Linha-dura Ebrahim Raisi vence eleição presidencial do Irã | Notícias internacionais e análises | DW | 19.06.2021

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Irã

Linha-dura Ebrahim Raisi vence eleição presidencial do Irã

Clérigo islâmico ultraconservador e chefe do Judiciário iraniano sucederá moderado Rouhani como presidente. Pleito foi comprometido por boicotes e uma participação nas urnas abaixo de 50%.

Presidente eleito do Irã Ebrahim Raisi

Ebrahim Raisi saíu com 62% dos votos em pleito que oposicionistas afirma ter sido manipulado

O chefe do Judiciário do Irã, Ebrahim Raisi, será o novo presidente do país, anunciou neste sábado (19/06) o ministro do Exterior Mohammad Javad Zarif, após a contagem de mais de 90% das urnas.

O líder supremo aiatolá Ali Khameini louvou o clérigo islâmico ultraconservador, aproveitando para criticar o Ocidente: "O grande ganhador das eleições de ontem é a nação iraniana, pois se ergueu mais uma vez perante a propaganda da mídia mercenária do inimigo."

Raisi obteve 62% dos votos, num pleito comprometido por boicotes e uma baixa participação nas urnas. O presidente em exercício, o moderado Hassan Rouhani, anunciou num discurso televisado que seu sucessor fora eleito, sem mencionar nomes.

"Eu congratulo o povo por sua escolha. Minhas saudações oficiais virão mais tarde, porém sabemos quem recebeu suficientes votos nesta eleição e quem está eleito hoje pelo povo", declarou Rouhani, que não podia mais concorrer, após dois mandatos consecutivos de quatro anos, e deixará o cargo em agosto.

Mais poder para ultraconservadores iranianos

O poder máximo no Irã cabe ao líder supremo, aiatolá Khamenei, mas o presidente tem influência significativa em questões que vão da política industrial a relações exteriores. Mais de 59 milhões de iranianos, no país e no exterior, tinham o direito de votar no escrutínio da sexta-feira.

Nas vésperas, contudo, dissidentes locais e grupos de oposição iranianos sediados em outros países haviam conclamado a um boicote, alegando que as cartas já estavam marcadas para a vitória de Raisi. O Conselho Guardião do Irã impediu centenas de candidatos moderados de concorrerem.

Pesquisas de opinião indicam que a participação eleitoral foi em torno de apenas 44%, muito inferior à da eleição de 2017, que movimentou mais de 70% do eleitorado.

A eleição ocorreu num momento em que a economia do país enfrenta duras sanções, impostas pelo governo do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, depois que Washington deixou o acordo nuclear fechado por Teerã e potências mundiais em 2015.

A reimposição das sanções mergulhou a economia na recessão, expondo Rouhani a investidas dos ultraconservadores por ter confiado no Ocidente. O país de 83 milhões de habitantes está atualmente impedido pelos EUA de vender seu petróleo e negociar com grande parte do mundo.

Possível sucessor de Khameini

Ebrahim Raisi pertence ao campo ultraconservador que desconfia mais profundamente dos EUA e critica Rouhani com rigor, desde que o acordo nuclear começou a desmoronar.

Com de 60 anos, ele encabeça o Judiciário nacional desde 2019, sendo notório por seu envolvimento, como promotor, na execução de milhares de prisioneiros políticos, no fim da década de 80. A União Europeia e os EUA lhe impuseram sanções por seu papel nas violações dos direitos humanos durante protestos antigoverno de extensão nacional de 2019.

A vitória de Raisi deverá também dar mais poder aos linhas-duras iranianos, em meio às negociações em Viena para ressuscitar o acordo de 2015. Diversos observadores veem nele o possível sucessor de Khamenei, que faz 82 anos em julho, como líder supremo do Irâ.

av (AP,AFP,Reuters,DPA)

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