Manaus consegue oxigênio extra para bebês prematuros | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 15.01.2021

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Coronavírus

Manaus consegue oxigênio extra para bebês prematuros

Amazonas suspende transferência de 60 recém-nascidos para outros estados após garantir oxigênio para mais 48 horas. Regiões oferecem leitos. Justiça determina que governo federal transfira pacientes com covid do estado.

Profissionais de saúde transportam paciente em maca em hospital de Manaus, em meio a ambulâncias

Manaus vive explosão de infecções e mortes, causando superlotação de hospitais e cemitérios

Em meio ao colapso no sistema de saúde do Amazonas, cerca de 60 bebês prematuros internados em UTIs de maternidades públicas do estado correm o risco de ficar sem oxigênio.

Autoridades amazonenses, que estavam articulando a transferência desses recém-nascidos para outros estados, suspenderam por ora os transportes, após garantirem oxigênio suficiente para manter esses bebês internados por mais 48 horas.

Os cilindros foram adquiridos pelo Ministério da Saúde, atendendo a uma solicitação do governo do Amazonas. A pasta informou que está tentando garantir mais balas de oxigênio para que os recém-nascidos não precisem ser transferidos para outras regiões.

Caso a transferência seja necessária, ao menos 56 leitos em UTIs neonatais de outras cidades já estão garantidos para recebê-los: segundo o ministério, são 25 em Curitiba (PR), 11 em Vitória (ES), nove em Imperatriz (MA), quatro em Salvador (BA), três em Feira de Santana (BA), três em Macapá (AP) e um em Ariquemes (RO).

Mais cedo nesta sexta-feira, a Secretaria de Saúde do Amazonas havia informado que os recém-nascidos seriam transportados em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) a partir da autorização dos pais e acompanhados pelas mães.

"Técnicos da secretaria estão trabalhando no planejamento da logística de transferência, e o quantitativo está sendo avaliado de acordo com as condições clínicas", dissera a pasta.

A ação seria preventiva, informou o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Carlos Lula, que é secretário de Saúde do Maranhão. "Estamos falando de bebês prematuros. São muito frágeis, muito instáveis. É uma ação preventiva. Diferente de pacientes adultos, eles morrem mais rapidamente se faltar o mínimo de oxigênio. E existe o risco de faltar."

Segundo o Conass, o Ministério da Saúde chegou a fazer contato com vários estados para dividir as vagas destinadas aos recém-nascidos amazonenses, que não estão infectados pelo coronavírus, mas necessitam de internação em UTI neonatal por serem prematuros.

Em coletiva de imprensa, o secretário de Saúde do estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, anunciou que ofereceu suporte diretamente à pasta amazonense quando tomou conhecimento da crise.

"Imediatamente fizemos contato com o secretário da Saúde do estado do Amazonas, o doutor Marcellus [Campêlo]. Ele está fazendo um levantamento porque vários estados, de forma humanitária, estão acolhendo esses bebês", declarou o secretário paulista.

"E não são apenas bebês, são também mulheres grávidas. São gestantes que também foram comprometidas pela covid e que necessitam de assistência. Queremos saber quantas ainda precisam da nossa assistência e prontamente estaremos acolhendo aqui em São Paulo", completou.

Doria fala em genocídio

Na mesma coletiva de imprensa, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), se mostrou consternado com a possibilidade de recém-nascidos ficarem sem oxigênio hospitalar.

"Acolheremos todos os bebês que puderem ser transportados aqui para São Paulo. Para quem é pai e quem é mãe, não tem oxigênio para bebê? É o fim do mundo isso. A irresponsabilidade do governo Bolsonaro me choca, como brasileiro", disse Doria, que lançou mais uma série de ataques ao presidente Jair Bolsonaro, seu adversário político.

Segundo o tucano, a calamidade sanitária em Manaus, que enfrenta uma escassez dramática de oxigênio nos hospitais, se deve à "opção pelo negacionismo" e à "política caótica" do governo federal diante da epidemia de covid-19, que já matou mais de 207 mil pessoas no país.

"O negacionismo dominando o país no governo federal. Um mar de fracasso, colocando como vítimas milhares de brasileiros que perderam a sua vida e outros milhares que podem perder", declarou Doria, pressionando por uma reação do Congresso Nacional. "Ou vamos assistir a isso por meses e achar que isso é normal, que faz parte e que a ideologia do negacionismo é aceitável?"

"Li uma manifestação do presidente Jair Bolsonaro dizendo 'fiz tudo o que estava ao meu alcance, o problema agora é do estado do Amazonas e da Prefeitura de Manaus'. Inacreditável. Inacreditável. Em outro país isso talvez fosse classificado como genocídio. É um abandono aos brasileiros."

Doria se referia a uma declaração feita mais cedo pelo presidente, dizendo que a situação em Manaus é "terrível", mas que o governo federal fez a sua parte.

"Problema em Manaus. Terrível o problema lá. Agora, nós fizemos a nossa parte. Hoje as Forças Armadas deslocaram para lá um hospital de campanha. O ministro da Saúde esteve lá na segunda-feira, providenciou oxigênio", afirmou Bolsonaro, mencionando a visita de Eduardo Pazuello ao estado, onde o ministro pressionou as autoridades de saúde locais a utilizarem precocemente remédios antivirais orientados pela pasta, como a cloroquina, cuja eficácia não tem comprovação científica.

Justiça pressiona governo federal

Em meio a uma explosão dramática de casos de covid-19, o Amazonas vive um verdadeiro colapso em seu sistema de saúde, com hospitais sobrecarregados e sem oxigênio hospitalar para os pacientes internados com coronavírus, que precisam do gás para sobreviver.

Em despacho na quinta-feira à noite, a Justiça Federal determinou que o governo federal transfira imediatamente todos os pacientes da rede pública de Manaus que estejam em risco de morte por falta de oxigênio.

A juíza federal Jaiza Maria Pinto Fraxe, da 1ª Vara Federal Cível do Amazonas, intimou os governos federal e estadual a se manifestarem num prazo de 24 horas.

Nessa resposta à Justiça, a União deverá informar seu plano de abastecimento do sistema de saúde do Amazonas com oxigênio, bem como se o governo federal verificou se havia estoque em outros estados para serem levados para o Amazonas. O governo amazonense, por sua vez, deverá "esclarecer tudo o que couber".

Enquanto isso, cabe à União garantir a transferência desses pacientes em estado grave para outros estados, "deixando no Amazonas apenas o quantitativo que possa ser atendido nos hospitais públicos com a reserva [de oxigênio] ainda existente".

A decisão atende a um pedido do Ministério Público Federal (MPF), do Ministério Público do Amazonas, do Ministério Público de Contas do estado, da Defensoria Pública da União (DPU), e da Defensoria Pública do Amazonas.

Com o fim dos estoques de oxigênio em vários hospitais da capital amazonense, que geraram cenas de desespero entre profissionais de saúde e familiares de vítimas nesta quinta e sexta-feira, alguns pacientes já começaram a ser transferidos para outros estados.

Os internados estão sendo transportados em aviões da FAB, com destino a cidades como Brasília, Goiânia, João Pessoa, Natal, São Luís e Teresina. Segundo o Ministério da Saúde, pelo menos 149 leitos já estão garantidos para pacientes amazonenses.

EK/ots

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