Imprensa francesa destaca violência contra negros e críticas ao Carrefour no Brasil | Notícias internacionais e análises | DW | 25.11.2020

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Brasil

Imprensa francesa destaca violência contra negros e críticas ao Carrefour no Brasil

"O Brasil tem agora o seu George Floyd", aponta o jornal "Libération". "Le Monde" destaca que rede está sendo chamada de "assassina" no Brasil e aponta que caso escancara racismo da sociedade do país.

Brasilien I Tödlicher Angriff in Supermarkt

Protesto contra a rede Carrefour. Lojas da rede pelo Brasil foram alvo de manifestações

A imprensa francesa tem dado destaque ao assassinato de João Alberto Silveira Freitas, um homem negro de 40 anos, conhecido como Beto Freitas, num supermercado da rede francesa Carrefour em Porto Alegre.

Beto Freitas foi espancado e morto por dois seguranças do Carrefour, enquanto uma fiscal do supermercado acompanhava a cena e tentava afastar testemunhas.

O jornal Le Monde destacou que o Carrefour está sendo chamado de assassino "em todo o Brasil". O diário observou que a flecha vermelha que forma o logotipo da rede se transformou, "nas faixas dos manifestantes e nas postagens online", numa poça de sangue.

O grupo francês se encontra em meio a uma tormenta no Brasil após a morte de João Alberto Silveira Freitas", aponta o jornal.

Le Monde destacou ainda que uma petição online, com mais de 16 mil assinaturas, defende o boicote à rede francesa, e que, em Porto Alegre, associações pediram o fechamento da unidade do bairro Passo D'Areia, onde Beto Freitas foi morto.

"Todos os dias, a imprensa noticia novos 'escândalos do Carrefour', revelando um lado sombrio do grupo no Brasil: atos cotidianos de racismo, espancamento de negros, casos de tortura e até acusações de estupro cometidos por agentes de segurança, que são comparados a verdadeiras 'milícias' a serviço dos brancos", aponta o jornal,  em matéria impressa publicada nesta quinta-feira (25/11), destacando outros incidentes que envolveram seguranças do Carrefour no passado.

Assistir ao vídeo 01:28

Manifestantes vão às ruas do Rio contra morte de Beto Freitas no Carrefour

O jornal Libération escreveu, em matéria publicada no domingo em seu site, que "o Brasil tem agora o seu George Floyd", acrescentando que "as imagens das câmeras de vigilância são insuportáveis".

"Além desse caso, o Carrefour já vinha colecionando polêmicas . Em agosto, o funcionário terceirizado morreu entre as prateleiras de uma loja no Recife. Em vez de fechar o local, seu corpo foi simplesmente coberto por guarda-chuvas, e a atividade na loja continuou por várias horas. Em 2018, um segurança matou um cachorro com uma barra de metal, novamente provocando indignação", publicou o jornal, em outra reportagem na semana passada.

O diário citou ainda a filósofa afrobrasileira Djamila Ribeiro para afirmar que, no Brasil, a violência contra os negros é "vista como natural" e escreveu que "os negros são as principais vítimas da violência policial e dos homicídios no país".

O Le Figaro, por sua vez, destacou nesta quarta-feira que a fiscal do supermercado, que aparece num "vídeo chocante", foi detida pela polícia, que justificou a detenção afirmando que ela é uma possível coautora do assassinato por ter autoridade sobre os seguranças que espancaram Beto Freitas.

AS/ots

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