Governo interino da Bolívia denuncia Morales por ″sedição e terrorismo″ | Notícias sobre a América Latina e as relações bilaterais | DW | 22.11.2019
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América Latina

Governo interino da Bolívia denuncia Morales por "sedição e terrorismo"

Autoridades interinas da Bolívia apresentam vídeo no qual se ouve supostamente o ex-presidente convocando apoiadores para realizar bloqueios no país. Morales rechaça acusações e afirma que material é uma "montagem".

Mexiko | Bolivianischer Ex-Präsident Evo Morales (Reuters/E. Garrido )

Evo Morales deixou a Bolívia após renunciar e atualmente está no México

O governo interino da Bolívia acusou formalmente, nesta sexta-feira (22/11), o ex-presidente Evo Morales de crimes como sedição e terrorismo, de acordo com "provas" apresentadas como um vídeo em que se ouve suspostamente a voz do ex-líder pedindo para apoiadores realizarem bloqueios e "não deixarem passar comida" para cidades do país.

A denúncia contra Morales, que atualmente está asilado no México, foi apresentada na Promotoria de La Paz pelo ministro interino do Interior, Arturo Murillo. Ele afirmou que o governo da presidente interina do país, Jeanine Áñez, exige as penas máximas para esses crimes. Após a apresentação, o Ministério Público da Bolívia abriu uma investigação formal.

As penas por terrorismo na Bolívia variam de 15 a 20 anos de prisão, e a por sedição (rebelião contra o Estado) é punível com um a três anos de detenção.

"As evidências são claras", defendeu Murillo, referindo-se a um vídeo em que se ouve uma voz atribuída a Morales, cuja autenticidade ainda não foi verificada por fontes independentes. A voz, supostamente originada de uma chamada telefônica a partir do México, incita um líder cocaleiro na Bolívia a manter cidades bloqueadas.

"Evo disse para matarem os bolivianos fazendo cerco às cidades", frisou o ministro, denunciando que "essa é a verdadeira cara, o verdadeiro rosto" de Morales.

O governo interino afirmou que o material foi retirado do celular do filho de um dos líderes dos bloqueios feitos por cocaleiros em várias rodovias do país, especialmente em Cochabamba. O nome do líder seria Faustino Yucra, que, segundo as autoridades, está foragido e é procurado por tráfico de drogas.

No vídeo, é possível ver Yucra falando em seu celular e a voz que sai do telefone é supostamente a de Evo Morales. O ex-presidente pede então para que o líder organize de forma cuidadosa o bloqueio de estradas para evitar que "as pessoas se cansem" e seja rigoroso para combater melhor "a ditadura golpista e racista", em alusão ao governo da presidente interina Jeanine Áñez.

Morales diz que vídeo é montagem

Em sua conta do Twitter, Morales considerou o vídeo uma "montagem" e ficou surpreso que a Procuradoria-Geral da República atue "de oficio" – espontaneamente – contra ele, ao mesmo tempo que não investiga "30 irmãos assassinados à bala" nos últimos dias.

A denúncia também foi apresentada contra o ex-ministro da Presidência, Juan Ramón Quintana, cujo paradeiro é desconhecido.

Murillo lembrou que Quintana, um ex-militar envolvido na política que fazia parte do núcleo duro de vários governos de Morales, ameaçou dizendo que a Bolívia se transformaria em um novo Vietnã durante entrevista a uma agência russa de notícias, no início de novembro.

O ministro interino disse ainda que 70% da Bolívia não apresenta conflitos, já que eles estão localizados especialmente em locais como Chapare, uma área de cultivo de coca onde Evo Morales ficou conhecido como sindicalista antes de chegar ao poder e onde possui muitos seguidores.

Além disso, ocorrem conflitos em Senkata, um ponto na cidade de El Alto, vizinha a Laz Paz, onde apoiadores de Morales protestam em frente a uma refinaria. Murillo afirmou que o governo está tentando "esgotar a via do diálogo" com os manifestantes antes de usar a força para levantar os bloqueios.

O governo interino de Áñez não prevê "medidas excepcionais" para enfrentar os protestos, porque "praticamente tudo está controlado", afirmou o ministro.

Ministério Público investiga veracidade de vídeo

O procurador-geral do Estado, Juan Lanchipa, afirmou em entrevista coletiva que o Ministério Público já está investigando a veracidade do vídeo atribuído a Morales.

Para isso, ele pediu ao Ministério das Relações Exteriores da Bolívia que entre em contato com o ministério homólogo no México, caso seja necessário ajuda.

A investigação inclui provas periciais para determinar a veracidade da voz. Foi pedido ainda que a Empresa Nacional de Telecomunicações (Entel) da Bolívia informe se o telefone do qual Evo Morales supostamente fala do México pertence ao Estado boliviano.

O celular em que o vídeo em que supostamente Evo Morales dá orientações para um líder cocaleiro foi encontrado pela polícia boliviana na região leste de Santa Cruz, acrescentou o procurador-geral.

A Bolívia está em grave conflito desde o dia seguinte às eleições de 20 de outubro, quando começaram as alegações de fraude em favor de Evo Morales, que mais tarde foi proclamado vencedor para um quarto mandato consecutivo.

Em 10 de novembro, a Organização dos Estados Americanos (OEA) advertiu em um relatório sobre graves irregularidades nas eleições e Morales anunciou sua renúncia, pressionada pelas Forças Armadas, para no dia seguinte seguir em asilo para o México.

A renúncia de Morales foi descrita como "golpe de Estado" por vários governos e políticos latino-americanos, enquanto outros países reconheceram o governo interino de Áñez. Parte da comunidade internacional insistiu no diálogo sem se pronunciar sobre a crise política na Bolívia.

Mas à repressão violenta aos protestos de partidários de Morales foi criticada pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que denunciou o "uso desproporcional da força policial e militar”.

A Comissária de Direitos Humanos da ONU, Michelle Bachelet, também denunciou "o uso inútil e desproporcional da força pela polícia e pelo Exército" na Bolívia.

FC/efe/ots

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