1. Pular para o conteúdo
  2. Pular para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW
Funcionários da Lufthansa em aeroporto
A Lufthansa impõe obrigatoriedade do uso de máscaras a bordo de seus aviões para tripulantes e passageirosFoto: Peter Parks/dpa/picture alliance
SociedadeAlemanha

Lufthansa pede desculpas após barrar judeus ortodoxos em voo

11 de maio de 2022

Grupo foi impedido de embarcar na segunda etapa de seu voo por se recusar a usar máscaras FFP2. "Temos tolerância zero com o racismo, o antissemitismo e qualquer tipo de discriminação", diz a empresa após polêmica.

https://www.dw.com/pt-br/lufthansa-pede-desculpas-ap%C3%B3s-barrar-judeus-ortodoxos-em-voo/a-61763812

A Lufthansa teve de fazer um pedido formal de desculpas nesta terça-feira (10/05), depois de ter sido acusada de rejeitar o embarque de passageiros que eram reconhecidamente judeus ortodoxos, em um voo de Frankfurt para Budapeste.

Em nota, a Lufthansa disse que, no dia 4 de maio, um grupo de passageiros teve o embarque negado após alguns deles se recusarem a acatar a exigência do uso de máscaras FFP2 nos voos. O problema com o uso de máscaras ocorreu na etapa anterior da viagem, entre Nova York e Frankfurt.

Relatos na imprensa mostraram que se tratava de um grupo de judeus ortodoxos, facilmente reconhecidos pelos quipás judaicos e tranças na parte lateral da cabeça. Um vídeo que circulou na internet mostrava um funcionário da Lufthansa os descrevendo como judeus ortodoxos, que viajaram a partir do aeroporto JFK, em Nova York.

Alguns passageiros reclamaram que as restrições foram aplicadas diretamente aos passageiros judeus, em vez de serem impostas a todos que se recusavam a usar máscaras.

"Lamentamos as circunstâncias em torno da decisão de excluir do voo os passageiros afetados, pelo que a Lufthansa pede sinceras desculpas", dizia a nota da empresa aérea alemã. "Temos tolerância zero com o racismo, o antissemitismo e qualquer tipo de discriminação."

Em seu comunicado, a empresa faz referência somente a "um grande número de passageiros" e "um grupo grande", e afirmou que ainda estava avaliando os "fatos e circunstâncias" do ocorrido.

"Inaceitável"

Os passageiros estavam em uma peregrinação para visitar o túmulo de um rabino no norte da Hungria. "Entraremos em contato com os passageiros afetados para melhor compreender suas preocupações e discutir abertamente como podemos melhorar nossos serviços ao consumidor."

Uwe Becker, comissário de antissemitismo do estado de Hesse, do qual Frankfurt faz parte, condenou o incidente. Ele disse que, aparentemente, um grupo inteiro de pessoas – unicamente em razão de sua religiosidade – teria sido responsabilizado por algo que, obviamente, dizia respeito somente a alguns indivíduos.

"Isso é discriminação, e não uma questão trivial qualquer, motivo pelo qual os administradores do alto escalão da empresa deveriam se sentir pessoalmente responsáveis por se desculparem pelo incidente e tomar uma posição clara e inequívoca", disse Becker.

Ele se colocou à disposição para conversar com representantes da Lufthansa sobre a questão. "Algo assim não deve jamais se repetir."

rc (DW, ots)