Jornalista dissidente é enforcado no Irã | Notícias internacionais e análises | DW | 12.12.2020

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Mundo

Jornalista dissidente é enforcado no Irã

Ruhollah Zam administrava canal de Telegram que veiculou informações sobre protestos contra o regime teocrático em 2017. Execução é condenada pela União Europeia e por ONGs que defendem direitos humanos.

Jornalista Ruhollah Zam

Jornalista Ruhollah Zam durante julgamento em Teerã em junho

O ativista e jornalista iraniano Ruhollah Zam foi enforcado neste sábado (12/12) após ter sido condenado à morte por apoiar, através de seu trabalho online, os protestos contra o regime teocrático que ocorreram no final de 2017 e começo de 2018 em várias cidades do Irã.

A execução ocorreu pouco mais de um ano após o jornalista, de 47 anos, que vivia na França, ter sido sequestrado no Iraque, sendo levado a Teerã em circunstâncias misteriosas.

A Anistia Internacional e a organização Repórteres Sem Fronteiras condenaram a execução. A União Europeia também denunciou neste sábado nos "termos mais veementes" a execução de Zam, lembrando "sua oposição irrevogável ao uso da pena de morte em qualquer circunstância", de acordo com um comunicado do Serviço de Ação Externa da UE.

"A UE insta o Irã a evitar futuras execuções e buscar uma política rumo à abolição da pena de morte", afirmou, em nota, o chefe da diplomacia do bloco, Josep Borrell. 

Zam é uma das várias figuras de oposição iranianas presas nos meses recentes no estrangeiro por agentes da inteligência iraniana.

Em junho, um tribunal o sentenciou à morte, considerando-o culpado por "corrupção na Terra", acusação geralmente usada no Irã em casos envolvendo espionagem ou tentativas de depor o governo. Na terça-feira, foi anunciado que a Suprema Corte do Irã manteve a sentença de morte.

Sequestro

Ruhollah Zam, que viveu vários anos exilado na França, foi preso em 2019 no Iraque pelo serviço de inteligência da Guarda Revolucionária Iraniana, depois de cair "em uma armadilha" daquele grupo de elite, que conseguiu levá-lo para o Irã, segundo anunciado na época pela própria corporação militar.

Zam, que tinha estatuto de refugiado na França, foi condenado por desempenhar papel ativo nos protestos iniciados em 2017, através de seu canal Amadnews, veiculado no Telegram.

Ao menos 25 pessoas morreram nos distúrbios que afetaram centenas de cidades iranianas entre 28 de dezembro de 2017 e 3 de janeiro de 2018.

Atendendo pedido das autoridades iranianas, o aplicativo de mensagens Telegram fechou o Amadnews, que tinha então quase 1,4 milhão de seguidores, acusando o canal de incitar a violência.

Preço dos alimentos foi estopim

Durante os protestos que eclodiram em dezembro de 2017 no Irã contra a fome e que levaram a críticas ao sistema autoritário do país, Zam divulgava através do Amadnews os horários dos protestos e informações comprometedoras sobre autoridades iranianas.

Os protestos de 2017 começaram como revolta pela subida dos preços de alimentos e depois se transformaram em uma revolta mais ampla contra o regime fundamentalista. As manifestações representaram o maior desafio para o regime de Teerã desde os protestos do Movimento Verde de 2009 e serviram de inspiração para uma onda de protestos similares em novembro do ano passado.

Zam, que disse ter fugido do Irã depois de ser falsamente acusado de cooperar com serviços estrangeiros de inteligência, negou ter incitado a violência através do Telegram. Ele já havia sido preso no Irã por sua participação nas manifestações do Movimento Verde em 2009 contra a reeleição do presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad. Após ser libertado, ele se exilou na França.

Indignação

A organização de defesa da imprensa Repórteres sem Fronteiras (RSF), que havia acusado o Irã de haver sequestrado Zam quando ele se encontrava no Iraque, manifestou "indignação" pela execução da sentença. "A RSF está indignada com este novo crime da Justiça iraniana", tuitou a entidade, acrescentando que havia alertado a alta comissária para direitos humanos das Nações Unidas, Michelle Bachelet, em outubro, de que a sentença de morte era provável.

A França já havia criticado a sentença de morte como "um severo golpe contra a liberdade de expressão e de imprensa no Irã".

MD/afp/ap/rtr/efe

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