Maduro rompe relações diplomáticas com a Colômbia | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 24.02.2019
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América Latina

Maduro rompe relações diplomáticas com a Colômbia

Presidente da Venezuela chama governo em Bogotá de fascista e ordena saída de funcionários diplomáticos colombianos do país. Em discurso em Caracas, diz ainda que está disposto a comprar alimentos do Brasil.

Maduro discursa para apoiadores em Caracas

Maduro discursa para apoiadores em Caracas: "Não somos mendigos de ninguém"

Em meio à tensão nas fronteiras da Venezuela, o presidente Nicolás Maduro anunciou neste sábado (23/02) o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia e ordenou que os funcionários diplomáticos colombianos deixem o país num prazo de 24 horas.

"A paciência se esgotou, não posso continuar suportando que o território da Colômbia se preste a uma agressão contra a Venezuela, por isso decidi romper todas as relações políticas e diplomáticas com o governo fascista da Colômbia", disse o líder chavista durante um discurso de mais de uma hora diante de uma multidão de apoiadores em Caracas.

Maduro ainda chamou o presidente da Colômbia, Iván Duque, de "diabo" e afirmou que nunca um líder colombiano havia ido tão longe em suas ações contra um presidente venezuelano. "Você vai se arrepender de se meter com a Venezuela", esbravejou.

Horas mais tarde, o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela emitiu um comunicado confirmando o rompimento de "todo tipo de relações" políticas e diplomáticas com Bogotá e culpando o atual governo colombiano por ter "forçado esta lamentável situação".

Como justificativas à decisão, o texto menciona a "penosa submissão" do governo de Iván Duque aos Estados Unidos e as "sistemáticas agressões desse país" contra a Venezuela, referindo-se ao auxílio prestado pela Colômbia à oposição venezuelana para que ajuda humanitária ingresse no país vizinho, assolado por uma profunda crise econômica e social.

Segundo o ministério venezuelano, Bogotá, sob a tutela de Washington, "busca gerar atos de violência na Venezuela com o propósito de realizar um golpe de Estado".

A nota ainda reitera que os funcionários diplomáticos colombianos têm 24 horas para deixar a Venezuela, contadas a partir da emissão do comunicado. Também foi ordenado o retorno imediato de todos os representantes venezuelanos na Colômbia.

No Twitter, a vice-presidente colombiana, Marta Lucía Ramírez, rebateu a decisão, afirmando que o líder chavista "não pode romper relações diplomáticas que a Colômbia não tem com ele". "Nosso governo não nomeou um embaixador lá, nem reconhecemos o embaixador de Maduro desde que seu mandato terminou em 9 de janeiro. É um simples ditador que ocupa Miraflores à força."

As fronteiras da Venezuela com a Colômbia e com o Brasil foram palco de confrontos violentos entre manifestantes e forças militares chavistas neste sábado, deixando mortos e centenas de feridos.

A oposição liderada por Juan Guaidó, com apoio dos governos brasileiro, colombiano e de outros países da região, pretendia reforçar a pressão sobre Maduro com o envio de ajuda humanitária para a Venezuela a partir da Colômbia e do Brasil, mas a tentativa foi duramente reprimida pelo regime, que mandou fechar as fronteiras com os dois países e reforçou os bloqueios com militares.

Para o presidente colombiano, Maduro selou "sua derrota moral e diplomática" ao impedir a entrada de ajuda humanitária, inclusive através da queima de alguns caminhões que transportavam mantimentos a partir do território colombiano.

"O mundo pôde ver hoje a barbárie da ditadura que oprime a Venezuela, que respondeu com violência às tentativas de se entrar nesse país ajuda procedente da Colômbia e do Brasil", afirmou Iván Duque na cidade fronteiriça de Cúcuta.

Discurso em Caracas

Enquanto eclodiam os confrontos nas fronteiras, Maduro resolveu encenar uma demonstração de força na capital. Em seu discurso, além de anunciar o rompimento das relações com a Colômbia, o presidente lançou acusações contra os Estados Unidos e prometeu defender seu país de intervenções estrangeiras.

"Escute bem, Donald Trump: jamais vou trair o juramento que fiz ao comandante Chávez de defender a pátria", afirmou, dirigindo-se ao presidente americano. "Minha vida é consagrada totalmente à defesa da pátria, em qualquer circunstância. Nunca me dobrarei, sempre defenderei a minha pátria com a minha vida, se necessário for."

Embora tenha recusado ajuda humanitária de países vizinhos, Maduro se mostrou disposto a aceitar auxílio da União Europeia, desde que seja de forma "legal", sugerindo que a distribuição deve ser controlada pelo regime. Ele afirmou, contudo, que pretende pagar por essa ajuda.

"Por tudo o que enviarem, a Venezuela vai pagar, porque não somos mendigos de ninguém. Que cheguem aos nossos portos, de maneira legal. Aceitamos", declarou.

Maduro também fez menções ao Brasil. "Mandei uma mensagem. Estamos dispostos, como sempre estivemos, a comprar todo arroz, todo leite em pó, toda a carne. Mas pagando. Não somos mau pagadores. Somos gente honrada que trabalha", afirmou.

O chavista ainda lançou críticas ao líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino da Venezuela no mês passado. "Esperamos pelo senhor fantoche palhaço, fantoche do imperialismo americano e mendigo", provocou Maduro.

O governo em Caracas insiste em negar a existência de uma crise humanitária nacional. A afirmação contradiz os dados mais recentes das Nações Unidas, situando em 3,4 milhões o atual número de refugiados e migrantes da Venezuela em todo o mundo.

Maduro alega que a entrada de ajuda humanitária seria um pretexto para os Estados Unidos promoverem um golpe de Estado no país. Ele também culpa as sanções econômicas impostas por Washington pela hiperinflação e pela severa escassez de alimentos e remédios na Venezuela.

EK/efe/ots

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