frente ao Ministério da Defesa do Sudão, em Cartum

Manifestantes sudaneses mantêm ocupação em frente ao Ministério da Defesa do Sudão

Ao menos 13 pessoas morreram em protestos realizados em vários pontos do Sudão na quinta-feira, dia em que os militares derrubaram Bashir. O Comitê Central de Médicos, sindicato de oposição a Bashir, denunciou que as pessoas morreram após disparos das forças do regime, sem explicar quem abriu fogo contra os manifestantes.

O sindicato destacou que 35 pessoas morreram desde 6 de abril, quando teve início a ocupação dos arredores do quartel-general em Cartum para pedir o apoio dos militares contra o então presidente do país. No entanto, parte da oposição e dos opositores agora critica a manobra dos comandantes das Forças Armadas.

No anúncio oficial da deposição de Bashir, num pronunciamento transmitido pela televisão, o ministro da Defesa, Awad Mohamed Ahmed Ibn Auf, afirmou que um conselho militar assumirá o poder por dois anos e acrescentou que as fronteiras e o espaço aéreo do país foram fechados até nova ordem. Além disso, ele anunciou também o toque de recolher das 22h às 4h.

Ibn Auf pediu desculpas pela "má administração, corrupção e injustiça" que levaram à crescente desigualdade no Sudão. Ele também pediu desculpas pelo recurso do regime a táticas rígidas para tentar esmagar os protestos, o que levou à "perda de vidas de pessoas".

Mais tarde, a televisão estatal transmitiu filmagens em que Ibn Auf faz o juramento ao se tornar chefe do conselho militar, ao lado de seu novo vice, o tenente-general Kamal Abdelmarouf, chefe do Estado-Maior do Exército.

"Não alcançamos nada", disse outro manifestante, que se identificou apenas como Adel, após o anúncio de quinta-feira. "Não vamos parar a nossa revolução. Estamos pedindo que o regime renuncie, não apenas Bashir."

O governo dos EUA pediu ao conselho militar "que exerça a contenção e permita espaço para a participação civil dentro do governo". A União Europeia (UE) exortou o Exército sudanês a realizar uma transição rápida para um governo civil.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu uma transição que atenda às aspirações democráticas do povo sudanês e apelou por calma e máxima contenção de todos.

O último primeiro-ministro eleito no Sudão, Sadiq al-Mahdi, líder do partido de oposição Umma e que foi derrubado por Bashir num golpe militar em 1989, deve se dirigir aos partidários depois das orações de sexta-feira numa das mesquitas mais reverenciadas de Omdurman.

Desde o retorno a Cartum do exílio autoimposto, Mahdi aliou seu partido às bases populares que foram a força motriz por trás dos protestos em massa que precederam o golpe desta quinta-feira.

PV/afp/efe/rtr

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