Governo alemão poderá intervir em incorporação da Hochtief pela espanhola ACS | Notícias e análises sobre a economia brasileira e mundial | DW | 15.10.2010
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Economia

Governo alemão poderá intervir em incorporação da Hochtief pela espanhola ACS

Classificada como "pérola do empresariado alemão", empresa de construção civil está ameaçada de incorporação por concorrente espanhola. Berlim mostra a determinação de preservar a Hochtief e sua sede em Essen.

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Funcionários da Hochtief protestam contra incorporação

A Hochtief, maior empresa alemã de construção civil, solicitou a ajuda de Berlim para evitar uma incorporação pelo conglomerado espanhol ACS. Os funcionários temem que sua empresa seja dilapidada. "Queremos direitos iguais para todos", exigiu o presidente do conselho de empresa da Hochtief, Siegfried Müller, acrescentando que a ACS não pode promover o próprio saneamento às custas da firma alemã.

Nesta sexta-feira (15/10) o governo alemão reagiu ao apelo. Seu porta-voz, Steffen Seibert, declarou que a Hochtief é uma figura de proa em competência tecnológica, o que "por si só já bastaria para que o governo alemão e a Chancelaria Federal estivessem interessados em manter as estruturas industriais da Hochtief, assim como a sua sede em Essen", no oeste alemão. Além disso, Berlim "parte do princípio que todas as atividades futuras estarão em harmonia com o direito europeu", frisou o porta-voz.

ACS em expansão

Deutschland Arbeit Mindestlohn Bau

Futuro incerto para operários alemães

Entretanto, na véspera, o ministro alemão da Economia, Rainer Brüderle, reforçara sua posição de não interferir na luta de incorporação. "Uma intervenção direta da política não é aconselhável, do ponto de vista dos procedimentos regulatórios", declarara durante sua viagem pelo Japão. O ministro assegurara, porém, que continuaria se informando sobre a situação.

A empreiteira espanhola desmente que pretenda eliminar a concorrente alemã sediada em Essen, a qual deverá permanecer autônoma. De acordo com sua porta-voz em Frankfurt, ao contrário do que afirma a Hochtief, a ACS não teria dilapidado a também espanhola Dragados, que incorporou em 2003, mas sim a ampliado, transformando-a no núcleo de seus negócios de construção civil.

Nos últimos anos, a ACS vem se expandido rapidamente para além do mercado da Espanha: hoje, 40% de seu faturamento são gerados fora do país, contra 25% em 2009, e sua meta é atingir 50% até 2012. No momento ela possui 30% das ações da Hochtief.

Proposta duvidosa

Ainda não está esclarecido se a ACS realmente apresentou um pedido de incorporação à agência alemã de controle financeiro BaFin, como anunciara. A proposta aos acionistas da empresa alemã seria de oito ações da ACS por cada cinco da Hochtief – oferta ainda inferior à atual cotação da empreiteira alemã na Bolsa de Valores.

Uma porta-voz da BaFin declarou em Bonn que a agência não tem permissão para dar declarações sobre os procedimentos. O perito do mercado de capitais Thomas Mayrhofer especula: "Possivelmente a ACS ainda não completou a oferta e pediu à BaFin uma prorrogação do prazo". Segundo ele, prorrogações de até quatro semanas são praxe, e a agência de controle tem prazo de dez dias para estudar o requerimento, após recebê-lo.

Kräne auf einer Baustelle Flash-Galerie Bilder der Woche

Empresa é a maior do setor na Alemanha

"Não é uma Opel"

O conselho de empresa da empreiteira alemã conta com o apoio do líder do Partido Social Democrata (SPD), Sigmar Gabriel. Este apelou à BaFin para que examine rigorosamente a pretensão da ACS, pois haveria indícios de que ela não esteja conforme com as regras de incorporação alemãs. "Isso está cheirando a insider trading", comentou ao site jornalístico Focus Online.

Segundo Gabriel, a Hochtief é "uma pérola do empresariado alemão". "Não estamos falando de uma Opel, Karstadt, Quelle, tampouco de uma Holzmann. Estamos falando de uma firma que não precisa de um cent de subsídio estatal", disse, referindo-se a outras empresas alemãs que recentemente pediram concordata por mau gerenciamento.

O líder social-democrata comentou que, no momento, a empreiteira alemã é uma pechincha, insuficientemente valorizada na Bolsa. Em sua opinião, a chanceler federal Angela Merkel deveria ajudar ativamente na procura por um investidor que enfrente a ACS, adquirindo ao menos a minoria bloqueadora de 25,1% das ações da Hochtief.

Dinheiro da UE

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Líder do SPD, Sigmar Gabriel, defende empresa sediada em Essen

Gabriel insistiu que o governo federal alemão interceda, fechando uma lacuna nas leis de concorrência, a fim de proteger a Hochtief. É necessário modificar uma legislação que não protege uma boa empresa da incorporação por uma má empresa, insistiu. "Precisamos de uma iniciativa legislativa o mais breve possível", pois "o que ocorre aqui é um disparate econômico".

Berlim deveria, além disso, deixar claro ao governo espanhol que não pode causar o desemprego de funcionários alemães que contribuíram para a Espanha com seus impostos, na forma de verbas da União Europeia, instou o ex-ministro do Meio Ambiente.

Siegfried Müller confirmou esse ponto de vista: enquanto a Hochtief cresceu por suas próprias forças no mercado internacional, a ACS deve seu tamanho ao isolado mercado interno da Espanha. Lá, realizou-se a ampliação da infraestrutura através de subsídios da UE – portanto também com o dinheiro dos contribuintes alemães – e somente firmas nacionais, como a ACS, foram contratadas, lembrou o chefe do conselho de empresa da Hochtief.

AV/dpa/ap/dw
Revisão: Roselaine Wandscheer

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