Há 50 anos, a educação sexual chegava às escolas alemãs | Notícias sobre política, economia e sociedade da Alemanha | DW | 06.06.2019
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Alemanha

Há 50 anos, a educação sexual chegava às escolas alemãs

O primeiro atlas para esclarecimento sexual foi um pequeno escândalo na sociedade da Alemanha Ocidental. Hoje a escola é uma das principais fontes de informação para os jovens, também reparando o que a internet distorce.

"Vamos falar das abelhinhas e as florezinhas": assim costumava começar a educação sexual na Alemanha Ocidental, até a década de 1960 – se é que ela acontecia. Até que foi dada a partida para uma pequena revolução: em 10 de junho de 1969 chegava às escolas o Sexualkunde-Atlas (Atlas de educação sexual).

Publicado pela Central Federal para Esclarecimento de Saúde (BZgA), o primeiro livro escolar oficial sobre o tema tinha aparência modesta: em formato horizontal, a capa branca trazia grafismos circulares coloridos que não revelavam muito de seu conteúdo. Vendido também livremente nas livrarias, ele em breve se tornou um best-seller.

Era a época dos filmes de "esclarecimento sexual" de Oswald Kolle, na fronteira do soft porn, assim como do movimento estudantil, o qual propagava, entre outras revoluções, o "amor livre". Mas educar crianças e adolescentes sobre sexo? Para muitos pais, isso era atravessar a "linha vermelha".

Assim, uma pequena bomba caiu em meio à sociedade alemã-ocidental, quando, em 1968, a conferência dos ministros da Educação lançou um primeiro decreto sobre o esclarecimento sexual nas escolas. A Alemanha Oriental, sob governo comunista, era mais desinibida nesse aspecto e já tinha a matéria em seus currículos desde 1959.

Alguns estados alemães ocidentais – como Hessen, desde 1967 – já tinham regulamentos relativos à educação sexual, "mas, de resto, não havia qualquer esclarecimento nas escolas", relata a pedagoga e pesquisadora sexual Renate-Berenike Schmidt, de Freiburg. Em geral o tema ficava a cargo dos padres ou professores de religião: "Esclarecimento não estava em primeiro plano, tratava-se de educação e modéstia."

Capa do primeiro Atlas de educação sexual da Alemanha Ocidental

Capa do primeiro "Atlas de educação sexual" da Alemanha Ocidental

Nestes 50 anos, houve grandes avanços, em ondas sucessivas, mas ainda há muito espaço para melhorar. Embora a matéria esteja firmemente ancorada no currículo de Conhecimentos Gerais e Biologia, ela ainda é encarada com certo desdém, lamenta Schmidt.

O fato surpreende, pois, em seu estudo de 2014-15 sobre sexualidade juvenil, a BZgA confirmou que a escola continua sendo importante para a educação sexual, ao lado do meio familiar: 80% dos jovens consultados afirmaram ter obtido seus conhecimentos sobre sexualidade, contracepção ou gravidez nas aulas. Para os meninos, essa foi até a principal fonte de esclarecimento.

Beate Proll, relatora para fomento da saúde e prevenção na conferência dos ministros da Educação, considera o esclarecimento sexual nas escolas até mesmo mais importante hoje em dia do que nunca. "A questão é também retificar aquilo que as redes sociais apresentam de forma distorcida. E sempre enfatizar que o que se vê nos sites pornô da internet ou em outras mídias, por exemplo, não é uma representação fiel de amor e sexualidade, nem um ponto de referência verdadeiro."

Para Proll, uma abordagem contemporânea seria combinar a aquisição clássica de saber ao aprendizado social. "É, por exemplo, adquirir palavras para expressar os sentimentos. E perceber quando uma situação parece esquisita, e então falar a respeito."

A escola deveria criar espaços comunicativos para os temas amor, amizade e sexualidade, prossegue a relatora. "Pois hoje em dia as imagens de parceria bem-sucedida e satisfação na sexualidade costumam ser marcadas pela mídia, e não raramente associadas a uma mentalidade de desempenho: 'Eu tenho que estar bonita/o, tenho que posar.' Muitas vezes se trata de ter o corpo perfeito, até as partes íntimas."

Isso estressa os adolescentes, e em meio à avalanche informática atual é importante transmitir um volume de conhecimentos gerais nucleares, enfatiza ela, que é também diretora de departamento no Instituto Estadual de Formação de Professores e Desenvolvimento de Escolas, em Hamburgo.

Igualmente importante é comunicar quais são as fontes sérias e confiáveis na internet, como a BZgA. A meta é tornar os jovens futuramente capazes de moldar suas relações amorosas, explica Proll, e "isso também é importante no contexto da violência sexual e da formação de parcerias não violentas".

AV/dpa

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