Irã vive série de protestos | Notícias internacionais e análises | DW | 30.12.2017
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Mundo

Irã vive série de protestos

Iranianos vão às ruas de várias cidades em marchas contra inflação, desemprego e política econômica do governo Rohani. Impacto dos atos, considerados ilegais pelo regime, ainda é incerto.

Protesto na cidade de Kermanshah, contido pela polícia

Protesto na cidade de Kermanshah, contido pela polícia

O Irã viu protestos se espalharem por várias cidades nos últimos dias, inclusive Teerã, numa série de marchas aparentemente contra a política econômica do governo Hassan Rohani.

Os protestos começaram na quinta-feira (28/12) em Mashhad, cidade de 2 milhões de habitantes no noroeste do país, e se expandiram por várias cidades na sexta. Mas informações sobre as reivindicações não são claras – a mídia estatal e semioficial ignorou as marchas.

Segundo a agência de notícias AFP, o protesto teve inicialmente como alvo a inflação e o desemprego, mas logo se voltou contra o governo Rohani e o regime iraniano como um todo.

Vídeos postados nas mídias sociais mostraram centenas de manifestantes na cidade sagrada de Qom na sexta-feira, entoando gritos de "morte ao ditador" e "liberdade aos prisioneiros políticos".

Houve detenções durante os protestos, ocorridos de forma pacífica também em Neyshabur, Kamshmar, Shahrud, Kermanshah, Rasht, Tabriz e Isfahan.

A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Heather Nauert, emitiu um comunicado condenando as detenções e pediu à comunidade internacional que "apoie publicamente" os cidadãos iranianos que "pedem o fim da corrupção e o respeito dos direitos fundamentais".

Os manifestantes entoaram lemas contrários a Rohani e favoráveis à independência, à liberdade e à República Iraniana, expressando sua rejeição ao apoio econômico do governo a alguns países da região, enquanto a população local atravessa dificuldades econômicas.

"Os líderes iranianos converteram um país rico e com uma história e uma cultura considerável num estado desonesto e economicamente afundado, cujas principais exportações são a violência, o derramamento de sangue e o caos", denunciou Nauert.

Segundo Payam Parhiz, editor-chefe do site reformista Nazar, os protestos dos últimos dias foram uma surpresa, mas ainda é difícil prever seus desdobramentos.

Marcha pró-regime

Neste sábado, dezenas de milhares de apoiadores da ala linha-dura do regime foram às ruas, no protesto anual que acontece desde 2009 para lembrar o movimento que defendeu a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, em meio a alegações de fraude.

A manifestação já estava programada há semanas, mas ganhou força após os protestos espontâneos dos dias anteriores. O governo pediu aos iranianos que evitem participar de "atos ilegais".

Rohani assumiu para um segundo mandato em agosto, com promessas de revitalizar a economia, minada por sanções internacionais. Os investimentos estrangeiros estão em alta, mas o país continua a sobreviver, sobretudo, da venda de petróleo.

O desemprego entre jovens atingiu recentemente a marca de 40%. Muitas das sanções internacionais foram revogadas com o acordo nuclear de 2015, mas medidas unilaterais americanas contra transações financeiras com o Irã continuam a minar a economia e impedem a maioria dos bancos ocidentais de conceder crédito a iranianos.

RPR/ots

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