Líder catalão pede mediação, mas não cede na independência | Notícias internacionais e análises | DW | 04.10.2017
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Europa

Líder catalão pede mediação, mas não cede na independência

Em discurso, Carles Puigdemont critica retórica de rei Felipe 6º e defende diálogo com Madri, mas governo espanhol rejeita negociações. Parlamento catalão vai debater resultados do referendo na segunda-feira.

Carles Puigdemont

"Esse momento exige mediação. Diálogo e acordo fazem parte da cultura política de nosso povo", disse Puigdemont

Em meio a uma crise na Espanha após a realização do referendo pela independência da Catalunha no domingo passado, o presidente do governo catalão, Carles Puigdemont, afirmou nesta quarta-feira (04/10) ser favorável ao diálogo com o Estado espanhol para solucionar o embate.

"Esse momento exige mediação. Vou repetir quantas vezes for necessário: diálogo e acordo fazem parte da cultura política de nosso povo", declarou o líder em discurso transmitido pela televisão. Segundo ele, porém, "o Estado não deu nenhuma resposta positiva a essas ofertas".

Apesar da abertura ao diálogo, Puigdemont não cedeu em relação à causa separatista, afirmando que "hoje estamos mais certos do que ontem de nosso desejo histórico" de ser um Estado independente.

Em seu discurso, o líder catalão ainda lançou críticas ao rei Felipe 6º, que se pronunciara sobre o referendo na noite de terça-feira, descrevendo as autoridades da Catalunha como "irresponsáveis" por terem realizado a consulta popular, indo contra a decisão da Justiça.

Puigdemont afirmou que o monarca "decepcionou muita gente" por "dirigir-se apenas a uma parte" da população, e acusou Felipe 6º de adotar a mesma retórica do governo em Madri, a qual considera "catástrofica" em relação à Catalunha.

Nas últimas horas – especialmente após o discurso do rei em defesa da unidade espanhola –, foram várias as iniciativas a favor de algum tipo de mediação entre os governos da Espanha e da Catalunha, inclusive do Parlamento Europeu, que fez um apelo ao diálogo nesta quarta-feira.

Madri, por sua vez, não cede ao diálogo. Em nota divulgada após o discurso de Puigdemont, o governo espanhol afirmou que não haverá negociação até que o líder catalão abandone a campanha pela independência. "Se o senhor Puigdemont quer dialogar, negociar ou enviar mediadores, ele sabe perfeitamente o que deve fazer antes disso: voltar a respeitar a lei."

Mais cedo nesta quarta-feira, o presidente do governo espanhol, Mariano Rajoy, havia rejeitado uma proposta do líder do Podemos, Pablo Iglesias, para que fosse iniciada uma mediação entre Madri e os independentistas da Catalunha. O chefe de governo disse que não vai discutir com quem fez "uma chantagem tão brutal ao Estado".

Declaração de independência

Os líderes do governo regional da Catalunha anunciaram nesta quarta-feira que devem dar início na próxima semana ao pedido de declaração unilateral de independência da Espanha.

O Parlamento da Catalunha realizará na próxima segunda-feira, 9 de outubro, uma sessão para debater pela primeira vez os resultados do referendo separatista realizado no fim de semana passado – considerado inconstitucional pelo governo em Madri e que elevou as tensões no país.

Segundo definiram os parlamentares nesta quarta-feira, o único ponto da ordem do dia será o comparecimento de Puigdemont à sessão. Ele vai entregar ao Parlamento os resultados da consulta popular, que mostram um apoio amplo à independência.

Apesar da instituição não ter mencionado especificamente a declaração de independência, líderes catalães deixaram claro que essa é a intenção do governo regional caso sejam considerados oficiais os resultados do referendo.

A parlamentar Mireia Boya Busquet, do partido Candidatura de Unidade Popular (CUP), garantiu nesta quarta-feira que a declaração separatista unilateral será entregue em 9 de outubro. "Sabemos que pode haver distúrbios e prisões. Mas estamos preparados e, de jeito nenhum, pararemos."

A lei catalã sobre o referendo afirma que, dois dias após a oficialização dos resultados, o Parlamento deve realizar uma sessão para que seja efetuada uma declaração formal de independência da Catalunha. Tanto a lei regional como a convocação do referendo foram suspensas pela Suprema Corte da Espanha.

O governo regional catalão afirma que 90% dos eleitores votaram pelo "sim" no referendo de domingo passado. O número, porém, não representa a visão da maioria da população local, já que apenas 42% dos eleitores, ou 2,2 milhões de pessoas, foram às urnas.

O órgão responsável pelo monitoramento das eleições na Espanha rejeitou nesta quarta-feira a validade dos resultados e comunicou sua decisão aos governos em Madri e Barcelona e a vários órgãos europeus, bem como às Nações Unidas.

EK/rtr/ap/efe/dpa/ots

Leia mais