Macron condena antissemitismo de ″coletes amarelos″ | Notícias internacionais e análises | DW | 17.02.2019
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Europa

Macron condena antissemitismo de "coletes amarelos"

Durante marcha em Paris, filósofo Alain Finkielkraut foi cercado por manifestantes e xingado com ofensas antissemitas. Assédio gera onda de condenações, em meio ao crescimento de crimes contra judeus na França.

O filósofo Alain Finkielkraut durante protesto em Paris em 2018

O filósofo Alain Finkielkraut durante protesto em Paris em 2018

O presidente da França, Emmanuel Macron, condenou o assédio verbal sofrido por um intelectual judeu durante os protestos de sábado (16/02) dos chamados "coletes amarelos".

Na manifestação no centro de Paris, que marcou três meses do início dos protestos, o filósofo e escritor Alain Finkielkraut foi alvo de uma série de insultos racistas, como mostram imagens que circularam na imprensa e nas mídias sociais.

"Os insultos antissemitas dos quais ele foi alvo são a absoluta negação do que consideramos fazer de nós uma grande nação. Nós não vamos tolerar isso", escreveu Macron no Twitter.

"Filho de imigrantes poloneses, o acadêmico Alain Finkielkraut não é apenas um proeminente intelectual, mas também um símbolo do que a República possibilita a todos", complementou.

Nas imagens gravadas durante o protesto, é possível ver como manifestantes gritam "grande merda de sionista", "saia daqui sionista de merda”, "nós somos o povo" e a "França é nossa".

"Eu me senti absolutamente odiado, mas, infelizmente, esta não é a primeira vez", disse Finkielkraut, de 69 anos, ao Journal du Dimanche. "Eu teria ficado com medo se a polícia não estivesse lá, mas felizmente eles estavam lá."

Inicialmente, Finkielkraut expressou solidariedade e simpatia às causas dos "coletes amarelos", mas, em entrevista publicada no último sábado no jornal Le Figaro, ele criticou os líderes do movimento dizendo que a "arrogância mudou de lado".

O incidente de sábado gerou uma onda de condenações e mensagens de apoio ao filósofo. Finkielkraut, amplamente visto como um pensador pró-establishment, é desde 2016 membro da Academia Francesa, a prestigiosa instituição responsável pela definição da língua francesa.

A França observa com preocupação o aumento de atos contra judeus em sua sociedade. Na semana passada, 14 partidos políticos lançaram um apelo para que se atue de forma mais contundente contra atos antissemitas – segundo o Ministério do Interior, em 2017 houve um aumento de 74% em crimes de ódio contra judeus.

Os protestos dos "coletes amarelos" começaram três meses atrás, como um movimento contra o aumento no preço dos combustíveis, mas logo se tornaram uma série de manifestações mais amplas contra o governo Macron.

RPR/afp/ots

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