Livro eletrônico é o centro das atenções na Feira de Frankfurt | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 14.10.2008
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Economia

Livro eletrônico é o centro das atenções na Feira de Frankfurt

As oportunidades e os perigos da digitalização dominam os debates no maior evento do mercado livreiro do mundo. Setor aguarda com expectativa o lançamento dos novos modelos de leitores de e-book, mas teme a pirataria.

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Livros impressos ainda se empilham, mas os eletrônicos serão a atração em Frankfurt

A crescente influência da digitalização e das novas tecnologias no mercado editorial será o tema dominante da 60ª Feira do Livro de Frankfurt, que começa nesta quarta-feira (15/10) na cidade alemã e se estende até o próximo domingo.

O assunto não é novo, nem mesmo para o tradicional evento, que há muito já não se apresenta mais como apenas uma feira do livro, mas como uma feira de mídia. "A Feira do Livro de Frankfurt já é há tempos uma feira de conteúdo. Em torno de 42% dos produtos expostos são livros e 30% é digital", disse o diretor Juergen Boos durante a entrevista de abertura, na terça-feira.

Mas este ano o assunto é dominante na Feira de Frankfurt – a digitalização será o centro dos debates em mais da metade dos 400 eventos paralelos. "Não é um tema novo, ele apenas ganhou uma nova dimensão", avaliou o presidente da Associação do Comércio Livreiro Alemão, Gottfried Honnefelder.

A maior expectativa gira em torno dos aparelhos leitores de e-books, como o Kindle, da Amazon, cuja apresentação ao público alemão, durante a feira, permanecia um mistério mesmo na véspera do evento.

O que muda com o e-book

A aceitação dos e-books pelos leitores é um assunto que divide o setor, segundo uma pesquisa da Feira do Livro entre mais de mil expositores de 30 países. Para 40% dos entrevistados, a venda de conteúdo digital será maior do que a dos livros tradicionais daqui a dez anos. Já um terço diz que isso nunca acontecerá.

Poucos – apenas 7% – são os que acreditam que, daqui a cinco anos, os livros eletrônicos representem a maior fatia do seu faturamento. As empresas norte-americanas Amazon (21%) e Google (20%) são vistas como as principais forças motoras do processo de digitalização, atrás apenas dos próprios leitores, os maiores responsáveis pela tendência para 22% dos entrevistados.

O mercado editorial digital ganhará também destaque físico nesta edição da feira. Boos lembrou que, este ano, o setor terá um estande próprio, chamado Books and Bytes, que mostrará a "conexão entre a bela literatura e o rápido mundo digital".

Medo da pirataria

A maior preocupação que a digitalização traz ao setor livreiro mundial é a pirataria – uma conseqüência dos visíveis efeitos que a tendência teve sobre as indústrias fonográfica e cinematográfica. Para a metade dos entrevistados, copyright e gestão de direitos digitais (DRM, na sigla em inglês para "digital rights management") são as principais questões a serem discutidas.

"O e-book é uma grande chance para o mercado livreiro. Ele conduz o setor para o futuro, pois o princípio 'livro' ganha uma nova dimensão", disse Honnefelder. O problema é a pirataria. "Quem leva um livro de uma livraria tem que contar com sanções. Por que deve valer uma outra lei na internet? Só porque o livro não está impresso e encadernado?"

The Pirate Coelho

Deutschland Brasilien Frankfurt Buchmesse 2008 Paolo Coelho

Pirataria é um problema que não preocupa Paulo Coelho, que falou na entrevista de abertura do evento

Bem menos preocupado com os prejuízos da digitalização mostrou-se o escritor brasileiro Paulo Coelho, que também falou à imprensa na entrevista de abertura da feira. Ele citou uma iniciativa própria, o site The Pirate Coelho, no qual coloca links para sites que oferecem – de forma gratuita e ilegal – os seus livros em arquivo. "Sou pirata de mim mesmo", comentou.

Segundo ele, as vendagens de seus livros não caíram com a iniciativa, mas aumentaram. Paulo Coelho tem uma explicação simples para o fenômeno. "O leitor lê algumas páginas e pensa: 'Meu Deus, é tão fácil comprar o livro, é tão ruim ler na tela'. Aí eles decidem comprar o livro", ponderou.

De uma forma ou de outra, quem já vendeu mais de 100 milhões de livros em todo o mundo – feito pelo qual o autor de O Alquimista será homenageado numa festa paralela à Feira de Frankfurt – não tem mesmo motivo para se preocupar com a pirataria.

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