Jamais pediria ajuda a Trump, diz Bolsonaro sobre brasileiros deportados | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 26.01.2020
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Brasil

Jamais pediria ajuda a Trump, diz Bolsonaro sobre brasileiros deportados

"É só não ir para os EUA de forma ilegal", afirma presidente sobre cidadãos que foram enviados de volta ao Brasil algemados. Bolsonaro está na Índia, onde foi convidado de honra das comemorações do Dia da República.

O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em comemorações do Dia da República indiano

Ao lado do premiê Modi, Bolsonaro assistiu ao desfile militar em celebração ao Dia da República da Índia

O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste domingo (26/01), em visita de Estado à Índia, que "jamais" pediria ao líder americano, Donald Trump, para que brasileiros deportados por terem entrado ilegalmente nos Estados Unidos recebessem tratamento diferenciado.

Cerca de 50 brasileiros foram enviados de volta ao país em um voo fretado do governo americano a partir da cidade de El Paso, no Texas, e chegaram a Belo Horizonte na madrugada de sábado. Pessoas a bordo do avião relataram à imprensa brasileira que alguns passageiros tiveram de viajar com algemas nos pés e nas mãos.

Questionado sobre o tratamento dado aos deportados por parte das autoridades americanas, Bolsonaro afirmou: "Pergunta pro Trump."

Ele ainda foi negativo ao responder a uma pergunta sobre se poderia aproveitar seu relacionamento com o presidente americano para evitar que brasileiros fossem deportados algemados: "Como é a lei americana? Qual o tratamento que a lei americana dá para quem está lá ilegalmente? Não é esse? Nós temos de respeitar a lei americana."

Assim, declarou que não intercederia junto a Trump em favor dos brasileiros ilegais. "Qual país está dando certo? Brasil ou Estados Unidos? Eu jamais pediria. Você acha que eu vou pedir para ele descumprir a lei dele? Tenha a santa paciência. A lei americana diz isso. É só você não ir para os Estados Unidos de forma ilegal", afirmou.

O presidente disse, contudo, que o Brasil não daria o mesmo tratamento a estrangeiros deportados e não colocaria algemas nesses imigrantes. "Obviamente, nós não faríamos isso com ninguém, saindo do Brasil para qualquer país."

No sábado, Bolsonaro havia dito que a deportação de imigrantes ilegais é um "direito" dos Estados Unidos e de qualquer nação. Segundo ele, é uma decisão que faz parte da soberania de um Estado.

Citado pelo jornal Estado de S. Paulo, o Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) afirmou que "indivíduos presos e sob custódia das forças federais de segurança estão sujeitos a serem algemados".

Os Estados Unidos solicitaram formalmente ao governo brasileiro autorização para fretar mais voos a fim de acelerar a deportação de brasileiros que entraram irregularmente no país, segundo revelara o jornal Folha de S. Paulo mais cedo neste mês.

O número de brasileiros detidos ao tentar ingressar nos Estados Unidos sem os documentos devidos bateu recorde em 2019, chegando a 18 mil pessoas.

Em 2019, a gestão Bolsonaro já havia autorizado o sobrevoo de uma única aeronave, que chegou em outubro também em Belo Horizonte, carregando 70 brasileiros deportados.

Bolsonaro está na Índia desde sexta-feira, onde fechou 15 acordos bilaterais nas áreas de biocombustíveis e cibersegurança. A viagem termina nesta segunda-feira, após uma reunião com empresários indianos e a abertura do seminário empresarial Brasil-Índia.

Na manhã deste domingo, o presidente participou da cerimônia do Dia da República da Índia, importante data nacional do país asiático. Ele foi convidado de honra do primeiro-ministro Narendra Modi, que todo ano escolhe um líder internacional para participar do evento.

EK/ots

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