Jovem é condenado à prisão perpétua por morte de adolescente alemã | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 10.07.2019
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Alemanha

Jovem é condenado à prisão perpétua por morte de adolescente alemã

Iraquiano que teve pedido de refúgio negado na Alemanha recebe pena máxima por ter estuprado e matado "a sangue frio" menina de 14 anos em Wiesbaden. Caso acirrou debate sobre a política migratória do país.

Ali B. é condenado à prisão perpétua pelo estupro e morte da adolescente Susanna F.

Ali B. é condenado à prisão perpétua pelo estupro e morte da adolescente Susanna F.

Um jovem iraquiano que teve o pedido de refúgio negado na Alemanha foi condenado à prisão perpétua nesta quarta-feira (10/07) pelo estupro e assassinato de uma adolescente, num caso amplamente usado por grupos ultradireitistas para acirrar a controvérsia em torno da política migratória do país. 

O acusado, Ali B., de 22 anos, recebeu a pena máxima no tribunal de Wiesbaden, cidade alemã onde o crime ocorreu. O juiz Jürgen Bonk considerou o crime como sendo de gravidade excepcional, o que significa que o culpado não receberá liberdade condicional após 15 anos de detenção, como normalmente ocorre na Alemanha.

Bonk afirmou que Ali B. cometeu "assassinato a sangue frio" e não demonstrou remorso ou empatia. Segundo o juiz, durante o julgamento, o réu não expressou qualquer palavra de arrependimento. Segundo a corte, ele agrediu, estuprou e estrangulou uma menina em idade escolar numa região de floresta em 23 de maio do ano passado.

Ali B. teria enviado mensagens falsas do telefone da vítima, identificada apenas como Susanna F., de 14 anos, para dar a impressão de que a jovem teria partido em uma viagem para Paris. Seu corpo foi encontrado em 6 de junho do ano passado, em uma cova rasa coberta por folhas, galhos e terra.

Naquele momento, Ali B. já havia retornado com sua família à cidade de Arbil, no norte do Iraque. Ele acabou sendo preso por forças de segurança curdas e enviado de volta à Alemanha, apesar de o país não ter um tratado formal de extradição com o Iraque.

A controversa operação de deportação foi acompanhada pessoalmente pelo chefe da polícia federal alemã, Dieter Romann, que viajou ao Iraque para trazer Ali B. de volta ao país, onde ele seria julgado pelos crimes que cometeu. 

Mais tarde, o iraquiano confessou o assassinato, mas negou o estupro. Ele disse à corte que manteve relações sexuais consensuais com a jovem, mas, em seguida, os dois começaram uma discussão, e ela ameaçou chamar a polícia. Segundo ele, a partir desse momento, não se recorda de mais nada. "Não sei o que poderia ter acontecido", disse. O réu se lembra, porém, de ter ocultado o corpo.

Ali B. disse que na época do crime ele havia consumido grandes quantidades de álcool e drogas. 

Em outro julgamento, o iraquiano foi acusado de estuprar duas vezes uma menina de 11 anos, que teria sido abusada também por um jovem afegão.  

O caso elevou a pressão sobre a chanceler federal alemã, Angela Merkel, após a decisão de abrir as fronteiras do país durante o auge da crise migratória em 2015, quando milhões de pessoas fugiram de conflitos e da pobreza em países como o Iraque, Síria e Afeganistão, rumo à Europa.

Naquele ano, a Alemanha recebeu cerca de um milhão de pessoas, a maioria da África e do Oriente Médio.

Ali B., seus pais e seus irmãos chegaram à Alemanha em 2015. Ele viveu na cidade de Mainz, próximo a Wiesbaden e Frankfurt. Seu pedido de refúgio foi negado no final de 2016, mas ele recebeu um visto de residência temporário enquanto seu recurso era julgado. Durante esse tempo, ele chamou a atenção da polícia por se envolver em brigas e acusações de roubo e de portar arma branca ilegalmente.

Durante o julgamento, um psiquiatra que examinou Ali B. disse que ele possui distúrbios graves de personalidade e seria incapaz de sentir empatia pelas pessoas. 

Grupos ultradireitistas como o partido Alternativa para a Alemanha (AfD) utilizam com frequência crimes cometidos por refugiados e requerentes de refúgio em suas plataformas políticas, como os abusos em massa cometidos durante a noite de réveillon em Colônia em 2015 e, mais recente, a acusação contra oito jovens búlgaros de estuprarem uma menina de 13 anos.

RC/afp/dpa

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