Mandetta defende unificação de discurso do governo no enfrentamento ao coronavírus | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 13.04.2020
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Brasil

Mandetta defende unificação de discurso do governo no enfrentamento ao coronavírus

Em entrevista ao "Fantástico", chefe da pasta da Saúde diz que brasileiro "não sabe se escuta o ministro da Saúde, se escuta o presidente" e afirma que os meses mais "duros" serão maio e junho.

Foto de Mandetta, que veste terno e gravata.

Mandetta disse que taxa de isolamento social no Brasil é de cerca de 50 a 55%

O Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo, exibida na noite deste domingo (12/04), que é preciso uma unificação no discurso do governo quanto ao enfrentamento dapandemia de Covid-19. " Ele [o brasileiro] não sabe se escuta o ministro da Saúde, se ele escuta o presidente”, afirmou. Mandetta também fez críticas a quem se baseia em fake news espalhadas pela internet para minimizar a gravidade da situação e destacou que o pior ainda está por vir: "maio e junho serão os 60 dias mais duros para as cidades", disse.

Mandetta teve cautela ao falar do presidente Jair Bolsonaro, que na segunda-feira passada ameaçou demiti-lo e que, por diversas vezes, agiu de forma contrária ao recomendado pelo Ministério da Saúde, visitando o comércio e provocando aglomerações. 

Questionado se a relação entre os dois preocupa, ele disse que sim, pois a população pode pensar: "será que o ministro é contra o presidente?". Porém, afirmou que "não há ninguém contra nem a favor de nada" e que o inimigo em comum é coronavírus.  

Amenizando o tom de crítica, Mandetta destacou que, se é o atual Ministro da Saúde, é porque Bolsonaro o nomeou e que o presidente "olha muito também pelo lado da economia”. "O Ministério da Saúde entende a economia, entende a cultura e educação, mas chama pelo lado de equilíbrio de proteção à vida. Eu espero que essa validação dos diferentes modelos de enfrentamento dessa situação possa ser comum e que a gente possa ter uma fala única, unificada", disse o ministro.

Questionado sobre quem a população deve ouvir, se o presidente ou o ministro, Mandetta se esquivou: "a gente pode ter uma disciplina e pedir muita disciplina para as pessoas, por favor. Disciplina significa faça você também seu sacrifício, para que a gente possa bloquear o máximo possível. Eu não posso chegar e falar assim: essa pessoa está fazendo isso aqui, isso é certo, isso é errado. Eu estou dizendo qual é o caminho: vamos por aqui".

Dias "duros” pela frente

Mandetta explicou que, desde fevereiro, com base em simulações com outros países e fazendo adequações ao clima brasileiro, já se sabe que maio e junho – em algumas regiões julho – serão os meses de maior estresse para o sistema de saúde. "Nós estamos agora vivendo um pouco do que fizemos duas semanas pra trás. Se iniciarmos precocemente uma movimentação, nós vamos voltar a ter aquele mesmo padrão do início aonde você tinha dia após dia um aumento do surgimento de brotes epidêmicos”, explicou.

Segundo ele, maio e junho serão meses em que o Ministério da Saúde será muito questionado e cobrado por ações que fez ou deixou de fazer. "Sempre haverá engenheiros de obra pronta. Pessoas que depois que você trabalha, que faz o possível e o impossível para enfrentar a situação, que depois da situação passada fala 'ah não, mas isso deveria ter sido feito assim ou assado'", lamentou.

Mandetta também explicou que a sociedade brasileira é que vai ditar o comportamento do vírus no país. "A gente tem a projeção, mas sabe que isso tudo é em função do comportamento das pessoas. Não existe absolutamente nada que influencie mais essa resposta do que como que a sociedade brasileira vai se comportar no próximo mês e dias".

Isolamento social 

Mandetta lembrou que o Brasil, até agora, não implementou o chamado "lockdown", o fechamento total. Ele destacou que o isolamento social, importante estratégia para conter a disseminação do coronavírus, já chegou a ser de 70% no Brasil, mas que o país relaxou e, agora, esta taxa está em cerca de 50%, 55%. "Se cada empresário, se cada setor achar que o dele é essencial e que ele tem que trabalhar, e começar um efeito cascata, tudo é essencial e tem que funcionar, o Ministério da Saúde vai mostrar: olha, essa atividade fez isso aqui com cada uma das cidades."

O ministro também criticou quem lê na internet notícias falsas e minimiza a pandemia, afirmando ser uma invenção de países para ganharem vantagem econômica ou um complô mundial. "Quando você vê as pessoas entrando em padaria, entrando em supermercado, fazendo filas uma atrás da outra, encostadas, grudadas, pessoas fazendo piquenique em parque, isso é claramente uma coisa equivocada”, disse Mandetta em uma clara alfinetada a Bolsonaro. Na quinta-feira passada, o presidente passeou pelo comércio de Brasília e visitou uma padaria, onde posou para fotos e tocou em funcionários. "Parei em uma padaria agora para tomar uma Coca-cola”, afirmou Bolsonaro na ocasião.

Sobre a quantidade de testes realizados, Mandetta explicou que impossível testar toda a população brasileira (aproximadamente 210 milhões de pessoas). Desta forma, em um primeiro momento, os testes serão aplicados nos "trabalhadores que são mais importantes no momento”, como médicos e enfermeiros, agentes penitenciários, policiais e bombeiros.

Questionado sobre como prever o avanço da doença sem testes em massa, Mandetta disse que é possível se basear em modelos matemáticos. "Com esses exames que nós fazemos, a gente tem modelos estatísticos, modelos matemáticos que nos permitem dimensionar, qual é o ritmo, para onde está indo, em que bairro está, em que cidade está, se está se deslocando, para qual faixa etária, se está internando quem, qual é a capacidade instalada", explicou.

Números no Brasil

O Ministério da Saúde divulgou, na tarde deste domingo, que o número de infectados no país subiu para 22.169, um aumento de 1.442 casos em relação ao balanço do dia anterior. O número de mortes chegou a 1.223 e a taxa de letalidade vem crescendo no Brasil, chegando a 5,5%.

O estado de São Paulo concentra o maior número tanto de casos (8.755) quanto de mortes (588). O Rio de Janeiro é o segundo estado com mais registros de contaminação: 2.855 casos e 170 mortes.

LE/ots

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