Leilão de Galeão e Confins gera ″disputa desastrosa″, diz operadora de Munique | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 09.10.2013
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages
Publicidade

Brasil

Leilão de Galeão e Confins gera "disputa desastrosa", diz operadora de Munique

Empresa alemã critica relaxamento dos pré-requisitos do leilão e diz que muitos consórcios – dos quais fazem parte também empreiteiras – estão de olho apenas nas obras e não na melhor administração dos terminais.

Aeroporto de Galeão recebe cerca de 17,5 milhões de passageiros por ano

Aeroporto de Galeão recebe cerca de 17,5 milhões de passageiros por ano

Seis consórcios formados por empreiteiras nacionais e operadoras internacionais de aeroportos devem disputar, no dia 22 de novembro, a segunda rodada de privatização dos aeroportos brasileiros. O processo, no qual estarão em jogo os terminais do Galeão, no Rio, e de Confins, em Belo Horizonte, está longe de ser uma unanimidade – principalmente entre as empresas estrangeiras.

Em entrevista à DW Brasil, Thomas Weyer, diretor de finanças e de infraestrutura da operadora que administra o Aeroporto de Munique, diz que o leilão é mal estruturado e possibilita a entrada de consórcios que, segundo ele, visam apenas lucrar com as obras e não querem a real melhoria de qualidade dos terminais.

"Não vamos participar desta desastrosa competição que vai acontecer sob o lema de ganhar a concessão custe o que custar. Nós vamos oferecer um preço realista, o que os outros não vão fazer", afirma. "As empreiteiras vencedoras de Galeão e Confins serão as que não têm interesse a longo prazo no gerenciamento do próprio aeroporto", avalia.

O Aeroporto de Munique, por onde circulam 38 milhões de passageiros por ano, vai participar dos leilões em parceria com o Aeroporto de Zurique e o grupo CCR – formada também pelas empreiteiras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Na primeira rodada de concessões, envolvendo os terminais de Guarulhos, Viracopos e Brasília, a empresa alemã participou apenas como consultora de outros consórcios.

DW Brasil: Quais são as críticas do Aeroporto de Munique em relação ao processo de concessão de Galeão e Confins?

Thomas Weyer: Nós tínhamos a esperança de que o governo brasileiro fosse aprender algo com a primeira rodada de privatização e fosse estruturar o projeto de forma a que participassem do leilão somente "empresas sérias" – por favor não me entenda mal, eu me refiro àquelas que não tentam otimizar seus resultados a curto prazo com um contrato para a realização de obras [de infraestrutura nos aeroportos concedidos] e, depois de cinco anos, desistem da concessão.

Então o que deveria-se esperar das empresas concorrentes?

Na realidade, esperávamos empresas que tivessem interesse a longo prazo nestes projetos e, devido à sua experiência – digo, tamanho dos aeroportos que administram – pudessem tocar o projeto com outra intensidade. Inicialmente isso também foi apresentado dessa forma pelo governo nos critérios de pré-qualificação para os participantes. Mas agora foi de novo enfraquecido, já que a exigência de experiência para um operador internacional de aeroportos para participar do leilão diminuiu de 35 milhões de passageiros por ano para 22 milhões no Galeão. Em Confins a exigência diminuiu ainda mais [de 35 milhões para 12 milhões].

Essa estratégia parece que não vai dar certo. Infelizmente temos o receio de que vá ocorrer algo parecido com o que aconteceu na primeira rodada de concessão. Vão participar do processo muitas operadoras de aeroportos que não têm a real vontade de melhorar a qualidade desses terminais a longo prazo. Muitos vão participar do processo e, relativamente em pouco tempo, abandonar a concessão.

Flughafen München Tower MAC Terminal 2

Segundo maior aeroporto da Alemanha, Munique recebeu em 2012 mais de 38 milhões de passageiros

Quais são as chances de o Aeroporto de Munique ganhar o leilão de Galeão ou Confins?

Claro que as chances existem, mas acredito que não são tão grandes. Pois eu e, aliás, também a Fraport [que controla o aeroporto de Frankfurt e que vai participar da concessão em outro consórcio] vemos a coisa da mesma maneira: vão participar do processo muitas empresas que têm seu lucro não no gerenciamento de um aeroporto, mas sim na construção de edificações. O ágio será muito alto nesta segunda rodada, e as empreiteiras vencedoras de Galeão e Confins serão as que topam pagar qualquer preço para a aquisição de um projeto de construção e não têm interesse a longo prazo no próprio aeroporto.

O problema é que os dois projetos dependem de muitas obras e, por causa das regras modificadas no leilão, temos a preocupação de que as empreiteiras, principalmente as brasileiras, vão novamente se permitir praticar ofertas altas e vão levar o leilão nessa direção. Se esse é o melhor caminho do ponto de vista do governo brasileiro, tenho grandes dúvidas.

Ou seja, o Aeroporto de Munique não está satisfeito com as regras do leilão...

Na primeira rodada de concessão, os aeroportos foram levados por empresas em que, acredito eu, o próprio governo não via uma intenção séria. Mesmo assim, foi liberada a participação dessas empresas agora na segunda rodada. Isso é, sinceramente, algo difícil de entender.

Mesmo se o Aeroporto de Munique não ganhar a concessão de Galeão ou Confins, vocês pretendem participar dos próximos leilões dos aeroportos?

Isso dependerá claramente das condições dos próximos leilões. Se acontecer o mesmo que aconteceu na primeira rodada e que acreditamos vai acontecer agora na segunda, com certeza não participaremos. Não posso falar quanto vamos oferecer para obter a concessão de um dos aeroportos agora na segunda rodada, mas não vamos participar desta desastrosa disputa que vai acontecer sob o lema de ganhar a concessão custe o que custar. Nós vamos oferecer um preço realista, o que os outros não vão fazer, pode acreditar.

Por meio de lances, as empresas devem dobrar o valor mínimo para o aeroporto de Galeão?

Nós já temos uma ideia de quanto vamos oferecer pelo aeroporto, mas não posso dizer. Não é necessário ser profeta para dizer que acontecerá como na primeira rodada, em que o lance mínimo foi ultrapassado de forma significativa. Tornar-se o ganhador – não falo agora de nós – vai depender de como o consórcio foi construído e quais interesses eles têm. Se o interesse for ter um contrato para realizar obras e assim ter rendimentos e, depois de cinco anos, abandonar o projeto, então é claro que os lances serão muito altos. Numa situação assim, o governo brasileiro, é claro, não ganha nada.

Leia mais