Italiano Monti é aliado de Merkel e Sarkozy para salvar o euro | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 11.01.2012
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Economia

Italiano Monti é aliado de Merkel e Sarkozy para salvar o euro

Sucessor de Berlusconi encaminha recuperação econômica da Itália e realinha o país às duas grandes potências da zona do euro. Imprensa europeia já fala no trio "Merkonti".

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Merkel, Sarkozy e Monti

Segundo o jornal especializado em economia Manager Magazin, a abreviatura "Merkonti", formada pelos sobrenomes da chanceler federal alemã, Angela Merkel, do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e do premiê italiano, Mario Monti, demonstra que a Itália não é apenas um problema para a zona do euro, mas também parte da solução.

Monti reuniu-se nesta quarta-feira (11/01), em Berlim, com Merkel, a fim de negociar a planejada união fiscal na Europa. Merkel destacou que, desde que assumiu o governo italiano, Monti "implementou medidas dignas de nota e de importância extraordinária".

O premiê italiano, por seu lado, assegurou não haver riscos de que os problemas em seu país contagiem os demais membros da zona do euro.

Dentro de poucos dias, tanto Merkel quanto Sarkozy deverão se encontrar com Monti em Roma, para definirem juntos as premissas fundamentais de uma política comum orçamentária e financeira para os 26 Estados da UE (sem o Reino Unido).

Isso acontece ainda antes da cúpula extraordinária do bloco, agendada para 30 de janeiro. A ideia deste encontro "a três", o segundo do gênero em curto espaço de tempo, partiu de Mario Monti durante a última cúpula da UE, em dezembro.

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Mario Monti, professor de Economia e ex-comissário da UE, sem partido, iniciou na Itália uma mudança de curso nas políticas orçamentária e econômica. Suas principais metas são a contenção de gastos, a modernização e a redução das dívidas. O político de 68 anos recebe, por sua atuação, elogios tanto de Bruxelas quanto dos outros países da zona do euro.

Monti conseguiu evitar que a Itália fosse arrastada na esteira dos mercados financeiros, correndo o risco de carregar consigo toda a zona do euro para o abismo. Pouco depois de o primeiro-ministro da Itália assumir o poder, o presidente da Comissão Europeia, José Durão Barroso, afirmara em Bruxelas que o destino da zona do euro depende da Itália.

Alguns políticos europeus já desistiram de se ocupar do problema da Grécia, mas a Itália, na condição de terceira maior economia da zona do euro, é simplesmente "grande demais para falir". O endividamento absoluto do país perfaz quase dois trilhões de euros.

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Após a aprovação dos pacotes de austeridade, os juros dos títulos públicos italianos de longo prazo caíram um pouco em fins de dezembro, embora o patamar de 7% ainda seja alto demais. No entanto, há agora esperanças. No caso dos títulos públicos de curto prazo, os juros chegaram a um nível relativamente aceitável. Isso não significa, alertou Mario Monti no fim do ano passado, que a Itália tenha resolvido seus problemas.

"A pressão sobre a Itália continua altíssima", afirma David Schnautz, analista do Commerzbank. O país está sob ameaça de uma recessão, ou seja, de uma redução de sua força econômica. Monti pretende lutar contra isso através do programa de reformas batizado "Cresça Itália". Nas próximas semanas, haverá no país uma liberalização da legislação trabalhista. Os sindicatos já anunciaram que irão relutar.

Ao contrário de seu antecessor, o conservador Silvio Berlusconi, Monti age com determinação e sem fazer muito alarde, o que agrada a Sarkozy e Merkel. "Sou o genro ideal", brincou Monti em uma entrevista recente, ao falar sobre sua imagem de homem limpo e modesto.

Monti anunciou durante a última cúpula da UE que pretende implementar, com 100% de certeza, o plano "Merkozy", uma união fiscal, mesmo com a resistência do Reino Unido. A Europa, segundo ele, deve agir de maneira solidária e unida, uma vez que não há "problemas individuais" dos países, mas sim um "problema europeu".

A crise de endividamento, ressaltou Monti, tem também suas razões nas deficiências de liderança política e de controle na zona do euro. Isso é o que o trio "Merkonti" pretende agora mudar.

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Antes da visita de Monti a Berlim, o ministro italiano das Relações Exteriores, Giulio Terzi di Sant'Agata, voltou a declarar que Roma continua defendendo o euro como moeda comum europeia a todo custo. "A Itália é cofundadora do projeto europeu e ninguém pode questionar o quanto nossa postura convincente pró-Europa é importante para o trabalho comum na comunidade", disse o ministro em entrevista ao site Euractiv.

O próprio Mario Monti salientou que a Itália irá cumprir com suas responsabilidades, mas que os demais países teriam que fazer o mesmo. Além disso, lembrou o premiê italiano, a UE em Bruxelas não pode ser responsabilizada por tudo o que acontece.

Monti, no entanto, defende os eurobonds (títulos públicos europeus, comuns a todos os países da zona do euro), uma ideia rejeitada por Merkel. A sugestão também tem o apoio de Sarkozy. Já o governo alemão rejeita os eurobonds com veemência, porque isso significaria para a Alemanha um aumento de juros.

No entanto, o trio "Merkonti" não dá sinais de fraqueza em função desta divergência, sobretudo porque os três chefes de governo defendem, juntos, a introdução de um imposto sobre transações no mercado financeiro.

Caso as dívidas italianas sejam mantidas sob controle, Mario Monti, que assumiu interinamente o governo italiano, a princípio apenas por poucos meses, poderá se manter no cargo até as próximas eleições regulares, no primeiro semestre de 2013. Se isso ocorrer, o 63° chefe de governo italiano desde o fim da Segunda Guerra Mundial terá ficado no poder por um tempo até relativamente longo.

Autor: Bernd Riegert (sv)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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