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Grupo Wagner sofreu 30 mil baixas na Ucrânia, dizem EUA

18 de fevereiro de 2023

Soma inclui mercenários mortos ou feridos na guerra. Casa Branca estima número de vidas perdidas em cerca de 9 mil, sendo a maioria de condenados recrutados pelo grupo em prisões na Rússia.

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Dezenas de túmulos de mercenários do Grupo Wagner em cemitério em Krasnodar, na Rússia
Mercenários do Grupo Wagner mortos na Ucrânia foram enterrados em cemitério em Krasnodar, na RússiaFoto: REUTERS

Os Estados Unidos estimam que o Grupo Wagner – uma organização paramilitar privada com fortes ligações com o Kremlin – sofreu mais de 30 mil baixas, entre mortos e feridos, desde o início da guerra na Ucrânia, segundo informou nesta sexta-feira (17/02) a Casa Branca. Os mercenários estão lutando ao lado da Rússia no conflito.

Os EUA avaliam que cerca de 9 mil mercenários do grupo morreram no conflito. O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby, indicou que metade das mortes ocorreu desde meados de dezembro do ano passado, com a intensificação da batalha em Bakhmut, na região do Donbass, no leste da Ucrânia.

"Estão usando seus recrutas, a maioria deles condenados, como bucha de canhão, estão literalmente jogando-os em um moedor de carne", declarou. Kirby acrescentou que, com base nas informações de inteligência dos EUA, acredita-se que 90% das baixas do Wagner em dezembro seriam de condenados alistados na organização.

O grupo recruta integrantes em prisões russas para lutar na guerra na Ucrânia com a promessa de comutação da pena. De acordo com Kirby, a maioria das vítimas são ex-presidiários que foram enviados para o combate sem receber treinamento.

Os EUA impuseram sanções contra esse grupo russo de mercenários por seu envolvimento na guerra na Ucrânia e o designaram como uma "organização criminosa transnacional", o que abre a possibilidade de continuar sancionando economicamente tanto a organização como seus aliados em todo o mundo.

Em janeiro, os EUA estimaram que o grupo teria cerca de 50 mil mercenários na Ucrânia, dos quais 10 mil seriam contratados e 40 mil ex-presidiários, e asseguraram que o Wagner continua recrutando guerrilheiros em prisões russas, apesar de o fundador do grupo, Yevgeny Prigozhin, dizer que essa prática não está sendo mais adotada.

Como surgiu o Grupo Wagner?

O Grupo Wagner está sob os holofotes por seu papel na guerra na Ucrânia.

O grupo foi fundado em 2014 e uma de suas primeiras missões conhecidas foi na península ucraniana da Crimeia, naquele mesmo ano, quando mercenários com uniformes sem identificação ajudaram forças separatistas apoiadas pela Rússia a tomar a região.

Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, Moscou inicialmente usou os mercenários para reforçar as forças da linha de frente, mas, desde então, passou a contar cada vez mais com eles em batalhas críticas, como nas cidades de Bakhmut e Soledar.

A empresa paralimitar, seu dono e a maioria dos seus comandantes foram alvo de sanções dos Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia (UE).

Quem integra o Grupo Wagner?

A companhia militar privada Wagner já existia muito antes do início da guerra na Ucrânia e era composta por alguns milhares de mercenários.

Acreditava-se que a maioria deles eram ex-soldados de elite altamente treinados. Mas quando as perdas da Rússia durante a guerra na Ucrânia começaram a aumentar, o proprietário da empresa, o oligarca Yevgeny Prigozhin, ligado ao Kremlin, começou a expandir o grupo, recrutando prisioneiros e civis russos, assim como estrangeiros.

Em um vídeo que circula na internet desde setembro de 2022, Prigozhin é visto no pátio de uma prisão russa se dirigindo a uma multidão de condenados e prometendo que, se eles servissem na Ucrânia por seis meses, suas sentenças seriam comutadas.

Apesar de sua crescente presença na guerra, a eficiência do Grupo Wagner não é clara, com analistas sugerindo que o grupo sofre um grande número de baixas sem fazer avanços significativos.

cn (Reuters, Efe, Lusa, ots)