Greve contra reforma da Previdência paralisa Paris | Notícias internacionais e análises | DW | 13.09.2019
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Europa

Greve contra reforma da Previdência paralisa Paris

Motoristas de ônibus e metroviários paralisaram transportes para protestar contra mudanças promovidas por Macron. Governo quer criar sistema de pontos e unificar 42 diferentes regimes de aposentadoria do país.

Estação de metrô lotada em Paris devido à greve

Dez das 16 linhas de metrô da capital francesa não funcionaram

Paris vive uma sexta-feira (13/09) de caos no transporte público, com centenas de milhares de pessoas afetadas por causa de uma greve de motoristas de ônibus e metroviários contra a reforma da previdência promovida pelo governo francês.

Já nas primeiras horas da manhã, as consequências da greve da RATP, empresa responsável pelo transporte metropolitano, eram evidentes nas ruas, lotadas de carros e pedestres, e nas rodovias de acesso, onde antes das 8h (horário local, 3h de Brasília) já se acumulavam 285 quilômetros de engarrafamentos.

Dez linhas de metrô estão completamente paralisadas, quatro operam parcialmente nos horários de pico e apenas as duas automatizadas circulam normalmente, mas com um fluxo muito maior que o normal.

Nos trens suburbanos, as duas linhas principais (RER A e RER B0, esta última o principal acesso aos dois aeroportos da capital) têm um serviço muito limitado. A situação é semelhante com os bondes e ônibus. Apenas um terço dos veículos saiu das garagens. Muitas pessoas optaram por se deslocar a pé, de bicicleta ou de patinetes elétricos.

A greve, convocada pelos sindicatos representativos da RATP, é o primeiro grande protesto após o retorno das férias de verão contra a reforma da previdência promovida pelo governo do presidente Emmanuel Macron. A proposta tem como eixo principal é criar um sistema de pontos e unificar os 42 diferentes regimes de aposentadoria que existem atualmente no país.

Isso afeta diretamente os funcionários da RATP, que possuem um regime especial que lhes permite se aposentar entre 51 e 62 anos, com uma pensão calculada apenas nos últimos seis meses de sua carreira. Em média, os motoristas e metroviários da empresa se aposentam com 55 anos, enquanto a média nacional entre os trabalhadores é 63 anos.

Os sindicatos dos trabalhadores dos transportes de Paris afirmam que o novo modelo de cálculo baseado em pontos promovido pelo governo Macron resultaria em uma redução de 500 euros mensais nas pensões de motoristas e metroviários. Segundo pesquisas, cerca de dois terços dos franceses apoiam as mudanças nos regimes especiais de aposentadoria.

A greve de hoje marca a abertura de uma longa série de mobilizações já programada contra a reforma da previdência, que também deve alterar as condições de aposentadoria de categorias como marinheiros, pescadores, tabeliões e até artistas da Ópera de Paris. Na semana que vem, já estão previstas protestos de advogados, médicos, pilotos e comissários de bordo contra as mudanças em seus regimes de aposentadoria.

JPS/efe/ots

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