Itália decreta ″emergência humanitária″ frente a onda de refugiados | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 13.02.2011
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Itália decreta "emergência humanitária" frente a onda de refugiados

Chegada de milhares de refugiados à ilha de Lampedusa nos últimos dias levou Roma a decretar estado de "emergência humanitária" no país. Medida é usada para contornar fluxo incessante de cidadãos do norte da África.

default

Guarda costeira intercepta navio de refugiados

Diante do intenso fluxo de imigrantes ilegais que aportam no sul da Itália, originários em sua maioria da Tunísia, o governo italiano decretou um "estado de emergência humanitária". Nos últimos cinco dias, segundo informações de autoridades italianas, cerca de 5 mil refugiados norte-africanos chegaram ao país.

A ilha italiana de Lampedusa, localizada entre a Sicília e o norte da África, é o principal destino dos refugiados. Na madrugada deste domingo (13/02), por volta de mil refugiados tunisianos chegaram a Lampedusa em pequenas embarcações, que foram interceptadas pela guarda costeira italiana. A polícia estima que mais de 2 mil tunisianos ilegais se encontram na minúscula ilha.

Desde o início dos protestos na Tunísia, que culminaram na queda do ex-presidente Ben Ali, em meados de janeiro último, milhares de tunisianos passaram a procurar abrigo em outras nações. O chefe da guarda costeira italiana, Antonio Morana, afirmou neste domingo que "a situação está difícil" e que "novas embarcações não param de chegar".

O mar calmo e o bom tempo favorecem as partidas, mesmo que a travessia não esteja livre de riscos, sobretudo devido ao mau estado das embarcações. No sábado, segundo a agência de notícias tunisiana TAP, um barco com 12 pessoas naufragou próximo a Zarzis, na costa da Tunísia, causando a morte de um tunisiano.

Ajuda de vizinhos

Barcos e aviões foram disponibilizados para transportar os imigrantes ilegais que chegam a Lampedusa para centros de refugiados na Sicília e no sul da Itália, onde serão identificados.

O ministro italiano do Interior, Roberto Maroni, sugeriu que terroristas da Al Qaeda e criminosos em geral poderão se aproveitar da situação para entrarem na Europa, sem serem interceptados.

O governo italiano havia pedido ajuda aos seus vizinhos europeus na sexta-feira. No sábado, Roma declarou o estado de "emergência humanitária", que permite às autoridades ignorar algumas formalidades legais, tomar medidas imediatas e mobilizar rapidamente recursos financeiros.

"No entanto, isso não é suficiente. É preciso mobilizar os países mediterrâneos que tenham navios, aviões e helicópteros" para controlar a costa tunisiana, defendeu o ministro italiano do Exterior, Franco Frattini, em entrevista publicada neste domingo no jornal Corriere della Sera .

Italien Lampedusa Flüchtlinge Nordafrika Tunesien Boot Flash-Galerie

Fuga da pobreza é motivo de migração

Modelo albanês

Frattini recomendou a aplicação do "modelo albanês" para resolver o problema, lembrando que nos anos 1990 chegaram à Itália, em apenas uma semana, 15 mil refugiados albaneses.

"Conseguimos resolver a crise através do envio de navios para patrulhar as águas albanesas. Tirana aceitou nossa ajuda e pôs fim à migração", lembra o ministro. Quando os responsáveis pelo tráfico de clandestinos viam os navios militares a dois quilômetros da costa, não deixavam sair as embarcações, acrescentou Frattini .

O ministro espera que a União Europeia tome rapidamente uma decisão, nos próximos dez dias, sobre uma possível missão para patrulhar a costa da Tunísia. De acordo com Roberto Maroni, um dos problemas é que o acordo bilateral com a Tunísia, em matéria de imigração ilegal, já não é aplicado desde a transição política iniciada pela queda de Ben Ali, em 14 de janeiro.

Segundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), "alguns fogem da pobreza", enquanto "outros pedem asilo político" ou dizem que querem "esperar para ver o que vai acontecer na Tunísia".

CA/lusa/dpa/afp
Revisão: Soraia Vilela

Leia mais