Maduro propõe trocar petróleo por vacinas contra covid-19 | Notícias internacionais e análises | DW | 29.03.2021

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América Latina

Maduro propõe trocar petróleo por vacinas contra covid-19

Venezuela enfrenta dificuldades para acessar fundos congelados no exterior e pagar por imunizantes devido a sanções impostas pelos EUA e seus parceiros comerciais.

Pessoas com máscaras caseiras aguardam em fila. Profissional da saúde com roupa de proteção caminha.

Venezuela registrou oficialmente cerca de 155 mil casos confirmados de covid-19 e mais de 1,5 mil mortes

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que o país está disposto a trocar parte da produção de petróleo por vacinas contra a covid-19.

A Venezuela enfrenta uma onda de contaminações e dificuldades para acessar recursos financeiros no exterior, devido às sanções impostas à estatal petroleira PDVSA pelos Estados Unidos e outros parceiros comerciais dos americanos, que são contrários ao regime de Maduro.

"A Venezuela tem os petroleiros, tem os clientes para comprar petróleo e dedicaria parte da produção para garantir todas as vacinas de que necessita", disse Maduro no domingo (28/03).

"Petróleo por vacinas, estamos prontos", insistiu, embora não tenha explicado detalhes sobre o plano.

O presidente venezuelano destacou, também, que vai continuar insistindo no desbloqueio de fundos congelados no exterior para pagar vacinas, incluindo as do consórcio Covax Facility, uma aliança mundial para a distribuição mais iqualitária de imunizantes.

Segundo Maduro, através do consórcio, o país teria acesso a 2,4 milhões de doses, cerca de 20% do total necessário.

A proposta de Maduro lembra o programa Petróleo por Alimentos, da Organização das Nações Unidas (ONU), implementado para atender às necessidades humanitárias do Iraque após a Guerra do Golfo. O país vivia sanções econômicas impostas após a invasão do Kuwait pelas tropas iraquianas, em 1990.

Outrora importante no mercado internacional, a indústria petrolífera venezuelana passa por dificuldades e as operações de extração caíram consideravelmente nos últimos anos. De acordo com dados da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), a Venezuela produziu, por dia, pouco mais de 500 mil barris em fevereiro, um ligeiro aumento em relação aos meses anteriores, mas muito distante dos quase três milhões de barris diários no início dos anos 2000.

Sanções dos EUA

Maduro disse que a quebra se deve às sanções dos Estado Unidos contra a indústria petrolífera venezuelana, mas especialistas e a oposição afirmam que a má gestão e a corrupção são as verdadeiras causas da queda da produção.

Em fevereiro, o ministro do Petróleo venezuelano, Tarek El Aissami, afirmou que espera "atingir uma produção de 1.508.000 barris de petróleo por dia" até o final de 2021. Especialistas, porém, consideram este objetivo impossível de ser atingido. 

Com 30 milhões de habitantes, a Venezuela registrou cerca de 155 mil casos confirmados de covid-19 e mais de 1,5 mil mortes, de acordo com dados da Universidade Johns Hopkins. Os números, contudo, são questionados por organizações como a Human Rights Watch. Nas últimas semanas, houve um aumento nas infecções, que Maduro atribui à variante brasileira do coronavírus.

le (afp, lusa, efe)

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