Hariri suspende renúncia após encontro com presidente do Líbano | Notícias internacionais e análises | DW | 22.11.2017
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Oriente Médio

Hariri suspende renúncia após encontro com presidente do Líbano

Premiê afirma ter reconsiderado sua decisão após pedido presidencial. Ele retornou poucas horas antes a Beirute, depois de ter permanecido duas semanas no exterior e anunciado sua renúncia na Arábia Saudita.

Presidente Aoun e Hariri durante uma parada militar em Beirute

Presidente Aoun e Hariri durante uma parada militar em Beirute, após premiê ter reconsiderado sua renúncia

O primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, anunciou nesta quarta-feira (22/11), em Beirute, que suspendeu sua renúncia após um pedido do presidente Michel Aoun.

Num discurso transmitido pela televisão, Hariri disse ter decidido pôr a renúncia de lado e salientou que os interesses do Líbano estão acima de tudo. "Hoje apresentei minha renúncia ao presidente, e ele me pediu para que a suspendesse temporariamente diante de novas conversações sobre os motivos que levaram a ela", declarou Hariri.

Aoun havia se recusado a aceitar oficialmente a renúncia do premiê até que ele retornasse ao país e fizesse o pedido pessoalmente. Em entrevista na televisão em 12 de novembro, Hariri já havia dado a entender que ainda poderia rever sua decisão, mas apenas se o grupo militante xiita Hisbolá assumisse o compromisso de respeitar a política do governo libanês e não se envolver em conflitos regionais.

Hariri retornara a Beirute poucas horas antes, Duas semanas atrás, ele anunciara, de forma inesperada, sua renúncia ao cargo. O chefe de governo estava na Arábia Saudita quando fez o anúncio e não pisava no Líbano desde então.

A televisão libanesa exibiu imagens ao vivo da chegada de Hariri ao aeroporto internacional de Beirute, onde ele aparece descendo de um avião em meio a um forte esquema de segurança.

O premiê não falou com os jornalistas que o aguardavam no terminal. Após deixar o local, seguiu para sua residência, no centro de Beirute, mas antes visitou o túmulo do pai, Rafiq Hariri, que também foi primeiro-ministro do país e morreu num atentado com carro-bomba, em 2005.

Antes de chegar à capital libanesa, Hariri fez paradas nesta terça-feira no Egito e no Chipre, onde se encontrou com os presidentes de cada país, Abdel Fattah al-Sisi e Nicos Anastasiades, respectivamente, para debater a crise no Líbano e na região do Oriente Médio.

Hariri havia passado duas semanas em Riad após seu anúncio de demissão, e depois viajou à França a convite do presidente Emmanuel Macron. No sábado passado, os dois líderes se reuniram no Palácio do Eliseu, em Paris, onde também debateram a crise política que assola o Líbano desde o anúncio de renúncia do premiê.

Na capital francesa, o chefe de governo libanês já havia antecipado que voltaria a Beirute nesta semana para participar das celebrações do Dia da Independência, em 22 de novembro. A cerimônia é normalmente comandada pelo presidente, primeiro-ministro e chefe do Parlamento libanês.

Renúncia inesperada

O primeiro-ministro anunciou sua renúncia em 4 de novembro  passado durante uma visita à Arábia Saudita, gerando uma crise política no Líbano. Na ocasião, ele disse temer ser assassinado, atacou o Hisbolá e criticou a ingerência do Irã em seu país.

Grupos políticos libaneses, por outro lado, acusam a Arábia Saudita de ter obrigado Hariri a renunciar, como forma de atingir indiretamente o Hisbolá, aliado do governo libanês. Aoun também disse duvidar que a decisão de Hariri tenha "refletido sua vontade".

O premiê, por outro lado, rechaçou tais alegações e disse ter escrito sua carta de renúncia com "a própria mão". Ele ainda concordou que "teria sido melhor" ter renunciado a partir do Líbano, mas alegou correr perigo em seu país.

O anúncio de renúncia de Hariri trouxe o temor de que o Líbano, país de frágeis equilíbrios entre as suas diversas comunidades, caia de novo na violência.

EK/AS/dw/rtr/dpa/ap/afp/efe/lusa

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