Intelectuais criticam ″clima de intolerância″ nos EUA | Notícias internacionais e análises | DW | 08.07.2020

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Cultura

Intelectuais criticam "clima de intolerância" nos EUA

Nomes como Noam Chomsky, J.K. Rowling, Margaret Atwood e Salman Rushdie expressam apoio a exigências de maior igualdade e inclusão social, mas alertam contra "conformidade ideológica".

Autorin J K Rowling (Imago/Zumapress)

A escritora J.K. Rowling, que foi "cancelada" recentemente por seus comentários sobre pessoas trans

Mais de 150 intelectuais e artistas assinaram uma carta aberta, divulgada nesta terça-feira (07/07), expressando seu apoio aos protestos mundiais contra o racismo e, ao mesmo tempo, criticando o clima de "intolerância às perspectivas opostas", que segundo eles está ganhando força nos Estados Unidos.

Entre os signatários estão o linguista Noam Chomsky, os escritores J.K. Rowling, Margaret Atwood e Salman Rushdie, o jornalista Roger Cohen e o músico Wynton Marsalis. A carta aberta foi publicada na revista Harper's Magazine.

Os signatários saúdam e apoiam as exigências de reformas na polícia e os pedidos de maior igualdade e inclusão na sociedade americana, que surgiram depois da morte de George Floyd, mas ressalvam que esse "necessário ajuste de contas também intensificou um novo conjunto de atitudes morais e compromissos políticos" que debilita as regras do debate público e da tolerância para com as diferenças em favor de uma "conformidade ideológica".

"Assim como aplaudimos o primeiro processo, levantamos nossas vozes contra o segundo", afirmam. "A inclusão democrática que queremos só pode ser alcançada se nos manifestarmos contra o clima de intolerância que surgiu em todos os lados."

"A livre troca de informações e ideias, que são o sangue de uma sociedade liberal, está cada dia se tornando mais restrita. Ainda que esperássemos isso da direita radical, o criticismo intolerante também está se expandido amplamente na nossa cultura: a intolerância às perspectivas opostas, a moda da humilhação pública e o ostracismo, e a tendência a dissolver assuntos políticos complexos numa certeza moral cegante", escreveram.

Eles destacam que as "forças da intolerância estão ganhando força em todo o mundo e têm um aliado poderoso em Donald Trump, que representa uma real ameaça para a democracia, mas não se pode permitir que a resistência se converta numa forma própria de dogma ou coerção".

"A maneira de derrotar más ideias é pela exposição, pelo argumento e pela persuasão e não pela tentativa de silenciá-las ou apagá-las", afirmam os signatários. "Como escritores necessitamos de uma cultura que nos dê espaço para experimentar, assumir riscos e até mesmo cometer erros."

Na sua coluna no New York Times, Roger Cohen recentemente defendeu o editorialista James Bennet, que perdeu o cargo no jornal após ser duramente criticado pela publicação de um artigo de opinião chamado "Envie os soldados", no qual um senador defendia o uso de militares contra os manifestantes do Black Lives Matter. Cohen qualificou o artigo de "abominável", mas disse que, se ele não pode ser publicado, então "um velho consenso liberal jornalístico está sumindo".

Já Rowling foi criticada pelas suas declarações sobre pessoas transgênero, o que gerou a ira de muitos ativistas. Numa série de tuítes, a escritora afirmou que apoia os direitos dos transgêneros, mas não acredita em "apagar" o conceito de sexo biológico.

Os comentários levaram o ator Daniel Radcliffe a discordar publicamente dela, mas a escritora manteve suas posições, sendo atacada por ativistas ao longo de semanas.

AS/rtr/efe/ots

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