Imprensa europeia vê com descrença futuro da Itália sob Berlusconi | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 15.12.2010
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Mundo

Imprensa europeia vê com descrença futuro da Itália sob Berlusconi

Principais publicações europeias preveem que Berlusconi não poderá promover mudanças necessárias no país europeu mais endividado. Após vitória apertada na Câmata dos Deputados pairam no ar denúncias de compra de votos.

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Carros queimados em Roma

A imprensa europeia narra o caso Silvio Berlusconi numa tônica: apesar de a vitória do primeiro-ministro nesta terça-feira (14/12) ter tido alguma semelhança com as batalhas épicas romanas, o fato mergulhou a Itália em incertezas.

Nas palavras da publicação alemã Süddeutsche Zeitung, o futuro da Itália sob o comando do político bilionário pode estar em xeque. "Cada vez mais, Berlusconi parece um mágico de idade avançada, cujos truques são de um tempo que já ficou para trás." O jornal lembra que "os italianos esperam há 16 anos pela implementação das muitas medidas prometidas".

O Frankfurter Allgemeine Zeitung lança a pergunta: "Então está tudo bem para o cavaliere que, aparentemente, não é abalado por nenhum escândalo? E para os italianos?". Para o jornal, é praticamente impossível que Berlusconi tenha força para conduzir as reformas na política econômica que a Itália tanto precisa. "A política italiana não terá calmaria. (...) Entre os parceiros da União Europeia, cresce a preocupação que a fase fraca se transforme em estado permanente."

O suíço Tages-Anzeiger avalia que a Itália perde com essa situação. "A política mostrou-se novamente incapaz de dar ao país uma perspectiva de futuro. Quanto mais tempo durar essa situação, mais perigosa ficará. O dia de ontem deu início a uma nova fase de instabilidade."

Minúcias dos bastidores da "tensão num dia de alto drama" foram descritas pelo inglês The Guardian. A publicação destaca o esforço especial de três parlamentares que, apesar das frágeis condições de saúde, foram votar contra Berlusconi.

Giulia Cosenza, nos últimos dias de gestação, teria chegado de ambulância. Já Giulia Bongiorno precisou de cadeiras de rodas para votar e Federica Mogherini, grávida de nove meses, foi saudada com aplausos pelos deputados.

Tanto esforço em vão, observa o jornal. "A votação espalhou acusações de corrupção envolvendo o primeiro-ministro bilionário." E um dos quatro senadores que mudou o voto no último minuto foi expulso de seu partido. Seus companheiros justificaram: "Essa compra e venda de votos...", relatou o The Guardian.

Já o jornal francês Le Figaro vê a vitória de Berlusconi sob outro ponto de vista. A publicação lembra que Silvio Berlusconi precisou recorrer a antigos aliados para se salvar e opina que "qualquer outro resultado seria para o país mais endividado da zona do euro um mergulho no desconhecido".

E os italianos?

O diário La Stampa ressalta que, apesar da vitória, o governo tem pouco motivo para comemorar. Na guerra declarada entre Gianfranco Fini, líder da oposição, e Silvio Berlusconi, "a preocupação hoje deveria estar voltada ao reconhecimento dos verdadeiros interesses e necessidades do país, e não apenas à própria sobrevivência", diz o jornal italiano.

Uma avaliação mais aprofundada da manifestação popular após a votação em Roma ocupou as páginas do La Repubblica. Segundo o jornal, muitos protestaram pacificamente nas ruas por bons motivos: as vítimas do terremoto em Áquila, pelo direito de reconstrução; os que sofreram com o lixo nas ruas de Nápoles, pelo direito à saúde, e os estudantes, pelo direito ao futuro.

"A violência encobriu ontem a única verdade com a fumaça dos carros queimados. Ou seja, que o governo de Berlusconi, apesar de sua vitória apertada, até hoje não se mostrou capaz de dar as respostas necessárias a uma Itália sofrida e frágil em tempos de crise", lamenta o jornal. "É essa Itália que ontem, junto com a cidade de Roma, pagou o preço mais alto."

Autor: Nádia Pontes
Revisão: Roselaine Wandscheer

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