Luxuoso restaurante bane populistas de direita em Berlim | Colunas semanais da DW Brasil | DW | 20.05.2019
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Coluna Checkpoint Berlim

Luxuoso restaurante bane populistas de direita em Berlim

"Não queremos servir a políticos que discriminam pessoas", afirma restaurante ao negar pedido de reserva feito por membros da AfD. Legenda classifica recusa de antidemocrática.

Alice Weidel e Alexander Gauland, da AfD

Alice Weidel e Alexander Gauland estavam entre os participantes do jantar negado à AfD

"Não queremos servir a políticos e seus assessores que discriminam e menosprezam pessoas devido a sua origem, religião, posição política ou cor da pele", diz um e-mail enviado pelo restaurante berlinense Bocca di Bacco negando o pedido de reserva feito por integrantes do partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

A recusa da reserva causou indignação entre os membros da legenda. O porta-voz da bancada da AfD no Bundestag (Parlamento alemão), Christian Lüth, fez questão de publicar uma cópia do e-mail nas redes sociais e classificou a decisão de "antidemocrática e burra".

Entres os participantes do jantar negado estariam algumas das principais lideranças do partido, como seus chefes Jörg Meuthen e Alexander Gauland, além da copresidente da bancada da legenda no Bundestag Alice Weidel.

A AfD é conhecida por posições anti-imigração, anti-islâmicas e muitas vezes racistas. Gauland, por exemplo, já deu várias declarações nesse sentido, dizendo que a Alemanha deveria ter orgulho dos soldados nazistas ou afirmando que as pessoas não gostariam de ser vizinhas do jogador de futebol Jérôme Boateng. Weidel também costuma usar argumentos discriminatórios em seus discursos no Parlamento.

Esta não foi a primeira mesa negada à AfD pelo restaurante berlinense. Um local privado tem todo o direito de aceitar ou não uma reserva, e em Berlim, é bastante comum em alguns clubes noturnos, principalmente no famoso Berghain, um controle na fila de quem pode ou não entrar na balada.

Essa seleção, nada natural, já se tornou inclusive uma tradição na cidade, e nunca vi ninguém fazendo drama público por ter sido barrado na balada ou questionando a legalidade da ação – cujos métodos de escolha são bem obscuros, parecendo depender se o segurança na porta gostou ou não do rosto do freguês.

Assim, ser barrado é algo bem normal em Berlim, mas os políticos da AfD parecem nunca ter ouvido falar dessa tradição e, indignados, resolveram fazer um alarde nas redes sociais. O burburinho levou alguns simpatizantes da legenda a sugerir o boicote ao restaurante de luxo e o classificar de ruim.

Comentários em apoio aos políticos alegavam que eles estavam sendo discriminados. Matérias na imprensa local questionaram a legalidade da recusa, mas, pela lei, como o local é privado, o dono pode receber quem quiser.

Localizado numa das ruas mais nobres de Berlim, a Friedrichstrasse, o Bocca di Bacco costuma ser frequentado por estrelas internacionais, como George Clooney, Matt Damon e Penélope Cruz. Durante alguns dias, o dono do local se manteve em silêncio sobre a polêmica. Até que resolveu falar à imprensa local.

Em entrevistas, Alessandro Mannozzi disse que, apesar de a AfD ter sido eleita democraticamente, ele acredita que o palco não deve ser oferecido à legenda. Sobre a recusa, Mannozzi argumentou que recebe clientes do mundo todo e de várias religiões e tem funcionários de dez países do mundo. A presença de políticos de um partido abertamente xenófobo poderia gerar constrangimentos. Mannozzi destacou ainda que seu restaurante é cosmopolita e defende os princípios da tolerância e aceitação e, por isso, não deseja clientes sem essa postura.

O Bocca di Bacco não foi o único restaurante que negou reservas a políticos da AfD. Em Munique, houve recentemente um caso semelhante. Mais uma vez, por se tratar de um local privado, o dono faz o que quiser. Se esse princípio for questionado, o debate precisa então ser ampliado a todos os espaços que fazem seleção de clientes, sejam os barrados membros ou não de partidos políticos.

Clarissa Neher é jornalista da DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.

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