Imprensa alemã vê disputa colonialista na ajuda ao Haiti | Notícias internacionais e análises | DW | 19.01.2010
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Mundo

Imprensa alemã vê disputa colonialista na ajuda ao Haiti

Para a imprensa alemã, Haiti se desenvolve como palco de disputa colonialista entre Brasil, EUA, França e Venezuela. Especialista alemão acredita, todavia, que expansão da missão da ONU definirá futuro dos haitianos.

Brasil lidera tropa da ONU desde 2004 no Haiti

Brasil lidera tropa da ONU desde 2004 no Haiti

Em artigo publicado nesta segunda-feira (18/01), a versão online do semanário alemão Der Spiegel comentou que as consequências do terremoto no Haiti ainda não são previsíveis, "no entanto, EUA, França e Brasil já brigam pela hegemonia no país".

Segundo o site, especialistas preveem que nos próximos anos o país deverá se tornar novamente uma espécie de colônia, enquanto o governo haitiano observa a situação de forma impotente.

Haiti / Clinton / Preval / Erdbeben

Hillary Clinton e presidente haitiano René Préval

Após o presidente haitiano René Préval haver transferido o controle do aeroporto de Porto Príncipe aos EUA, Brasil e França teriam se queixado oficialmente junto a Washington, já que as tropas norte-americanas passaram a ter preferência nas permissões de aterrissagem e os aviões de muitas organizações de ajuda humanitária tiveram que ser desviados para a República Dominicana. Para o ministro francês do Exterior, Bernard Kouchner, os EUA teriam "anexado" o aeroporto da capital haitiana, escreveu o Spiegel Online.

O site alemão comentou que o Brasil, que chefia a missão de paz da ONU na ilha caribenha, não estaria pensando em "desistir do controle sobre a ilha" e que, segundo o governo brasileiro, a reconstrução do Haiti deverá continuar sendo um projeto latino-americano.

Para o Spiegel Online, no entanto, diferentemente de 1994, quando os EUA marcharam no Haiti com 20 mil soldados e restituíram o então presidente deposto Jean Bertrand Aristide, desta vez, Barack Obama estaria se esforçando em evitar a impressão de uma ocupação. "Não temos a intenção de substituir a liderança haitiana", afirmou uma representante do Departamento de Estado norte-americano, citada pelo site alemão.

Brasileiros benquistos

Em outro artigo, publicado no Zeit Online na semana passada, o site lembrou que os EUA teriam um grande interesse estratégico no Haiti. A ilha se localiza somente a mil quilômetros de Miami e cerca de um milhão de haitianos vivem nos EUA.

Um colapso político e econômico total do Haiti poderia levar a uma violenta onda de refugiados, o que preocuparia o governo de Washington, que ainda luta contra as consequências da crise financeira.

Além disso, afirmou o Zeit Online, o Haiti se desenvolveu como ponto de conexão para o tráfico de drogas, sendo também uma importante peça na disputa regional de influência na América Latina. Opositores dos EUA já teriam enviado um sinal: o primeiro avião que pousou em Porto Príncipe após a catástrofe veio da Venezuela, lembra a página de internet do semanário Die Zeit, referindo-se a Hugo Chávez.

Para o Zeit Online, enquanto a França, antiga força colonial no Haiti, exerceria somente um papel cultural e simbólico, o Brasil ganhou boa reputação entre os haitianos como líder da Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti). Sob a liderança brasileira, os capacetes azuis da ONU teriam conseguido conter bandos criminosos em bairros pobres, escreve o site.

US Navy Armee Soldaten Wasser Hilfsgüter Flash-Galerie

Soldados norte-americanos levam suprimentos a vítimas do terremoto

Expansão da Minustah

Para o professor Günther Maihold, vice-diretor do Instituto Alemão de Política Internacional e de Segurança (SWP), de Berlim, os problemas de coordenação da ajuda humanitária no local devem-se à falta de um governo capaz de agir. Segundo ele, isso estaria sendo usado pela mídia para levantar eventuais disputas hegemônicas.

O fato de se estar lidando agora com um país destruído é algo inusitado que levaria a situações novas para a comunidade internacional, opina Maihold. Ele acredita que os EUA estariam bem orientados pela ONU para evitar o que o presidente venezuelano, Hugo Chavez, chamou de "militarização do Caribe".

Maihold reiterou a importância da ajuda à população haitiana para os norte-americanos, como forma de evitar uma onda migratória para a Flórida. Para o especialista do SWP, a expansão da missão de paz da ONU definirá o futuro do Haiti.

Com 1.166 soldados na ilha, o Brasil lidera desde 2004 a missão de paz da ONU no Haiti. Segundo o setor de Comunicação Social do Exército brasileiro, esse número foi estabelecido em acordo entre o governo do Brasil, do Haiti e as Nações Unidas.

Autor: Carlos Albuquerque

Revisão: Roselaine Wandscheer

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