Governo alemão decide banir bandeira do Hamas após incidentes antissemitas | Política | DW | 20.06.2021

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Alemanha

Governo alemão decide banir bandeira do Hamas após incidentes antissemitas

Iniciativa envia sinal aos judeus no país em resposta a ataques ocorridos durante protestos em maio. Alteração do Código Penal deve ser votada nesta semana pelo Bundestag.

Homens armados e bandeiras do Hamas

Hamas governa a Faixa de Gaza desde 2007 e é considerado uma organização terrorista pela UE e pelos EUA

Os partidos que compõem a coalizão governista da Alemanha decidiram banir no país o uso da bandeira do grupo islâmico palestino Hamas, segundo o jornal Welt am Sonntag informou neste domingo (20/06).

A iniciativa foi confirmada por um porta-voz do grupo parlamentar que reúne a União Democrata Cristã (CDU), partido da chanceler alemã Angela Merkel, e o braço bávaro da sigla, a União Social Cristã (CSU).

O Bundestag (Parlamento alemão) deve votar nesta semana a inclusão do banimento da bandeira do Hamas no parágrafo 86 do Código Penal do país.

A decisão foi tomada após diversos incidentes antissemitas terem ocorrido em maio na Alemanha durante protestos contra Israel

A proposta para banir a bandeira do Hamas havia sido apresentada pela CDU. O Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda e parceiro de coalizão com a CDU/CSU, inicialmente manifestou dúvidas sobre a constitucionalidade de medida, mas depois a apoiou.

"Não queremos bandeiras de organizações terroristas sendo agitadas em solo alemão", disse Thorsten Frei, vice-líder da bancada parlamentar da CDU/CSU.

"Estou muito feliz que o SPD apoiou a nossa iniciativa. Ao fazer isso, podemos enviar um sinal claro para os nossos cidadãos judeus", disse Frei, segundo o Welt am Sonntag.

Ataques a sinagogas

Armin Laschet,  candidato da CDU/CSU a chanceler nas eleições federais que serão realizadas em setembro, já havia pedido em maio que a bandeira do Hamas fosse banida, em resposta a atos antissemitas na Alemanha.

Sinagogas foram atacadas, bandeiras de Israel foram queimadas e xingamentos antissemitas foram verbalizados em diversas cidades alemãs durante protestos contra o conflito armado entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, que durou 11 dias.

O governo alemão já havia tomado ações similares em relação a outros grupos anti-Israel no Oriente Médio.

O Ministério do Interior alemão anunciou em abril de 2020 o banimento do grupo xiita libanês Hisbolá e o classificou como organização terrorista. A decisão tornou ilegal demonstrar apoio público ao Hisbolá, inclusive portar a bandeira do grupo.

Os Estados Unidos e a União Europeia, incluindo a Alemanha, também classificaram tanto o Hisbolá quanto o Hamas como organizações terroristas.

O Hamas, cujo nome em árabe é um acrônimo de Movimento de Resistência Islâmica, foi criado em 1987. O grupo tornou-se a autoridade governamental de facto da Faixa de Gaza em 2007 e já se envolveu em diversos conflitos com Israel.