Igreja Ortodoxa ucraniana se divorcia da de Moscou | Notícias internacionais e análises | DW | 15.12.2018
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Mundo

Igreja Ortodoxa ucraniana se divorcia da de Moscou

Em meio a tensões russo-ucranianas no Mar Negro, Kiev declara criação de Igreja Ortodoxa própria, rompendo laços centenários com a da Rússia. Presidente Poroshenko fala de "independência efetiva" em "dia histórico".

Bispo ortodoxo ucraniano em Kiev

Proclamação ocorreu em sínodo realizado em Kiev

O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, anunciou neste sábado (15/12), como observador não votante de um sínodo em Kiev, a criação oficial de uma Igreja Ortodoxa independente da tutela russa, pondo fim a uma ligação centenária.

"Este dia sagrado ficará na história como o dia da criação oficial de uma Igreja autônoma, independente e unida na Ucrânia, o dia da nossa efetiva independência da Rússia", declarou diante de numerosos bispos ortodoxos reunidos na Catedral de Santa Sofia.

As atuais tensões emergiram após o Patriarcado Universal de Constantinopla anular o tomos  (decreto) que desde 1686 vinculava a Igreja ucraniana à russa, uma decisão rejeitada pela Igreja russa e pela ucraniana leal a Moscou.

Após a proclamação formal, a nova igreja, independente do Patriarcado de Moscou, será liderada pelo metropolita de Kiev, Epifaniy (Dumenko), de 39 anos, apoiado pela atual líder da Igreja Ortodoxa ucraniana, Filaret. Epifaniy receberá das mãos de Bartolomeu 1º o tomos  da autocefalia, que colocará a Igreja nacional no mesmo nível da russa.

Até o momento, três Igrejas ortodoxas se rivalizam na Ucrânia: uma dependente de Moscou, maioritária; uma segunda do patriarcado de Kiev; e uma minoritária, tornada independente da Rússia em 1920 e autoproclamada Igreja Autocéfala Ortodoxa da Ucrânia.

Nas últimas semanas, os sacerdotes leais ao Patriarcado de Moscou denunciaram interrogatórios e investigações em diversas paróquias. A separação ocorre em meio à crise bilateral desencadeada pelo ataque e apreensão pela Rússia de três barcos militares ucranianos, assim como a prisão de 24 marinheiros no Mar Negro, em 25 de novembro último.

AV/lusa,efe,afp,ap

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